O católico raivoso

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Frederico de Castro
Beati mites, quoniam ipsi possidebunt terram.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
 Há certa tendência nas pessoas que se descobrem no erro: após viverem tanto tempo em determinado erro, conscientizam-se dele, e não obstante tendem a incorrer em um erro oposto ao primeiro.
Exemplificamos: uma pessoa que tenha vivido anos de romântico carismatismo “católico”, meloso, pacifista, melindrado, “politicamente correto”, pode cair no erro oposto e passar a ignorar não raras vezes a caridade, tornando-se um justiceiro; um explosivo guerreador por tudo pode por vezes incorrer no pecado mortal de ira, conforme a situação particular que se viva.
Pois bem, é preciso entender que a tradição do catolicismo não pode servir de abrigo para um comportamento que poderíamos denominar “catolicismo raivoso”. Sim: infelizmente, a pretexto de seguirem a tradição do catolicismo, muitas pessoas estão na verdade dando vazão a paixões muito inferiores. Com isso denigrem o próprio ser católico, que deve ser manso: 
“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.”
É bem certo que muito disso deriva do temperamento próprio da juventude. Não se trata de regra, mas não se pode negar que seja um fato mais comum que o jovem, sobretudo o jovem rapaz, tenha um comportamento mais explosivo e contundente, como que necessitado de afirmar a própria virilidade; isso se dá especialmente no período que vai dos 16 anos até cerca de 25 anos. Há moças que, por uma razão ou por outra, também apresentam esse tipo de comportamento mais sanguíneo; mas o comum é observar-se nos rapazes.
O fato é que sobretudo nessa idade não é raro confundir tal necessidade com o zelo pela verdade, a defesa da fé e a não adesão a humanos respeitos, deixando-se de lado, assim, as virtudes da tolerância e da paciência.
Ora, tal comportamento nefasto se tem difundido, e com isso, como se não bastasse a presença do católico liberaloide – uma espécie de bobo alegre pacifista e melindrado –, surge seu oposto: o católico raivoso, que por seu lado é irritadiço, “machão” e por vezes “nazistoide”.
Se somos pobres pecadores, cuidemos também de nosso comportamento, para não sermos motivo de escândalo que afaste outras pessoas do caminho da conversão.

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