É a Igreja Católica a verdadeira Igreja fundada por Cristo ou é uma Farsa?

Não é pra menos, meu caro! Não posso eu que não me considero um psicopata, encontrar justificativa nos atos bárbaros da Inquisição que se arvorava sob a pecha de ‘Santo Tribunal’”.

Notem que mais uma vez ele pinça uma única frase que eu havia escrito no post anterior para justificar sua argumentação, dando a entender para um leitor que não tenha lido os artigos anteriores que tudo o que ele irá dizer a seguir foi exatamente o que eu havia dito no post anterior. Ele joga para debaixo do tapete uma extensa argumentação que mostra claramente os benefícios trazidos pelos tribunais inquisitoriais como o advogado de defesa, o acesso do acusado aos autos do processo, a figura de um juiz imparcial, a criação do sistema penitenciário em detrimento a pena de morte sumária para casos e delitos menores. Toda esta argumentação foi suprimida apenas pela frase “Em nada me espanta o senhor Miguel Angelo ter aversão a Inquisição”, visto sua incapacidade de questionar tais fatos. Nitidamente é um truque imoral, pérfido, que mostra com clareza o nível de caráter baixíssimo do senhor Miguel Angelo e de todo aquele afetado por esta enfermidade mental.

Mas qual é o perigo prático do delírio de interpretação para a humanidade? Esta pergunta vem sendo respondida pelo filósofo Olavo de Carvalho na elaboração de seu trabalho que busca mapear o efeito massificado desta doença na sociedade contemporânea. Em seu trabalho de diagnosticar a Mentalidade Revolucionária, Olavo de Carvalho nos mostra como o delírio interpretativo, em sua versão mais extrema e cruel, foi capaz de em apenas quatro séculos exterminar mais de 300 milhões de vidas.

Toda esta devastação é causada pelos mesmos esquematismos formais, independente de ideologia ou motivação, que no fundo visam a destruição completa da raça humana, a começar pelo cristianismo e a civilização ocidental. Desejo este que segundo o filósofo Erich Vögelin remonta desde os primórdios do cristianismo com as seitas gnósticas.

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Evidente que não estou acusando o senhor Miguel Angelo de ser ele propriamente um exterminador de pessoas ou um perigo potencial ou real para a sociedade. Não o conheço pessoalmente e não sei nem se ele seria capaz de matar uma barata se a visse. Porem, pelo conteúdo de seu discurso e pela persistente utilização dos métodos que iremos descrever afrente, fica claro a afetação da Mentalidade Revolucionária no seu raciocínio. E não apenas ele, mas muitos hoje em dia são afetados por este mal graças a influência da cultura revolucionária empreendida desde os altos escalões das centrais globalistas como Council on Foreign Relations (CFR), Bilderberg Group dentre outros.

Segundo Olavo de Carvalho, a Mentalidade Revolucionária deriva do delírio interpretativo, na pré-suposição de três inversões da Realidade. Inversão do Tempo, Inversão de Sujeito e Objeto (Causa e efeito) e a Inversão da Responsabilidade Moral. A seguir, iremos ver no artigo do senhor Miguel Angelo exemplos claros destas três inversões:

1 – Inversão do Tempo.

Esta inversão constitui na tomar os acontecimentos futuros como justificação de ações presentes as ações. O revolucionário outorga-se uma pretensa autoridade que será concedida a ele ou ao grupo de pessoas que ele representa num futuro e em nome desta autoridade, a qual ele prestará contas apenas no “tribunal do futuro”, comete os mais variados tipos de atrocidades que se possa imaginar. Desde coisas banais como reinterpretar a história a luz de suas percepções, como faz o senhor Miguel Angelo reiteradamente, como promover o genocídio de milhões como fez Mao Tse Tung e Stalin em nome do “Homem perfeito e livre da religião”.

Vamos ler o que nos escreve o arauto do “futuro brilhante das religiões unificadas”:

“A verdadeira Igreja do Cristo há de ser algo mais, mais e muito melhor! Maior que Roma – maior que Lutero – maior que as demais igrejas que a si próprias dão o título de “únicas verdadeiras”. Dentro dela hão de caber todos os homens de boa-vontade (Ver Mateus, cap. 8, v. 11), chamem-se judeus – protestantes – católicos ou maometanos; de outra sorte não seria baseada na justiça, nem seria universal, caracteres inseparáveis de uma religião divina. O judeu – o muçulmano – o protestante – o budista – o católico – o cismático, que ama a Deus em espírito e verdade e pratica a virtude, está com o Cristo (Atos cap. X, v. 35.) e dentro da verdadeira “igreja”.

Não é católico ou evangélico o que se diz tal, só porque recebeu a água do batismo, e sim o que abraça os ensinos do Cristo “porque não é judeu o que o é manifestamente, nem é circuncisão o que se faz exteriormente na carne; mas é judeu e é circuncisão o que o é no interior”. (Paulo aos romanos, cap. II, vers. 28 e 29). Palavras sábias de um verdadeiro cristão que se resumem em uma única palavra: caridade; isto é: amor a Deus e ao próximo. (ver Mateus, cap. XXII, vers. 37, 39 e 40). Esta palavra, esta fórmula, este símbolo evangélico liga em um corpo único os homens de todos os países – de todas as raças – de todas as crenças, formando a ‘igreja universal’ – a “Igreja” essencialmente cristã.

Dia virá em que somente haverá um rebanho: a Igreja de Deus – e um só pastor: o Verbo, a palavra de Deus, o Evangelho, Jesus Cristo.

Toda religião carrega coisas divinas, mesmo que misturadas com “impurezas humanas” e como a luz vai manifestando e separando a verdade da mentira – o eterno e essencial do transitório e vil – chegará o dia em que todas as religiões se depurarão e formarão uma única: o sonho cristão de Jesus ‘em uma nova terra’.

Este o meu manifesto! Aquilo que defendo e em cuja defesa não me encontro sozinho.”

Ou seja, o senhor Miguel Angelo, imbuído da autoridade de porta-voz do futuro brilhante que será a tal “religião unificada” e o tal “sonho cristão de Jesus ‘em uma nova terra’”, sabe-se lá o que viria a ser um sonho cristão do Cristo, espalha a sua “boa nova” para todos, mesmo que para isso tenha que mentir, distorcer, omitir fatos, reinventar interpretações e utilizar-se de fontes visceralmente falsas, envolvendo seu leitor em fantasias as quais ele categoricamente afirma ser a verdade mais clara e absoluta, mesmo que ele, como dito em seu segundo post, não creia na verdade absoluta mas sim na sua “percepção da verdade”.

Outro elemento importante é desta inversão é a renegação do passado revolucionário que não foi bem sucedido, mas fazendo uso de seus recursos. Primeiramente ele escreve:

“Inicialmente, preciso declarar e esclarecer que rótulos de ‘comunista’, ‘marxista’, ‘kantista’, ‘nihilista’, ‘stalinista’ ou quaisquer outros rótulos aos quais pude ter sido ‘batizado’ pelo não se enquadram na visão de mundo que possuo.” (Negação do passado revolucionário infrutífero)

Ai no final ele escreve:

“Chegará o dia em que todas as religiões se depurarão e formarão uma única: o sonho cristão de Jesus ‘em uma nova terra’. Este o meu manifesto! Aquilo que defendo e em cuja defesa não me encontro sozinho.” (Utilização de recursos anteriores ainda que de outra maneira. O bom e velho “Trabalhadores do mundo, Uni-vos!” do manifesto comunista de Marx).

Este aporte é a porta de entrada para as outras duas inversões, as quais iremos ver a seguir:

2 – Inversão de Sujeito e Objeto

Esta inversão caracteriza-se em inverter a ordem causal das coisas, transformando o objeto da ação impetrada como o sujeito que a motivou. Esta inversão é melhor compreendida no seguinte texto do senhor Miguel Angelo.

“’Será que o senhor Miguel Angelo viu o que aconteceu com os jovens que rezavam na Jornada Mundial da Juventude e foram agredidos por grupos de homossexuais’?

Reação natural de um grupo descriminado pela “propaganda reacionária homofóbica” da Igreja Católica! Que ela assuma as consequências! O que pensaria Jesus que não discriminava a ninguém fossem publicanos, prostitutas, ladrões, samaritanos, se visse hoje tais descriminalizações da Igreja que supostamente se diz continuadora da sua missão?”

Vamos então entender o que aconteceu na realidade e como o senhor Miguel Angelo entendeu as coisas baseando-se na inversão revolucionária de Sujeito e Objeto:

O fato como aconteceu:

Um grupo de jovens rezava o terço em uma praça em Madrid. Daí, um grupo de ativistas homossexuais (Sujeito) agrediu este grupo (objeto). Esta ação foi criticada inclusive na mídia anticatólica.

O fato de acordo com o imaginário do senhor Miguel Angelo: Um grupo de jovens rezava o terço em uma praça em Madrid. Este grupo (Sujeito) provocou os pacíficos ativistas homossexuais com a sua reza do terço (Objeto), que motivados por mais este ato extremamente ofensivo de “propaganda homofóbica”, revidaram de maneira legitima com a agressão física.

Entenderam? Magicamente o agressor vira a vítima e a vítima vira o agressor. O mesmo acontece com a história do embargo cubano. Todos dizem que a razão de Cuba ser miserável não é o regime comunista assassino e repressor de Fidel Castro, mas o embargo econômico que os Estados Unidos impõe. O estranho é que todos esquecem que o motivo da revolução em Cuba foi justamente o comércio com os Estados Unidos, a quem acusavam de “exploração”. Afinal de contas, o problema é o comercio com os EUA ou a falta dele?

3 – Inversão da responsabilidade moral.

Esta inversão pressupõe que tudo o que o revolucionário faz hoje em nome de sua crença está automaticamente justificado pelo futuro brilhante que ele representa, visto que seus atos só poderão ser realmente julgados a luz da “nova ordem futura das coisas”. Isto explica, por exemplo, os motivos pelos quais o senhor Miguel Angelo, por exemplo, simplesmente ignora 2000 anos de tradição exegética e análises profundas dos Textos Sagrados, utilizando o mais absoluto critério de coerência histórica, colocando em seu lugar interpretações semânticas de indivíduos nitidamente despreparados ou com clara intenção de simplesmente difamar a Igreja, valendo-se de grotescos expedientes como a ocultação e/ou a distorção dos fatos e de textos que desmontam sua argumentação.

Tal condição, permite por exemplo o senhor Miguel Angelo cometer incongruências gritantes como esta:

“(…) monstruosidade é acreditar de bom grado que o Espírito Santo inspirou também os criadores da Inquisição e os papas que iniciaram as Cruzadas e o seu cortejo de tribunais injustos e torturas aos ditos hereges!”

No constructo do senhor Miguel Angelo, as motivações para a instituição da Inquisição e para a convocação das Cruzadas partiram da Igreja Católica cruel, interessada apenas apoderar-se das riqueza dos povos árabes e torturar aqueles que pregavam outras religiões. Mesmo os meus apelos para que ele lesse meus artigos sobre inquisição, onde está demonstrado que o tribunal do Santo Oficio foi instituído justamente para frear a matança indiscriminada que estava começando a ser feita, bem como sua ignorância com relação ao fato de muitas famílias e até reinos europeus terem ido a falência para enviar dinheiro, soldados e recursos para as cruzadas. Afirma que as Cruzadas foram “Massacre por Massacre”, aludindo à lei de Talião (olho por olho, dente por dente), quando este ignora completamente, por exemplo, o contingente de cristãos e muçulmanos em cada um destes conflitos (uma proporção de em média 1 para 20 respectivamente), numa época onde número de soldados no campo de batalha era a diferença substancial entre a vitória e a derrota.

É exatamente o mesmo cenário pintados por aqueles que dizem que os Estados Unidos invadiram o Iraque não por conta das armas de destruição em massa, como de fato foram encontradas em laboratórios móveis instalados em caminhões e escondidos em mesquitas, escolas e hospitais, onde os inspetores da ONU não podia investigar, mas pelo petróleo, mesmo TODAS as empresas petrolíferas dos EUA já estarem instaladas no Iraque e todas serem radicalmente contra a guerra, bem como as empresas de construção pública que gastariam bilhões de dólares em treinamento e fabricação de maquinário.

É o caso também de Heinrich Himmler, comandante das tropas SS que constantemente era visto chorando pelo campos de concentração lamentando a consigo “por que esses malditos judeus insistem e me fazer matar-los”, ou ainda Che Guevara que fuzilava chorando os cubanos que teimavam em não abraçar sua causa.

É exatamente por pensamentos como os do senhor Miguel Angelo que temos anualmente 105 mil cristãos mortos em todo o mundo, em especial nos países socialistas e no mundo islâmico. Preconceitos imbecis e falsidade histórica fomentam o ódio a séculos contra a Igreja. Nunca foi e não será diferente. Desde a perseguição romana, passando pela perseguição bárbara, cátara, protestante, revolucionária francesa e pelo comunismo, estamos sempre levando o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro até as últimas consequências, pagando com a própria vida se preciso for.

Fica claro portanto que não estamos lidando com uma pessoa que realmente tem boa vontade em debater ideias e conforme estas se apresentam, nem muito menos está interessada em ouvir o que o outro lado fala e apenas então opinar. Estamos lidando com uma pessoa que prefere envenenar-se a sí mesmo com lixo intelectual da pior espécie, propagandas e slogans, recusando-se a reconhecer quaisquer méritos possíveis do lado contendor. Ao contrário, prefere omitir descaradamente informações, construindo uma argumentação baseada em simples semântica, sem sustentação nenhuma com a realidade.

Provavelmente ainda veremos o senhor Miguel Angelo pelos corredores escuros dos comentários, onde muitas vezes a falta de espaço e de objetividade torna mais propício sua tática meramente acusatória. A todos que se depararem com tal figura patética, desonrada e vil, saiba que trata-se de um homem que demonstrou ao longo deste debate que a única coisa que sabe é acusar, mesmo que para isso tenha que manipular ou esconder informações. A ele, meu agradecimento pelos préstimos de mostrar o quão baixo pode chegar a mente de um revolucionário e como é fácil estar “sempre certo”, quando para isso se utiliza de artifícios do mais baixo calibre imaginável.

Encerramos aqui o debate dando por demonstrada que a Igreja Católica é sim a Igreja fundada por Jesus Cristo, Nela permanecendo até o fim dos tempos, como Ele mesmo prometeu. Mesmo que isso venha a ferir a vontade de tantos e tantos, a Igreja permanecerá, firme e inabalável, com seu esqueleto doutrinal e moral que jamais se desvanecerá. É a Esposa de Cristo sem rugas que com Ele se encontrará no fim de todas as coisas.

Referências:

1 – SOLIMEO, Plínio Maria – São Paulo “Servo de Jesus, apóstolo por vocação” – Editora Petrus – 2009

2 – AQUINO, Felipe Reinaldo Queiroz de – Para Entender a Inquisição – Ed. Cléofas – 3ª Edição – 2010

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