Pastorais e Pastorais, por Pe Rômulo

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Primeiramente a Carta Circular que foi publicada e depois a Carta Resposta do Pe Rômulo

CARTA CIRCULAR – 17/07/2002

AloísioLorscheider

Arcebispo de Aparecida – SP

Foram dirigidas à nossa Cúria Metropolitana pedidos do esclarecimento sobre o Sr. BENTO DA CONCEIÇÃO, residente na paróquia de Camboriú, Arquidiocese de Florianópolis-­SC, cuja pregação e escritos espalham-se entre nós com efeitos negativos.

Há pessoas queficam desorientadas ao verem o comportamento de alguns que, na hora da comunhão, tomam atitudes estranhas. Desde a realização do Concilio Ecumênico Vaticano II (1962-1965),a Igreja vem orientando no sentidodeumanovaatitude de respeito e veneração para com o Santíssimo Sacramento. A igreja determina que o comungante receba a Eucaristia, normalmente, em pé. Esta posição é sinal por excelência do Ressuscitado e reflete a alegria de estarmos em assembléia e afirma que estamos diante de Alguém que determina e qualifica nossa vida. Ficamos de pé diante do Senhor, pois Ele é nosso único Senhor. Evidencia que a oração da pessoa tende a levá-la a uma comunhão mais intensa com o Altíssimo. E é um ato de fé orante que proclama ao mundo que a salvação vem do alto (SI 121). Conviria que todos nos adaptássemos a este novocostume introduzido pela Igreja.

Há ainda pessoas que evitam comungar da mão de um ministro extraordinário da santa comunhão. Ora, a Santa Sé permitiu aos Bispos nomearem ministros e ministras extraordinários da santa comunhão. Eles, atualmente, prestam um grande serviço aos fiéis católicos. Estão plenamente autorizados a distribuir a sagrada comunhão. Por que nos recusaríamos a comungar da mão de um ministro devidamente autorizado? Bento é um desorientador das pastorais, ele não tem o direito do atrapalhar a caminhada da Igreja, impondo normas contrárias às existentes. Qs seus seguidores vêm causando comentários nos fiéis com as atitudes estranhas com que os mesmos participam da celebração eucarística. Exemplos: usam véu durante a missa, só recebem a Eucaristia da mão do sacerdote e ajoelhados. Bento usa os seus argumentos e atitudes em nome de Jesus. Ele impõe medo nos fiéis seguidores e procura clericarizar tudo.

Outra questão é a das revelações,e com elas, a das visões.

É sempre necessário distinguir entre revelação pública e revelação privada, particular. A revelação pública é feita para o bem de toda a Igreja e se encerrou com a morte do último Apóstolo; a revelação particular é feita para utilidade particular dos que por ela são favorecidos.

As revelações particulares não fazem parte do objeto da fé católica. A fé católica apóia-se unicamente sobre o depósito revelado contido na S. Escritura e na Tradição e é confiado à interpretação da Santa Igreja. As revelações particulares não se podem impor à crença de todos os fiéis. No caso em que a Igreja as aprovar, não somos obrigados a crê-los. A Igreja apenas permite que sejam publicadas para instrução e edificação dos fiéis. O assentimento a ser dado não é um assentimento de fé católica, é apenas um ato de fé puramente humana, e neste caso ainda se as revelações são prováveis e piamente críveis. Estas revelações nem se podem publicar sem a aprovação da autoridade eclesiástica. Se alguém vive publicando as suas revelações sem aprovação eclesiástica, já é um sinal de que não merecem a mínima fé.

Para bem distinguir as verdadeiras revelações das falsas, existem critérios de juízo que dizem respeito à pessoa que as recebe; ao objeto do qual tratam; aos efeitos que produzem e aos sinais que as acompanham.

Quanto à pessoa: são pessoas equilibradas ou são histéricas? São pessoas de bom senso, de juízo reto, ou de uma imaginação exaltada, ligada a uma excessiva sensibilidade? São pessoas instruídas ou ignorantes? Está o seu espírito enfraquecido pela doença?

Moralmente, a pessoa é sincera ou tem o hábito de exagerar ou até inventar? É pessoa calma ou apaixonada? E ainda, é pessoa dotada de virtude sólida? Épessoa humilde ou gosta de se exibir, de contar a toda a gente as suas revelações? Deixa-se guiar por seu diretor e segue os seus conselhos com docilidade?

Quanto ao objeto das revelações: toda revelação contrária à fé ou aos bons costumes deve ser totalmente rejeitada. Neste sentido, toda revelação fantástica não pode ser aceita de forma alguma. Pessoas que se dizem credenciadas por Deus, por Jesus Cristo, por Maria Santíssima, para falar, devem ser totalmente rejeitadas e evitadas. Só os Apóstolos no Novo Testamento, junto com os Evangelistas e os que escreveram as Cartas que se encontram no cânon da 5. Escritura, e no Antigo Testamento, os profetas, eram credenciados. Com a morte do último Apóstolo terminou este credenciamento. Mesmo em revelações, de alguma forma, autorizadas pela igreja, é preciso ter o necessário equilíbrio. Nem tudo o que certos videntes dizem é de fato revelação particular. Pode bem ser reflexão do próprio vidente.

Também convém considerar os diversos efeitos produzidos pelas revelações. As revelações particulares verdadeiras fazem a pessoa crescer na humildade, na obediência, na paciência, na conformidade com a vontade divina; as falsas produzem orgulho, presunção, desobediência, vaidade. Qual, pois, o nosso modo de proceder diante de certas revelações e visões que de tempos em tempos aparecem?

É necessário imitar a prudente reserva da Igreja e dos Santos. Nem a Igreja nem OS Santos se dirigem pelas revelações particulares. Há até grande demora por parte da Igreja junto de um pronunciamento. Isto porque para a Igreja e as pessoas realmente santas é mais do que suficiente a revelação pública, a que se encontra na S. Escritura e na Tradição autenticamente interpretadas pela Igreja. É preciso ter a máxima cautela quando alguém nos vem falar de suas revelações, visões, particulares. Em vez de assumir como nossas estas revelações, visões, devemos ajudar a pessoa a se rever e entrar no plano salvífico divino oficialmente revelado e não um plano salvífico de revelações, visões, privadas, particulares.

Portanto, se alguém julgar que recebeu alguma revelação particular, alguma visão, o seu caminho não é alardear este lato, mas dar a conhecer a sua possível revelação ou visão a um diretor espiritual ponderado, e seguir humildemente em tudo a linha de proceder que ele lhe traçar.

• Quanto ao Sr. Bento da Conceição, a Arquidiocese de Florianópolis-SC, deu uma Nota de Esclarecimento na qual declara, entras outras coisas:

– não se podem reconhecer como procedentes e sérias as referidas “revelações”. Ao contrário, sentimo-nos no dever de desaprovar o que vem acontecendo…

– as restrições que se fazem baseiam-se em desvios referentes à disciplina eclesiástica e a motivações de conversão pessoal…

– os prenúncios, que ele faz são fantasiosos. João Paulo II seria assassinado. O Papa que vier depois seria um Anti-Papa. Faz toda uma fantasia sobre o mal que este Anti-Papa faria.

Ainda mais, faz Nossa Senhora apresentar-se em prantos, lamentandoimpenitência das pessoas…Tudo isso não passa de fantasia, sem o mínimo fundamento na revelação pública. Pedimos aos fiéis desta Arquidiocese que osculem as orientações oficiais da Igreja e não pretensas revelações, visões, que não têm a mínima consistência.

Aloísio Cardeal Lorscheider

Arcebispo de Aparecida-SP

Aparecida, 17 de julho do 2002

ESCLARECIMENTO:

O Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, com certeza nunca leu sequer uma só mensagem do Sr. Bento da Conceição, pois não existe nenhuma mensagem dizendo que o Papa João Paulo II seria assassinado.

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Carta Resposta do Pe. Rômulo Cândido de Souza, de Aparecida SP, para o Cardeal AloísioLorscheider, Arcebispo de Aparecida – SP

, sobre a nota de orientação acima, dirigida aos fieis, esclarecendo a respeito do

confidente Bento da Conceição, residente na paróquia de Camboriú, Arquidiocese de Florianópolis-­SC, que o Cardeal publicou na sua Arquidiocese de Aparecida.

PASTORAIS E PASTORAIS

Sr. Cardeal Dom Aloísio Lorscheider,

Lemos com atenção e interesse sua “Nota de Orientação” (Aparecida, 17 de Julho de 2002). Aí são feitos comentários aos videntes em geral, e ao sr. Bento da Conceição, de modo especial. Gostaria de apresentar aqui algumas considerações:

1. – Estamos plenamente de acordo com os princípios gerais de prudência em casos de revelações particulares. Não se pode levianamente aceitar tudo, sem análise e sem critério.

2. – É preciso examinar o tipo da pessoa que transmite as mensagens. Se é um desequilibrado, histérico, doente mental. Se possui virtude sólida. Se as mensagens estão de acordo com a fé e os bons costumes. E também os efeitos que elas produzem nas pessoas.

3 – Todas essas considerações são legítimas e conhecidas como critérios de análise.

4 – No caso específico do sr. Bento da Conceição, devo declarar a seu favor o seguinte:

* Eu conheço pessoalmente o sr. Bento e toda a sua família: mulher, nove filhos e netos. * Nunca percebi nenhum traço de fraude, desequilíbrio e exibicionismo. * Todos eles são gente simples, humilde, entregues à oração. Revezam-se durante o dia em vigília de oração e adoração, desde as 6:oo h da manhã até às 21:oo h. * Todos os membros da família participam da vigília. * Tenho comigo os 17 volumes das mensagens do sr. Bento, atribuídas a Jesus, Nossa Senhora e santos. * Nunca tropecei com algum erro teológico ou de moral duvidosa. * A tônica é sempre a mesma: oração, conversão, prática das boas obras, participação na missa, confissão comunhão, obediência ao Papa, caridade fraterna * auxílio aos pobres.

5. – Pelo que me consta, até agora ninguém se preocupou em fazer uma análise em profundidade dos textos e mensagens dos 17 volumes, sob o ponto de vista teológico e moral. O que se vê são apenas escaramuças e um certo mal-estar com relação a algumas práticas litúrgicas (*comunhão com véu para as mulheres * comunhão de joelhos e na boca * comunhão pelas mãos dos sacerdotes.

6 – Quanto a essas práticas litúrgicas, quero lembrar que estão plenamente de acordo com as normas oficiais da Igreja: Normas do Papa João Paulo II, Conferência dos Bispos do Brasil, e Sínodo dos Bispos, assinado pelo Papa.

7. – Cito agora explicitamente esses documentos:

* “Jamais se obrigará algum fiel a adotar a prática da comunhão na mão. Deixar-se-á a liberdade de receber a comunhão na mão ou na boca.” (Igreja do Brasil – Diretório Litúrgico, 1999. – Conferência dos Bispos do Brasil – Ano A – pág. 272-273)

* “Para que o ministro extraordinário, durante a celebração eucarística, possa distribuir a comunhão, é necessário, ou que não estejam presentes ministros ordinários, ou que estes, embora estejam presentes, estejam realmente impedidos.

Pode igualmente desempenhar o mesmo encargo quando, por causa da participação numerosa dos fiéis que desejam receber a comunhão, a celebração eucarística prolongar-se-ia excessivamente, por causa da insuficiência de ministros ordinários.

Esse cargo é supletivo e extraordinário.

Devem-se evitar e remover algumas práticas que há algum tempo foram introduzidas em algumas igrejas particulares, como por exemplo:

– comungar pelas próprias mãos, como se fossem celebrantes.

– o uso habitual de ministros extraordinários nas Santas Missas, estendendo arbitrariamente o conceito de “numerosa participação.”

(Instrução sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes. – Sínodo dos Bispos – Artigo 8. – Documento aprovado e assinado pelo Sumo Pontífice João Paulo II, ordenando a sua promulgação. – Vaticano, 15 de Agosto de 1997.)

Sr.Cardeal,

* Numa concelebração com 50 padres presentes, por que eles não descem para distribuir a comunhão, segundo as Normas da Igreja? Quem é que está desobedecendo e inventando novas Pastorais? É o sr. Bento? Onde fica a Instrução dada pelo Sínodo dos Bispos, e assinada pela Papa?

* Em missas nas pequenas comunidades,com pouca participação de fiéis, às vezes uns 30, por que os ministros extraordinários?

O sr. Bento está seguindo as normas do Papa, dos Bispos do Brasil e Instruções oficiais do Vaticano. Ele é acusado de “usar seus argumentos e atitudes em nome de Jesus.” Certamente, usa o nome de Jesus, mas também segue o pensamento do Papa, do Sínodo dos Bispos e da CNBB.

8. – Gostaria agora de fazer um reparo quanto à falta de lógica na prática da Pastoral. Há coisas bem mais sérias e escandalosas, que não recebem crítica nenhuma:

* Padres que celebram Missa de bermuda e em manga de camisa. Ninguém reclama.

* Fiéis que também comungam de bermuda, e mulheres bastante decotadas. – Ninguém reclama. O véu que algumas usam na comunhão incomoda e atrapalha a Pastoral. O decote e a bermuda não atrapalham nem incomodam.

Sabemos que o véu é um uso cristão, que vem desde o Apóstolo São Paulo. Tem dois mil anos de uso. Mas agora está atrapalhando e incomodando, não se sabe por quê.

* Avisos e cartazes na igreja, fazem propaganda de “camisinha”. – Ninguém reclama. É um cartaz bastante pastoral!!!

9. – E temos outras coisas bastante sérias, no Brasil:

* Aconteceu na Bahia, na Reunião das CEBs, com a presença de milhares de participantes de todas as diocese do Brasil, inclusive70 bispos.

Aí uma mãe de santo invoca os Orixás, deuses do Candomblé, sobre a assembléia. A mãe de santo foi aplaudida por toda a assembléia. – Chamaram a isso de Macroecumenismo! (X Encontro Intereclesial Latino-Americano, em Ilhéus. – 22.10.2000- Ver: Revista “Espaços” – Itesp – 2000 8/2).

* Nessa mesma assembléia rezou-se um “Pai nosso ecumênico” : “Em nome do Pai de todos os povos, / Maíra, mãe de tudo, excelso Tupã (divindade indígena)”…..

Essas inovações não causam confusão, nem escandalizam.Macroecumenismo!

* Nesse mesmo encontro foram proclamadas novas Bem-aventuranças:“Bem-aventuradas as pessoas que vêem na diversidade uma riqueza, como a beleza do arco-íris.” “Bemaventuradas as pessoas que cultivam as qualidades necessárias para a vivência ecumênica, e não fazem do seu rito a exclusividade da liturgia.”

A diversidade é uma riqueza, mas vale só para os de fora. Por quê?

* Na presença de 70 Bispos, “foram clamados todos os elementos da natureza, e foram invocadas TODOS OS NOMES DAS DIVINDADES DAS VÁRIAS RELIGIÕES PRESENTES, especialmente indígenas, cristãs e africanas.”

Invoca-se a Mãe Maíra, misturada ao Pai Nosso. Invocam-se as divindades pagãs. Isso é Pastoral e macroecumenismo. Não escandaliza, não provoca confusão, não atrapalha a Pastoral!

******************

10. -Com respeito às Mensagens proféticas sobre o futuro e o Papa,

acho que precisamos ser mais humildes. Ninguém é juiz do futuro. Até hoje nenhum juiz teve a coragem de emitir parecer sobre coisas que podem acontecer. Vamos esperar acontecer para julgar.

11. -É bom lembrar que as Mensagens não são exclusividade do sr. Bento. Elas vêm do mundo inteiro. São centenas, de todos os países. Estão na boca de crianças e de adultos, de todas as condições sociais e de todos os níveis culturais.E todos transmitem sempre a mesma mensagem básica: oração e conversão, além das conhecidas profecias sobre o Papa. É muita coragem dizer que tudo isso é fraude, histeria, exibicionismo.

12. – Quanto à divulgação dessas mensagens em livros e folhetos, o Códigode direito Canônico é bem claro. “Se esses escritos não têm aprovação eclesiástica, não podem ser distribuídos em igrejas e oratórios.” (Canon 827, 4).Igrejas e oratórios. Isto significa que podem ser distribuídos fora das igrejas e oratórios, de mão em mão. Se o Código de Direito Canônico já previu essa situação, por que criar obstáculos à margem do Direito?

13. – Com relação à autenticidade das Mensagens, lembro o pensamento de Karl Rahner, teólogo do Concílio, elogiado por Paulo VI. Rahner fala:

* “Deus não está obrigado a falar sempre através da Hierarquia. O Espírito de Deus pode dirigir-se a qualquer membro da Igreja para agir nela.”

* “Sempre existiu na Igreja, junto com o poder oficial, transmitido pela imposição das mãos, a vocação do Profeta, humanamente intransmissível. Nenhum dos dois carismas pode substituir o outro.”

* “E se Deus fala, será que existe algo de insignificante nessa Mensagem? Será que a Palavra de Deus é supérflua?”

* “Por que o cristão não pode aceitar o auxílio de luzes diferentes dos princípios expressos na Teologia?”

* “Muitas vezes nós chamamos a essas luzes, com um certo desdém, de `revelações privadas`. E as consideramos um luxo típico de certas almas piedosas.”

* “A Teologia tradicional ensina que a função da Igreja é apenas examinar se essas revelações são conciliáveis com o Depósito da fé revelada. Se existe concordância, a Igreja as entrega à liberdade dos fiéis, que podem aceitá-las com uma fé humana.”

* “Mas essa posição teológica é por demais negativa e incompleta. É preciso acrescentar: Se uma revelação privada tem fundamentos suficientes e razoáveis de autenticidade, implica necessariamente o direito e o dever de dar o seu assentimento com fé divina.”

* “Tanto o destinatário direto das Mensagens, como outros fiéis que tomam conhecimento delas, estão obrigados em consciência, com fé divina, a dar a sua adesão, se acharem que os fundamentos são suficientes.” (Karl Rahner, SJ, Insbruck – Tirol – em “Revue d´Ascetique et de Mystique” – no 98-100, Abril – Dezembro de 1949, pgs. 506-514).

Sr. Cardeal,são estas as reflexões de um dos maiores teólogos do século 20, e um dos mentores do Concílio Vaticano II. Neste final de século, as revelações particulares têm-se multiplicado em todos os recantos do mundo. Não podemos tratá-las com desprezo, na expressão de Rahner. Elas podem ter fundamento suficiente de autenticidade. Nesse caso, diz ele, é preciso dar o assentimento com fé divina. Ou, pelo menos, é necessário respeitar a posição daqueles cristãos que aderem às Mensagens, porque sua consciência o exige.

Existe um documento do Vaticano II sobre a “Liberdade de consciência”. Será que isso vale só para os de fora, e não para os cristãos e católicos?

É claro que precisamos ser prudentes: “Prudentes como serpentes” e não aceitar ingenuamente qualquer coisa. Analisar, desconfiando. Confiar, analisando. Mas acho também que precisamos desconfiar de nossa incapacidade de perceber a palavra de Deus na boca dos humildes. Na História da Igreja o profetismo e as mensagens quase nunca aparecem paradoutores e teólogos, mas para gente simples: As crianças de Fátima eram analfabetas, Bernadete de Lourdes era analfabeta, João Diego de Guadalupe era um índio analfabeto, Joana d´Arc era analfabeta.

Sr. Cardeal, não seria bom desconfiar um pouco de nossa ciência teológica? Não estamos repetindo a história dos fariseus, que rejeitaram e mataram os profetas?

Uma questão que proponho novamente, e parece esquecida pela Pastoral:

Existe Ecumenismo SÓ PARA OS DE FORA ? Não existe Ecumenismo PARA OS DE DENTRO. Por quê?

A mãe de santo que invoca os Orixás sobre a assembléia é aplaudida por 70 bispos. Um cristão que comunga de joelhos, na boca, é um “desorientador das pastorais,” “atrapalha a caminhada da Igreja” “impõe normas contrárias às existentes.”Porque a diferença? (Os documentos citados acima mostram que não é o Sr. Bento que está impondo essas normas. É o Papa, o Sínodo dos Bispos e documentos oficiais da Igreja, assinados e datados.)

***********************

Sr. Cardeal, peço que não me leve a mal ter feito essa considerações. Vivemos num tempo cheio de idéias novas e iniciativas corajosas. Admiro o seu zelo pastoral e a sua humildade. Por isso me atrevi a expor com sinceridade meu ponto de vista. O objetivo desta carta não é fazer contestação, mas ajudar a refletir sobre os rumos da Pastoral.

Em nome da liberdade de consciência, do ecumenismo e do pluralismo, acho que deve haver mais espaço para práticas e pontos de vista diferentes, ainda mais que foram tradicionais na Igreja durante 2000 anos.

Para sua tranqüilidade, eu digo: Apesar de ter idéias pastorais divergentes em alguns casos, eu NUNCA faço críticas em público, neminterfironos usos pastorais do Santuário e das Comunidades. Respeito e aceito a consciência dos outros, para ser coerente com meus próprios princípios de liberdade de consciência.

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Pe. Rômulo Cândido de Souza C.SS.R.

Aparecida, 23 de Julho de 2002

Observação:

Existe também uma outra resposta do Padre Rômulo referente a uma outra circular que também se posiciona contra as revelações particulares: clique aqui para ler

Publicamos, com a autorização do Srº. Cardeal de Aparecida, suas cartas circulares sobre os Videntes: uma Circular de 1998, e outra mais recente de 17 de Julho de 2002.

Publicamos também, com sua autorização as considerações enviadas e ele pelo Pe. Rômulo Cândido de Souza C.SS.R.

O Pe. Rômulo obteve licença, pessoalmente, do Srº. Cardeal para a publicação, no dia 08/08/2002.

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