Igreja Caridosa ou Igreja Salvífica? Eis a questão

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reidosreisOlá caro leitor. Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre convosco.

Uma das grandes questões que é colocada constantemente em xeque por muitos inimigos da Igreja, sejam eles internos ou externos, é o caráter caridoso da Santa Igreja. Isto constantemente gera escândalos e incontáveis dúvidas entre os fiéis, desvirtuando o verdadeiro sentido fim para o qual a Igreja foi criada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Muitos bispos, padres, diáconos, representantes de pastoral, em sua maioria adeptos ou simpáticos a Teologia da Libertação (melhor definida como Heresia da Libertação), incutem no pensamento dos fiéis que o verdadeiro sentido do cristianismo é a caridade. Nada é mais importante do que fazer bem ao próximo, praticar o amor com os pobres e excluídos, lutar pela causa dos mais necessitados para assim transformar o mundo em um lugar melhor. Com toda a certeza você já ouviu este doce veneno em algum lugar e da boca de alguém da sua comunidade. Até mesmo muitos acusadores da Igreja usam esta pseudo-verdade para acusar a igreja de latifundiária e simpatizante do livre comércio e do capitalismo.

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O que esses “sábios” teólogos e filósofos esquecem ou fazem questão de esquecer é justamente o motivo maior pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fundou a Igreja Católica. Se você perguntar para um desses “iluminados”, provavelmente a resposta seria unânime. Cristo fundou a Igreja para promover o amor entre os homens e levar a paz e esperança a todos os povos. Bem, esta seria uma linda resposta mentirosa. Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre a caridade e sua prática:

  • §1822 A caridade é a virtude teologalpela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
  • §1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).
  • §1824Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: “Permanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (Jo 15,9-10).
  • §1841 Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. Estas informam e vivificam todas as virtudes morais.

Nos parágrafos acima, podemos ver claramente que a caridade é uma virtude teologal, um novo mandamento, fruto do Espírito Santo e da plenitude da lei. Cabe aqui uma pergunta. O que essas coisas tem em comum entre si? A resposta a esta pergunta coloca em xeque toda a falsa doutrina da Heresia da Libertação, que afirma ser a caridade o inicio, meio e fim do cristianismo. Vejamos como o Catecismo da Igreja Católica responde esta questão:

  • §776 Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. “Nas mãos dele, ela é o instrumento da Redenção de todos os homens” o sacramento universal da salvação” pelo qual Cristo “manifesta e atualiza o amor de Deus pelos homens”. Ela “é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade” que quer que o “gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue no único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo”.
  • §95 “Fica, portanto, claro que segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal modo entrelaçados e unidos que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas.”
  • §851 O motivo da missão. É do amor de Deus por todos os homens que a Igreja sempre tirou a obrigação e a força de seu clã missionário: “Pois o amor de Cristo nos impele…” (2Cor 5,14). Com efeito, “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro de seu anseio, levando-lhes a mesma verdade.Ela tem de ser missionaria porque crê no projeto universal de salvação.
  • §816 “A única Igreja de Cristo (…) é aquela que nosso Salvador depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagar-la e reger-la… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na ( “subsistit in”) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”:

Podemos ver com clareza que a fonte de toda caridade é, sem dúvida alguma, a Graça Salvífica que Nosso Senhor nos concedeu ao morrer na Santa Cruz e Ressuscitar. Transmitir esta verdade e assim levar o mundo a salvação. A caridade é um meio, ou seja, ela procede da Graça Santificadora e nos leva a salvação como fim de nossa jornada terrestre. Portanto, a caridade jamais poderá se sobrepor ao fato de que precisamos estar ligados a Deus através dos Sacramentos e em comunhão com a Igreja. A Caridade é fonte de virtudes, mas ela provém de uma fonte maior, pela qual somos justificados e santificados, fonte esta que recebemos em nosso Batismo e muitas vezes não damos o devido valor. Esta fonte maior é o ESPIRITO SANTO.

É preciso que tenhamos a consciência de que a Igreja Católica não é uma ONG. A prática da caridade vivifica nossas fé (Tg 2, 18;20) e nos aproxima de Deus e nos conduz ao paraíso. Não podemos nunca perder o foco de que junto a caridade, vem também nossa vida espiritual e a salvação por meio da paixão de Cristo.

A salvação, assim como a caridade, deve ser disponibilizada a todos e não apenas a um grupo restrito de pessoas. Devemos sempre estar preparados para transmitir o Amor de Deus para com nossos semelhantes, sejam eles pobres, ricos, brancos, negros, amarelos, gays, heterossexuais e qualquer um que necessite de ajuda. Não devemos cair no engodo da Heresia da Libertação que apenas os pobres e marginalizados tem direto a nossa caridade. Muitos ricos e poderosos estão hoje em depressão profunda e precisam as vezes mais de ajuda do que muitas outras pessoas.

Jesus Cristo é caridoso sim, mas acima de tudo ele era justo e ansiava por nossa salvação, mesmo que para isso fosse preciso ser duro e repressivo: Vejamos algumas palavras e fatos que ele mesmo disse que comprovam esta verdade:

  • Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.(Jo 2, 13-16).
  • Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida, perde-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrar-la-á. (Mt 10, 34-39)

Lembre-se, se alguém vier com um “papinho” de que Deus é amor, que Jesus é caridade, que Deus ama os pobres e que é contra o propriedade de terra e o capitalismo e que é contra a luta individual contra o pecado e contra tudo aquilo que nos afasta de sermos chamados Filhos de Deus, diga em alto e bom som a esta pessoa: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens! (Mt 16,23b).

Que Deus abençoe a todos e até a próxima.

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