O DESÍGNIO DE DEUS É IMUTÁVEL

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O DESÍGNIO DE DEUS É IMUTÁVEL!

“Há um só senhor, uma só fé, um só batismo.”(Ef 4,5)

…Apesar dos homens (leigos e eclesiásticos) secularistas que sempre existiram em todas as gerações; principalmente nesta última. Mas todos foram, em qualquer época, muito bem avisados por seu Pai amoroso, misericordioso e justo que habita nos Céus, o DEUS Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Vejamos, pois, o que disse o Pai Criador ao profeta Isaías, 730 anos antes da encarnação do VERBO, a vinda do tão esperado MESSIAS:

“Faço repousar sobre Ele Meu Espírito, para que leve as nações a verdadeira religião… Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião… Não desanimará, nem desfalecerá até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra…” (Is, 42,1-3-4)

O Pai misericordioso antecipava ao profeta que N. Senhor JESUS CRISTO, o caminho, a verdade e a vida, viria até nós e nos mostraria a verdadeira religião. Ele veio, e cumprindo-se a profecia de Isaías deixou-nos muito claro no Evangelho:

“E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt, 16,18)

Constatamos então que mais nítido é impossível, pelo menos para quem não busca subterfúgios hipócritas para confundir a límpida palavra de DEUS, na velada intenção de defender seus próprios interesses; sejam eles de falsos teólogos, falsos pastores, falsos profetas, falsas igrejas e ate de falsas organizações dominantes…

“Respondeu-lhes JESUS: Cuidai que ninguém vos seduza. Muitos virão em Meu Nome dizendo: sou eu o CRISTO. E seduzirão a muitos.” (Mt.24,11)

“Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o CRISTO! Ou ei-lo acolá! Não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos.” (Mt. 24,23-25)

“Por isso, não desanimamos deste ministério que nos foi conferido por misericórdia. Afastamos de nós todo procedimento fingido e vergonhoso. Não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de DEUS. Pela manifestação da verdade nós nos recomendamos à consciência de todos os homens, diante de DEUS. Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de CRISTO, que é a Imagem de DEUS (2 Cor.4,1-4)

Reflitamos ainda sobre o que escreveu o Padre Júlio Maria em 1939, no seu livro sobre profecias:

“ – Esses anticristos, falsos profetas e falsos pastores, como indica São João (1 Jo.4,3), são os apóstatas, os renegados de todos os tempos.

Nascidos na religião católica, rejeitaram-na por vício, interesse e orgulho, fundando as numerosas seitas que hoje constituem o exército de satanás, pelo ódio, perseguição, calúnias e heresias que vão espalhado.

Os falsos profetas e falsos pastores, ou anticristos, são a continuação da raça de Judas, vendendo o CRISTO aos Judeus, as suas paixões, pelos 30 dinheiros que o demônio lhes apresenta sorrindo.

O beijo traidor começou no Getsêmani, prolongou-se através dos primeiros séculos, pela boca dos maniqueus, montanistas, novacianos, arianos, julianos, pelagianos, nestorianos, eutiquianos, focianos, e vem terminar triste e vergonhosamente no esgoto, que é a “reforma” protestante, por Lutero, Calvino, Henrique VIII, Zwinglio, Knox, João Leyde, Allan Kardec e etc… É o beijo deicida, é a apostasia desses católicos, entre os quais diversos sacerdotes indignos, que continua a linha, nunca interrompida dos anticristos, através dos séculos. (imaginem se o Pe. Júlio Maria soubesse que ainda viria o pior de todos… a falsidade do ecumenismo maçônico?)

“Eles saíram dentre nós, diz São João, mas não eram dos nossos!”

Os primeiros fundadores das seitas saíram todos dentre nós, e depois de terem formado o núcleo da revolta contra Roma, esse mesmo núcleo obedecendo ao mesmo princípio de livre interpretação da Bíblia, de que eles se serviram para revoltar-se contra a Igreja Católica, revoltou-se contra os seus próprios irmãos, fundando novos núcleos, novas seitas…

Todas essas seitas têm apenas um único laço que as une: o ódio á Igreja de CRISTO; afora esse laço, elas se odeiam, se combatem, se refutam, pretendendo cada qual possuir a verdade inteira contra todos os outros. (esse ódio de que fala o Pe. Júlio Maria não seria o mesmo que norteia a maçonaria eclesiástica, que atenta contra a Igreja de CRISTO aproveitando-se covardemente de suas privilegiadas posições hierárquicas, visando seus escusos interesses pessoais?)

É a raça dos apóstatas, dos renegados, dos falsos profetas, dos falsos pastores, dos anticristos, preditos por nosso Salvador.

Seduzidos pelo seu orgulho ou arrastados pelas paixões falsificaram a sua própria consciência, para poderem falsificar a doutrina, e depois a pessoa de JESUS CRISTO e sua Igreja; e esses pobres infelizes julgaram ou fingiram julgar-se capazes de enfrentar o CRISTO Salvador.

Tiveram a sua hora de triunfo… hora curta e cheia de amarguras… e após uma vida de desonra, não lhes fica mais senão um nome desonrado e uma sepultura amaldiçoada.

Os Luteros, os Calvinos, os Knoxs, os Leydes passaram… como hoje (1939) estão passando os Calles, os Trotzkys, os Lenines, os Hittlers, os Stalins, e outros perseguidores da religião. E sobre o túmulo deles a Igreja de JESUS CRISTO continua, triste, sem dúvida, pela perda de seus filhos, mas triunfante e gloriosa, como tudo o que se apoio sobre DEUS, e é sustentado por DEUS.”

Esta introdução foi feita para alertar (mais uma vez…) sobre esse câncer (dos mais perigosos) chamado ecumenismo que continua silenciosa e disfarçadamente a alastrar-se e enraizar-se em todo o corpo da nossa Igreja, preparando o sepultamento definitivo do que ainda resta (e já é muito pouco…) da autêntica fé católica; esse trágico desfecho dar-se-á após a saída do Papa João Paulo II do trono de São Pedro, pois tudo já está sendo preparado nos gabinetes e principalmente nos corações, para avançar nesse sentido. Inclusive já existem, há bastante tempo, muitas dioceses e paróquias tão contaminadas por essa falsa e distorcida pregação que não pode-se mais dizer que estão professando a verdadeira fé católica.

Portanto temos o dever de ficarmos sempre alertas para essa apóstata e herética filosofia mundana, falsamente chamada de ação religiosa, pois no fundo, no subterrâneo das consciências de seus mentores, o verdadeiro objetivo é descaracterizar, enfraquecer e sepultar a Igreja Católica Apostólica Romana, tornando-a apenas mais uma, num universo de falsas crenças. O que precisamos mais buscar para vivermos em paz e salvarmos nossas almas, se estamos professando nossa fé na Igreja que o próprio DEUS anunciou e instituiu?

Contudo, como exorta a profecia para estes tempos, mesmo que o Vaticano e a maior parte da hierarquia da nossa Igreja Católica sucumba, num primeiro momento, ao dragão travestido de sereia, e encante-se com o espírito do mundo, espírito de satanás, dobrando-se ao respeito humano e a sua auto-estima, ainda assim nós que recebemos a graça de DEUS de ver e entender a diferença entre a verdade (vontade de DEUS) e a farsa não poderemos jamais nos afastarmos de professar e defender a única fé católica que sempre existiu, e que herdamos dos Apóstolos, dos santos doutores, santos papas e de nossos avós e pais.

Também é muito importante que tenhamos plena consciência de que nos primeiros momentos em que os fatos se desdobrarem, o nosso testemunho incomodará e irritará muita gente, pois seremos perseguidos, injuriados, caluniados e difamados por aqueles que se acovardaram perante satanás, a mídia e o mundo apóstata e pagão.

Esse então será o momento, profeticamente anunciado, em que a nova ordem mundial, o novo governo do mundo globalizado, colocará o falso profeta na Cátedra de S. Pedro (Ap.13,11), e instituirá para o mundo uma nova e única religião, ou seja, o falso ecumenismo dará lugar a uma única e falsa crença; dirão: “Todas as religiões são boas… são iguais… tudo leva a DEUS… portanto, teremos oficialmente, a partir de agora, uma só…” Quem viver, e não precisará ser muito, verá!

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A seguir, transcrevemos o sermão do Cardeal Pio, proferido em 1841, na Catedral de Chartres; uma grande catequese para refletirmos e adotarmos como testemunho:

A INTOLERÂNCIA CATÓLICA

Meus irmãos (…)

Nosso século clama: “Tolerância, tolerância”. Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais que a franqueza e eu aqui estou para vos dizer sem disfarce, que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a verdade e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas antes de entrar no mérito, distinguimos as coisas, convenhamos sobre o sentido das palavras para bem nos entendermos e assim não nos confundiremos.

A tolerância pode ser civil ou teológica! A primeira não nos diz respeito e não falarei senão uma pequena palavra sobre ela. Se a lei tolerante quer dizer que a sociedade permite todas as religiões porque, a seus olhos, elas são todas igualmente boas ou porque as autoridades se consideram incompetentes para tomar partido neste assunto, tal lei é ímpia e atéia. Ela exprime não a tolerância civil como a seguir indicaremos mas uma tolerância dogmática que, por uma neutralidade criminosa, justifica nos indivíduos a mais absoluta indiferença religiosa. Ao contrário, se, reconhecendo que uma só religião é boa, a lei suporta e permite que as demais possam se exercer por amor à tranqüilidade pública, esta lei poderá ser sábia e necessária se assim o pedirem as circunstâncias como outros observaram antes de mim (…)

Deixo porém este campo cheio de dificuldades e volto-me para a questão propriamente religiosa e teológica em que exponho estes dois princípios:

1º) – A religião que vem do Céu é verdade e ela é intolerante com relação às doutrinas errôneas.

2º) – A religião que vem do Céu é caridade e ela é cheia de tolerância quanto às pessoas.

Roguemos à Nossa Senhora vir em nossa ajuda e invocar para nós o Espírito de verdade e de caridade: “Spiritumveritatis et pacis”. Ave MARIA.

Faz parte da essência de toda verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, pode-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Compreendo e peço a liberdade de opinião nas coisas duvidosas: “in dubiis, libertas”. Mas logo que a verdade se apresenta com as características certas que a distinguem, por isso mesmo que é verdade, ela é positiva, ela é necessária e por conseqüência ela é una e intolerante: “in necessariis, unitas”. Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se ela duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se ela admite com indiferença que se ponha a seu lado sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa é preciso defendê-la sob pena de ser despojado dela bem cedo.

Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas, a intolerância está em toda parte porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. Que há de mais intolerante do que esta proposição: “2 e 2 fazem 4”? se vierdes me dizer que 2 e 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 e 2 fazem 4…

Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: “Unus Dominus, una fides, unumbaptisma”. Há, no Céu, um só Senhor: “UnusDominus”. Esse DEUS cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: “una fides”. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: “Unumbaptisma”. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de DEUS, produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor JESUS CRISTO à unidade hierárquica do sacerdócio: Um DEUS, uma fé, uma Igreja: “Unusdominus, una fides, unumbaptisma”.

Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de JESUS CRISTO e o filósofo de Genebra disse, falando do Salvador dos homens: “Não vejo que meu divino Mestre tenha formulado sutilezas sobre o dogma”. Bem verdadeiro, meus irmãos. JESUS CRISTO não formulou sutilezas sobre o dogma mas trouxe aos homens a verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo, se alguém recusa-se a comer a minha carne e a beber o meu sangue, não terá parte em meu reino. Confesso que nisso não há sutilezas, há intolerância, há exclusão, a mais positiva, a mais franca. E mais, JESUS CRISTO enviou seus Apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes para estabelecer em toda a terra a única religião cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico. E prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina vai incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz, mas a espada e acender a guerra, não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família, e separar pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão. JESUS CRISTO não formulou sutilezas sobre o dogma.(…)

Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos Apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros, eram todas demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses o estudo de sua mitologia se complica na mesma proporção que o da sua geografia. O triunfador que subia ao Capitólio, fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. A mais das vezes, em virtude de um Senatus-Consulto, os ídolos dos Bárbaros se confundiam desde então com o domínio da pátria e o Olimpo nacional crescia com o Império.

Quando aparece o cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de algum valor com relação ao assunto presente), o cristianismo quando apareceu pela primeira vez, não foi logo repelido subitamente. O paganismo perguntou-se se, ao invés de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu seio. A Judéia tinha se tornado uma província romana. Roma, acostumada a receber e conciliar todas as religiões, recebeu a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judéia. Um imperador colocou JESUS CRISTO, assim como Abraão, entre as divindades de seu oratório, como viu-se mais tarde um outro César propor prestar-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, de ordinário sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros serem colocados ao lado deles, com a chegada do DEUS dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranqüila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados: EcceDominusascendit, et commovebuntursimulacra a facieejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo, quando se percebeu que esse DEUS novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses, quando viu-se que os cristãos, dos quais se havia admitido o culto, não queriam admitir o culto da nação; em uma palavra, quando constatou-se o espírito intolerante da fé cristã, é aí então que começou a perseguição.

Ouvi como os historiadores do tempo justificam as torturas dos cristãos: eles não falam mal de sua religião, de seu DEUS, de seu Cristo, de suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles os censuram somente por não poderem suportar outra religião que não seja a deles. “Eu não tinha dúvidas, diz Plínio, o jovem, apesar de seu dogma, não era preciso punir sua teimosia e sua obstinação inflexível”: Pervicaciam et inflexibilemobstinationem. “Não são criminosos, diz Tácito, mas são intolerantes, misantropos, inimigos do gênero humano. Há neles uma fé teimosa em seus princípios, e uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos: Apud ipsosfidesobstinata, sedadversusomnesalioshostileodium”. Os pagãos diziam geralmente dos cristãos o que Celso disse dos judeus, com os quais foram muito tempo confundidos, porque a doutrina cristã tinha nascido na Judéia. “Que esses homens adiram inviolavelmente às suas leis, dizia este sofista, nisto não os censuro; eu só censuro aqueles que abandonam a religião de seus pais para abraçar uma diferente! Mas se os judeus ou os cristãos querem se dar ares de uma sabedoria mais sublime que aquela do resto do mundo, eu diria que não se deve crer que eles sejam mais agradáveis a DEUS que os outros”.

Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo (fé ), e, como dizia, o humor insociável de sua teologia. Se só se tratasse de um DEUS a mais, não teria havido reclamações; mas era um DEUS incompatível, que expulsava todos os outros: eis porque a perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi uma obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é outra que a história dessa intolerância. O que são os mártires? Intolerantes em matéria de fé, que preferem os suplícios a professarem o erro. O que são os símbolos? São fórmulas de intolerância, que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. O que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade da fé. Porque os Concílios? Para frear os desvios de pensamentos, condenar as falsas interpretações do dogma; anatematizar as proposições contrárias à fé.

Nós somos então intolerantes, exclusivos em matéria de doutrina: nós disto fazemos profissão; nós nos orgulhamos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a verdade, pois que a verdade é uma, e consequentemente intolerante. Filha do Céu, a religião cristã descendo sobre a terra, apresentou os títulos de sua origem; ela ofereceu ao exame da razão fatos incontestáveis , e que provam irrefutavelmente sua divindade. Ora, se ela vem de DEUS, se JESUS CRISTO, seu autor, pode dizer: Eu sou a verdade: Ego sum veritas, é necessário por uma conseqüência inevitável, que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta verdade tal qual a recebeu do céu; é necessário que ela repila, que ela exclua tudo o que é contrário a esta verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar à Igreja Católica, sua intolerância dogmática, sua afirmação absoluta em matéria de doutrina, é dirigir-lhe uma recriminação muito honrável. É recriminar à sentinela por ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar à esposa por ser muito dedicada e exclusiva.

Nós ficamos muitas vezes confusos do que ouvimos dizer sobre todas essas questões, até por pessoas de senso. A lógica lhes falta desde que se trate de religião. É a paixão, é o preconceito que os cega? É um e outro. No fundo, as paixões sabem bem o que elas querem quando procuram abalar os fundamentos da fé, pondo a religião entre as coisas sem consistência. Elas não ignoram que, demolindo o dogma, elas preparam para si uma moral fácil. Diz-se com uma justeza perfeita: é antes o decálogo que o símbolo que as faz incrédulas. Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que elas se equivalem todas; se todas são verdadeiras é porque todas são falsas; se todos os deuses se toleram, é porque não há DEUS. E se pode aí chegar, não sobra mais nenhuma moral incômoda. Quantas consciências estariam tranqüilas, no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas, suas rivais!

Jean Jacques foi entre nós o apologista e o propagador desse sistema de tolerância religiosa. A invenção não lhe pertence, se bem que ele tenha ido mais longe que o paganismo, que nunca chegou a levar a indiferença a tal ponto. Eis, com um curto comentário, o ponto principal do catecismo genovês, tornado infelizmente popular: “ Todas as religiões são boas; isto é, de outra forma, todas as religiões são ruins (…)”.

A filosofia do séc. XIX se espalha por mil canais sobre toda a superfície da França (origemda franco-maçonaria) . Esta filosofia é chamada eclética, sincrética e, com uma pequena modificação, é também chamada progressiva. Esse “ belo sistema” consiste em dizer que não existe nada falso; que todas as opiniões e todas as religiões podem ser conciliadas; que o erro não é possível ao homem, a menos que ele se despoje da humanidade; que todo o erro dos homens consiste em crer possuírem exclusivamente toda a verdade, quando cada um deles só tem um elo, e que da reunião de todos esses elos, deve-se formar a corrente inteira da verdade. Assim, segundo essa inacreditável teoria, não há religiões falsas, mas elas são todas incompletas, umas sem as outras. A verdadeira seria a religião do ecletismo sincrético e progressivo(vejam já aparecendo o falso ecumenismo) a qual ajuntaria todas as outras, passadas, presentes e futuras: todas as outras, isto é, a religião natural que reconhece um DEUS; o ateísmo que não conhece nenhum; o panteísmo que o reconhece em tudo e por tudo(filosofia nova era) o espiritualismo que crê na alma, e o materialismo que só crê na carne, no sangue e nos humores; as sociedades evangélicas que admitem uma revelação e o deísmo racionalista que a rejeita; o cristianismo que crê no Messias que veio e o judaísmo que o espera ainda; o catolicismo que obedece ao Papa e o protestantismo que olha o Papa como o anticristo. Tudo isto é conciliável. São diferentes aspectos da verdade. Da união desses cultos resultará um culto mais largo, mais vasto, o grande culto “ verdadeiramente católico”, isto é, universal, pois que abrigará todas as outra no seu seio.(Após 160 anos estão infelizmente conseguindo…)

Esta doutrina que qualificais de absurda, não é de minha invenção; ela enche milhares de volumes e de publicações recentes; e, sem que seu fundo jamais varie, ela toma todos os dias novas formas sob a caneta e sobre os lábios dos homens, entre as mãos dos quais repousam os destino da França. – A que ponto de loucura nós então chegamos? – Nós chegamos ao ponto onde deve logicamente chegar todo aquele que não admite o princípio incontestável que estabelecemos, a saber: que a verdade é uma, e por conseqüência, intolerante, excludente de toda doutrina que não é a sua. E, para juntar em poucas palavras toda substância deste meu discurso, eu lhes direi: Procurais a verdade sobre a terra? Procurai a Igreja intolerante. Todos os erros podem se fazer concessões mútuas, eles são parentes próximos, pois que têm um pai comum: Vos ex patrediaboloestis. A verdade, filha do Céu, é a única que não capitula.

Vós, pois, que quereis julgar esta grande causa, tomai para isto a sabedoria de Salomão. Entre essas diferentes sociedades, para as quais a verdade é um objeto de litígio, como era aquela criança entre as duas mães, quereis saber a quem adjudicá-la? Pedi que vos dêem uma espada, fingi cortar, e examinai as caras que farão os pretendentes. Haverá vários que se resignarão, se contentarão da parte que vão ter. Dizei logo: essas não são as mães. Há uma cara, ao contrário, que se recusará a toda composição, que dirá: a verdade me pertence e eu devo conservá-la inteira, eu jamais tolerarei que ela seja diminuída, partida. Dizei: esta aqui é a verdadeira mãe.

Sim, Santa Igreja Católica, vós tendes a verdade, porque vós tendes a unidade, e porque vós sois intolerante, não deixais de compor esta unidade. É este, meus irmãos, nosso primeiro princípio: a religião que desce do Céu é a verdade, e por conseqüência ela é intolerante quanto às demais doutrinas.

Não nos pedi pois a tolerância em relação às doutrinas. Encorajai ao contrário nossa solicitude em manter a unidade do dogma, que é único laço da paz sobre a terra. O orador romano disse: “ a união dos espíritos é a primeira condição da união dos corações”. E este grande homem faz entrar na definição, mesmo da amizade, a unanimidade de pensamento em relação às coisas divinas e humanas: Eadem de rebusdivinis et humaniscumsummacharitatejunctaconcordia.

Nossa sociedade é sujeita a mil divisões; nós nos lastimamos disso todos os dias. De onde vem este enfraquecimento das afeições, este resfriamento dos corações? Ah! Meus irmãos, como seriam os corações aproximados, onde os espíritos estão tão distantes? É porque cada um de nós se fecha no amor de si mesmo. Queremos pôr fim a essas dissidências, sem número, que ameaçam todo o espírito de família, de cidade e de pátria? Queremos não ser mais estrangeiros, adversários e quase inimigos uns dos outros? Voltemos a um símbolo (uma única fé) e nós reencontraremos logo a concórdia e o amor. (fim)

O QUE É ECUMENISMO?

“Há dois mil anos atrás já se havia empreendido às margens do Mediterrâneo a edificação de uma espécie de panteon. Os cristãos foram cordialmente convidados a colocar ali uma estátua de JESUS que se acotovelaria com as de Jupiter, Mitra, Osiris, Atis ou Ammon. A recusa dos cristãos é a chave mestra da história… Ninguém pode compreender o mistério da Igreja, ninguém está em sintonia com a fé dos primeiros tempos, se não avaliar que o mundo esteve então muito perto de perecer na confraternização e na compreensão mútua de todas as religiões…”

Chesterton

Obs. final: Ignorância de uns e má fé de outros…

Muitos afirmam levianamente, criando uma grande confusão entre os fiéis da nossa Igreja, que o Papa João Paulo II é defensor do ecumenismo. Essa é mais uma grave injustiça que se pratica contra o Santo Padre, induzida de maneira sorrateira e hipócrita pelos infiéis eclesiásticos que capitularam a maçonaria eclesiástica e a teologia da libertação. Essa falsa informação na maioria das vezes é divulgada pela mídia pagã e maçônica. Na verdade o que o Papa algumas vezes exortou e praticou foi o diálogo inter-religioso, na esperança de que muitos irmãos nossos separados, retornassem a nossa Igreja Católica. Para deixar isso bem claro, o Sucessor de São Pedro afirmou o seguinte, no documento (declaração) “Dominus Iesus”, de 05/09/2000: “A plenitude da Graça e da Revelação encontra-se na Igreja Católica Apostólica Romana”.

Disse o Papa Paulo VI (que profecia!!!) ao seu amigo Jean Guitton, em 08/09/77: “Neste momento há na Igreja uma grande inquietação; e o que está em questão é a fé! O que me perturba, quando considero o mundo Católico, é que dentro do Catolicismo, algumas vezes, parece predominar um pensamento não Católico. E pode acontecer que esse pensamento não Católico, dentro do Catolicismo, amanhã seja uma força maior na Igreja. É preciso que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja!”

“ Virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Desejosos de ouvir novidades escolherão para si uma multidão de mestres, ao sabor das paixões, e hão de afastar os ouvidos da verdade, aplicando-as as fábulas.” ( 2Tm.4,14 )

Enviado por: João Batista Klein, Porto Alegre RS, em 13/10/2003
E-mail: [email protected]

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