Música Litúrgica na Missa Com deve ser?

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Coral de Canto GregorianoOlá caro leitor. Salve Maria!

A arte da música sem dúvida é uma das características mais marcantes e próprias da civilização humana. Esta característica se torna ainda mais evidente quando falamos da civilização ocidental, onde a humanidade experimentou novas e grandiosas formas de musica, com peças, instrumentos, operas e toda sorte de combinações complexas e de rara beleza.

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Sem dúvida alguma a Santa Igreja Católica deu uma contribuição extraordinária quando introduziu a música dentro do rito da Missa. Essa prática possibilitou uma evolução extraordinária em termos harmônicos e melódicos, em especial com o Canto Gregoriano, possibilitando uma nova forma de adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo mediante a música.

Todavia a experiência musical após o Concílio Vaticano II tende a introduzir músicas mais secularizadas, apelativas ao sentimento e a desordem interior, impossibilitando uma oração mais profunda e íntimas durante a celebração.

O mais problemático disso é o fato desta prática transformar o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo em uma festa, transferindo o real sentido de profunda adoração, contrição, penitência e contemplação da Glória Divina para sentimentos menos nobres, semelhantes aos que você teria num simples show de música popular.

De fato este não é e nunca deve ser o objetivo da santa Missa. Ela nos foi dada pela Igreja para permitir que possamos participar do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo com São João e Nossa Senhora, aos pés da cruz e não como os homens e mulheres que faziam festa ao ver Nosso Senhor Crucificado. É simplesmente descabido estar participando de algo tão sublime e tão importante para a história da humanidade pulando, dançando, fazendo gestos e confraternizando-se com os amigos.

Abaixo, segue o decreto de São Pio X, ainda válido nos dias atuais, que fala exatamente sobre a música litúrgica (música durante a Missa) e como bons filhos da Santa Igreja, que possamos repetir em Nossos Corações as mesmas palavras de Santo Irineu de Lion: “Roma falou, a questão se encerrou.”

MOTU PROPRIO

TRA LE SOLLECITUDINI

DO SUMO PONTÍFICE

PIO X

SOBRE LA MÚSICA SAGRADA (SOBRE A MÚSICA SAGRADA)

Entre os cuidados próprios do ofício pastoral, não somente desta Cátedra, que por inescrutável disposição da Providência, ainda que indigno, ocupamos, como também de toda Igreja particular, sem dúvida um dos principais é o de manter e procurar o decoro na casa do Senhor, onde se celebram os augustos mistérios da religião e se junta o povo cristão a receber a graça dos sacramentos, assistir ao santo sacrifício do altar, adorar ao augustíssimo Sacramento do Corpo do Senhor e unir-se à comum oração da Igreja nos públicos e solenes ofícios da liturgia.

Nada, por conseguinte, deve ocorrer no templo que turbe, nem sequer diminua, a piedade e a devoção dos fiéis; nada que dê fundado motivo de desgosto ou escândalo; nada, sobretudo, que diretamente ofenda o decoro e a santidade dos sagrados ritos e, por este motivo, seja indigno da casa de oração e a majestade divina.

Agora não vamos falar um por um dos abusos que podem ocorrer nesta matéria; nossa atenção se fixa hoje somente em um dos mais gerais, dos mais difíceis de erradicar, em um que talvez deva deplorar-se ainda ali de todas as demais coisas são dignas de maior louvor pela beleza e suntuosidade do templo, pela assistência de grande número de eclesiásticos, pela piedade e gravidade dos ministros celebrantes: tão grande é o abuso em todo o concernente ao canto e à musica sagrada.

E em verdade, seja pela natureza desta arte, flutuante e variável, ou pela sucessiva alteração do gosto e dos costumes no transcurso do tempo, ou pela influência que exerce a arte profana e teatral no sagrado, ou pelo prazer que diretamente produz a música e que nem sempre pode-se conter facilmente dentro dos justos limites, ou, em última análise, pelos muitos prejuízos que nesta matéria insensivelmente penetram e logo tenazmente se arraigam até no ânimo de pessoas autorizadas e piedosas. O feito é que se observa uma tendência pertinaz a apartá-la da reta norma, assinalado pelo fim com que a arte foi admitida ao serviço do culto e expressada com bastante clareza nos cânones eclesiásticos, nos decretos dos concílios gerais e providenciais e as repetidas resoluções das Sagradas Congregações romanas e dos Sumos Pontífices, nossos predecessores.

Com verdadeira satisfação da alma nos é grato reconhecer o muito bem que nesta matéria se há conseguido durante os últimos decênios em nossa ilustre cidade de Roma e em diversas igrejas de nossa pátria; porque de modo particular em algumas nações, onde homens ilustres, cheios de zelo pelo culto divino, com a aprovação da Santa Sé e a direção dos bispos, se uniram em florescentes sociedades e restabeleceram plenamente a honra da arte sagrada em quase todas as suas igrejas e capelas. Porém, ainda dista muito este bem de ser geral, e se consultarmos nossa experiência pessoal e ouvirmos as muitíssimas queixas de que todas as partes nos foram dirigidas pelo pouco tempo passado desde que servimos ao Senhor, elevo a nossa humilde pessoa à suma dignidade do apostolado romano, cremos que nosso primeiro dever é levantar a voz sem mais adiamentos na reprovação e condenação de quanto as solenidades do culto e dos ofícios sagrados resulte desacordo com a reta norma indicada. Notas Musicais. Criação da Santa Igreja.

Sendo, em verdade, nosso vivíssimo desejo que o verdadeiro espírito cristão volte a florescer num todo e que em todos os fiéis se mantenha, o primeiro é promover a santidade e dignidade do templo, de onde os fiéis se juntam precisamente para adquirir esse espírito em seu primeiro e insubstituível manancial, que é a participação ativa nos sacrossantos mistérios e na pública e solene oração da Igreja.

E em vão será esperar que para tal fim desça copiosa sobre nós as bênção do céu, se nosso obséquio ao Altíssimo não sobe com odor de suavidade; antes bem, põe-se na mão do Senhor o chicote com que o Salvador do mundo mandou embora do templo a seus indignos profanadores.

Por este motivo, e para que de hoje em diante ninguém alegue a desculpa de não conhecer claramente sua obrigação e tirar toda dúvida na interpretação de algumas coisas que estão mandadas, estimamos convenientemente assinalar com brevidade os princípios que regulamentam a música sacra nas solenidades do culto e sintetizar ao mesmo tempo, como em um quadro, as principais prescrições da Igreja contra os abusos mais comuns que se cometem nesta matéria. Por seu o motu proprio ciência certa publicamos nossa Instrução, a qual, como se fosse Código jurídico da música sagrada, queremos com toda a plenitude de nossa Autoridade Apostólica se reconheça força de lei, impondo a todos por estas letras de nossa mão a mais escrupulosa obediência.

INSTRUÇÃO ACERCA DA MÚSICA SAGRADA

I. PRINCÍPIOS GERAIS

1. Como parte integrante da liturgia solene, a música sacra tende a seu mesmo fim, na qual consiste a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis. A música contribui a aumentar o decoro e esplendor das solenidades religiosas, e assim como seu ofício principal consiste em revestir-se de adequadas melodias ao texto litúrgico que se propõe à consideração dos fiéis, de igual maneira seu próprio fim consiste em dar maior eficácia ao mesmo texto, para que por tal meio se excite mais a devoção dos fiéis e se preparem melhor para receber os frutos da graça, próprios da celebração dos sagrados mistérios.

2. Por conseguinte, a música sacra deve ter em grau eminente as qualidades próprias da liturgia, convém saber: a santidade e bondade das formas, de onde nasce espontâneo outro caráter seu: a universalidade.

Deve ser santa e, para tanto excluir todo o profano, e não só em si mesma, senão da maneira com que a interpretem os mesmos cantores.

Deve ter arte verdadeira, porque não é possível de outro modo que tenha sobre o ânimo de quem a ouve aquela virtude que se propõe a Igreja a admitir em sua liturgia a arte dos sons.

Porém também, deve ser universal, no sentido de que, ainda que concedendo-se a toda nação que admita em suas composições religiosas aquelas formas particulares que constituem o caráter específico de sua própria música, esta deve estar de tal modo subordinada aos caracteres gerais da música sagrada, que nenhum fiel procedente de outra nação, experimente a ouví-la numa impressão que não seja boa.

II. GÊNEROS DA MÚSICA SAGRADA

3. Achando-se em grau importante estas qualidades no canto gregoriano, que é, por conseguinte, o canto próprio da Igreja romana, o único que a Igreja herdou dos antigos Padres, e que há custodiado zelosamente durante o curso dos séculos em seus códigos litúrgicos, e que em algumas partes da liturgia prescreve exclusivamente, e que estudos recentíssimos tem restabelecido, felizmente em sua pureza e integridade.

Por estes motivos, o canto gregoriano foi tido sempre como acabado modelo de música religiosa, podendo formular-se com toda razão esta lei geral: Uma composição religiosa será mais sagrada e litúrgica quanto mais se aproxima do ar, inspiração e sabor da melodia gregoriana e será tanto menos digna do templo quanto mais se distanciar deste modelo soberano.

Por este motivo, o antigo canto gregoriano tradicional deverá restabelecer-se amplamente nas solenidades do culto; tendo-se por bem sabido que nenhuma função religiosa perderá nada de sua solenidade ainda que não se cante nela outra música que a gregoriana.

Procure-se, especialmente, que o povo volte a adquirir o costume de usar do canto gregoriano, para que os fiéis tomem de novo parte mais ativa no ofício litúrgico, como o faziam antigamente.

4. As supracitadas qualidades encontram-se também em grau elevado na polifonia clássica, especialmente no da escola romana, que o século XVI legou a meta da perfeição com as obras de Pedro Luiz da Palestrina e que logo continuou produzindo composições de excelente bondade musical e litúrgica.

A polifonia clássica se aproxima bastante do canto gregoriano, supremo modelo de toda a música sagrada, e por esta razão mereceu ser admitida, junto com aquele canto, nas funções mais solenes da Igreja, como são as que se celebram na capela pontifícia.

Por conseguinte, também esta música deverá restabelecer-se copiosamente nas solenidades religiosas, especialmente nas basílicas mais insignes, nas igrejas, catedrais e nas dos seminários e institutos eclesiásticos, onde não costumam faltar os meios necessários.

5. A Igreja tem reconhecido e fomentado em todo o tempo os progressos das artes, admitindo no serviço do culto, quanto no curso dos séculos, a inteligência tem sabido encontrar o gênero bom e belo, salvando sempre a lei litúrgica; por conseguinte, a música mais moderna se admite na Igreja, posto que conta com composições de tal bondade, seriedade e gravidade, que de nenhum modo são indignas das solenidades religiosas.

Porém, como a música moderna é principalmente profana, deverá cuidar-se com maior esmero que as composições musicais de estilo moderno que se admitam nas igrejas não contenham nenhuma coisa profana nem ofereçam reminiscências de motivos teatrais, e não estejam compostas tampouco em sua forma externa imitando a feitura das composições profanas.

6. Entre os vários gêneros da música moderna, o que menos parece adequado às funções do culto é o teatral, que durante o século passado esteve muito em voga, singularmente na Itália.

Por sua mesma natureza, este gênero oferece a máxima oposição ao canto gregoriano e a polifonia clássica, e por fim, às condições mais importantes de toda boa música sagrada, além do que a estrutura, o ritmo e o chamado convencionalismo deste gênero se acomodam muito fracamente às exigências da verdadeira música sagrada.

Coral de Canto Gregoriano em Ensaio para a Santa MissaIII. TEXTO LITÚRGICO

7. A língua própria da Igreja romana é a latina, pelo qual está proibido nas solenidades litúrgicas se cante coisa alguma em língua vulgar, e muito mais que se cantem em língua vulgar as partes variáveis ou comuns da missa e do ofício. (Este trecho foi alterado por Paulo VI, colocando o latim como língua preferencial. Não façamos da exceção uma regra.)

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