“Para a Vida do mundo” (Jo 6,51)

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“PARA A VIDA
DO MUNDO…” (Jo 6,51)
A
Igreja na América Latina foi impressionada em julho pp, pelo Congresso
Missionário Internacional de Belo Horizonte. Lembrou, entre outras coisas, a
permanência do dever missionário que toca a todo fiel católico num mundo que
ainda desconhece Jesus Cristo em larga escala. Os debates suscitaram a questão:
como conceber a salvação daqueles que ignoram Jesus Cristo ou não Lhe aderem?
Em
1964 o Concílio do Vaticano II respondeu a tal quesito, explicitando o que já
estava na consciência da Igreja:
“O
Salvador quer que todos os homens se salvem (cf. 1Tm
2,4). Por conseguinte, aqueles que, sem culpa, ignoram o Evangelho de Jesus
Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o
influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame
da consciência, podem conseguir a salvação eterna. A Providência Divina não
nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, ainda não chegaram
ao conhecimento expresso de Deus, e se esforçam, não sem a divina graça, por
levar uma vida reta” (Const. Lumen Gentium n°16).

Este
belo texto começa lembrando que Deus quer a salvação de todos indistintamente.
Para tanto, dá a alguns o conhecimento do Evangelho e dos sacramentos, que
santificam – o que acarreta grande responsabilidade. A outros faz-se presente
de outros modos, ou seja, mediante a cosmovisão que cada um professa. Se os
não-católicos têm a consciência reta e cândida, professando sem hesitação o que
professam, como sendo a verdade, e se procuram viver de acordo, estão seguindo
a voz de Deus. Se o Senhor não lhes revela o Evangelho, não os julgará segundo
os critérios do Evangelho, mas, sim, conforme a fidelidade de cada qual aos
ditames da sua consciência sincera. Notemos que o texto conciliar insiste muito
sobre dois pontos: 1) “ignoram sem culpa
própria.,.”, o
que quer dizer: sem fugir à verdade, sem opor obstáculo ao Evangelho, e 2)
“levam uma vida reta, procurando
por em prática o Credo que julgam verídico”, ou seja, sacrificando-se por
ser fiéis à voz da consciência reta, que, em última análise, é a voz de Deus.
A
grande incógnita que fica é a existência de boa fé ou sinceridade no coração
humano. Só Deus pode sondar as consciências e saber até que ponto alguém
professa o erro sem culpa própria. O Senhor, porém, age em cada um, chamando-o
a ser salvo por Cristo e a Igreja, embora ignorem o Cristo e sua Igreja e a
Igreja os ignore. “O Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de se associarem
ao mistério de Páscoa, de modo conhecido por Deus só” (Const. Gaudium
et Spes n° 22).
Dom
Estêvão Bettencourt (OSB)

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