Quando o tiro sai pela culatra

Em defesa da fé:

QUANDO O TIRO SAI
PELA CULATRA…

Em
síntese: O artigo considera algumas objeções
levantadas contra a igreja Católica, mostrando quão inconsistentes são.

Muitas
pessoas enviam a PR panfletos ou impressos vários que atacam a Igreja, e
solicitam explicações a respeito. Não nos furtamos a esta tarefa, que toca de
perto a fé do povo de Deus. Eis por que passamos a folhear o jornal “ÁGUA
VIVA”, da Igreja homônima, edição de janeiro 2004, em que se lêem as
seguintes afirmações:

1. Água benta

Água
Benta – Atribui-se o uso da água benta a
Alexandre I (108-177 d. C). Acredita-se que ela tem o poder contra o mal etc…
Mas por que usar água benta se Jesus tem água viva? (Jo 7, 37-58).

O
despropósito desta alegação evidencia-se quando se verifica que

a) o
Papa Alexandre I governou a Igreja de 107 a 116, e não 177 (o que resultaria
numa duração inverossímil);

b) outros
panfletos protestantes atribuem a “fabricação” da água benta ao ano
1000. A contradição bem mostra quão infundada é a notícia.

Na
verdade, o uso da água benta nada tem de mágico. Trata-se de um sacramental, que
tem em seu favor a oração da Igreja, que o benzeu. É, de certo modo, um
prolongamento da água batismal, que Jesus escolheu para ser canal da graça. Os
cristãos julgam oportuno renovar o seu compromisso batismal, fazendo o sinal da
cruz com água benta e aspergindo objetos do seu trato.

Por
conseguinte o uso da água benta não teve origem nem no século II nem no ano
1000, mas deve ter brotado da consciência que o cristão tem de estar vivendo o
seu Batismo.

2. A Igreja mais
antiga

Acredita-se
popularmente que a Igreja Apostólica Romana é a Igreja Cristã mais antiga que
existe. Contudo, a história mostra que ela nasceu somente em 325 d.C, com o Concílio
de Nicéia, promovido pelo Imperador Constantino. Ela recebeu este nome apenas
em 381 com o Imperador Teodósio. Conclusão: A Igreja Católica não é a mais
antiga. O início da Igreja se deu 300 anos antes em Jerusalém e não em Roma (1Cor
16-19; At 2, 37-47).

Na
verdade, não existe Igreja mais antiga ou menos antiga. Há uma só Igreja,
fundada por Cristo e entregue ao pastoreio de Pedro e seus sucessores; cf. Mt 16,
16-19; Lc 22, 31 s; Jo 21, 15-17. Ela é dita “católica” não a partir
de 381; mas desde as suas origens, pois já em 105 Sto. Inácio de Antioquia
falava da “Igreja Católica” (aos Esmirnenses 8, 2). Em 380 (não em 381)
o Imperador Teodósio fez do Cristianismo a religião do Estado.

Quanto
ao Concílio de Nicéia I (325), não tratou da constituição da Igreja, mas do
dogma da SSma. Trindade mal formulado pela heresia ariana; o Imperador não
interveio na definição do artigo da fé.

3. O Papa

O
Papa recebe grande devotamento dos fiéis da Igreja Católica e em 1870, na época
de Pio X, teve sua infalibilidade aprovada. Segundo ela, o Papa não falha, mas
a Bíblia diz: que “não há homem algum que não peque” (1 Rs 8, 46). Alguns
papas dos passado mostraram com algumas de suas atitudes que mesmo eles
precisam da graça de Jesus como nós. Veja esses exemplos: o Papa Eugênio IV (1431-1447)
condenou Joana D’Arc (1412-1431) à fogueira como bruxa, mas Benedito XV, em 1920,
declarou-a santa.

O
objetante confunde infalibilidade e impecabilidade. O Papa é criatura frágil
como os demais homens,mas goza do carisma da infalibilidade quando define alguma
verdade de fé ou de Moral. É o que se deduz dos textos atrás citados. Jesus não
terá deixado o Evangelho ao léu, mas instituiu uma instância que o guarda e
transmite fielmente; ver também Mt 28, 18-20.

Joana
d’Arc não foi condenada pelo Papa, mas por um tribunal da Inquisição em Ruão
(França), tribunal manipulado pelas autoridades militares inglesas, que a
queriam eliminar. Durante o processo Joana apelou para o Papa como seu
advogado, mas não lhe deram ouvidos. Por conseguinte era justo e necessário que
um Papa posterior a reabilitasse.

4. Você sabia?

O
palácio em que o Papa reside tem cinco mil quartos, duzentas salas de espera, 22
pátios, 100 gabinetes de leitura, trezentos banheiros e dezenas de outras
dependências destinadas a recepções diplomáticas; Gregório VIII revelou que
encontraram 6 mil esqueletos de recém-nascidos num convento de Roma.

A
primeira parte desta notícia é tão fantasiosa que não merece atenção. Quem a
redigiu, nunca terá estado em Roma nem jamais terá visto o que ele imagina.

Quanto
à segunda parte, é uma afirmação ambígua, proposta levianamente, sem
credenciais que lhe valham o crédito do leitor.

5. O Crucifixo

O
Crucifixo – Simboliza o Cristo morto. Passou a ocupar
o altar no séc. XI. Na Bíblia, o crucificado simboliza maldição (Gl 3, 13). Jesus
ressuscitou, vive e voltará (At 1, 11).

É
legítima a representação do Crucificado, visto que Cristo quis assumir a
maldição que nos tocava a fim de superá-la, tornando-a passagem para a vida
plena. S. Paulo mesmo enfatiza a imagem do Crucificado em Gl 3,1 .

“Ó
Gálatas insensatos, quem vos fascinou a vós, ante cujos
olhos foi desenhada a imagem de Jesus Cristo crucificado?”

A
feiura da crucifixão é pedagógica; lembra o horror do pecado; este é realmente
destruição, estraçalhamento, morte…

6.
Observação final

A
leitura das objeções levantadas pelos protestantes contra seus irmãos católicos
lembra muitas vezes o adágio: “O tiro sai pela culatra”. Com efeito;
o baixo nível cultural dessas acusações, o seu caráter passional e inverídico
depõem contra o objetante em vez de afetar a Igreja Católica. Infelizmente,
porém, podem confundir a mente de muitos irmãos despreparados, como notava
Voltaire ao escrever: “Mintam, mintam… Sempre ficará alguma coisa”.

Dom
Estêvão Bettencourt (OSB)

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