É a Igreja Católica a verdadeira Igreja fundada por Cristo ou é uma Farsa?

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São Miguel Arcanjo derrotando o demônnioCerta vez o dramaturgo Nelson Rodrigues cunhou a seguinte frase: “O fracasso subiu-lhe a cabeça.” O último post de nosso contendor demonstrou claramente que tal frase tornou-se uma espécie de “profecia” para o século XXI. Pessoas como Miguel Angelo e seus ídolos, nitidamente vigaristas intelectuais e perversores de fatos, nos brindam com um espetáculo de distorções, fraudes científicas e má fé ao utilizar retalhos do texto anterior para endossar sua argumentação pífia.

Com base nas declarações de meu oponente, provavelmente este será o último post deste debate. Prefere ele permanecer no submundo dos comentários, onde sua tática de simples acusação sem fundamento, baseada em simples análises semânticas, teses de estudantes que postulam títulos acadêmicos, Wikipédia e afins pode ser melhor aplicada. Nada além da covardia esperada.

Diferentemente dos artigos anteriores, não irei fazer uma análise sistemática de todo o post do senhor Miguel Ângelo. Até porque todas as refutações necessárias já estão nos outros, visto que este nada fez além de reafirmar a sua idiotice de maneira contundente, trocando apenas um ou outro argumento, sem acrescentar absolutamente nada de novo ao que já foi exposto.

Veja também

Cabem aqui apenas alguns esclarecimentos de pontos específicos citados pelo senhor Miguel Angelo que ainda não formam comentados anteriormente ou não foram suficientemente embasados. Irei fazer elucidar tais temas e depois prosseguir o exame do texto do senhor Miguel Angelo.

– São Paulo e a comunhão dos bispos com o Papa1:

Desde sempre a Igreja mantem a comunhão apostólica como um de seus mais belos e importantes pilares da Fé cristã bimilenar. Notem que que, ao contrário do que reiteradamente afirma o outro debatedor, nunca garantiu a impecabilidade de qualquer que seja seus membros, incluindo ai o Papa. São Paulo repreendeu a conduta de São Pedro pois este havia se tornado repreensível, ou seja, havia cometido um pecado. Pecado não de ordem doutrinária, mas de ordem prática, pois a conduta pessoal de São Pedro era diferente quando estava entre cristãos oriundos do paganismo e os oriundos do judaísmo. Isso repercutiu de maneira muito negativa entre os cristãos da Antioquia, em sua franca maioria pagãos de origem. São Paulo percebendo que esta conduta pessoal de São Pedro poderia causar escândalo (no sentido de confundir os irmãos), pois no Concílio de Jerusalém já haviam decidido que a sinagoga deveria ser absorvida pela Igreja e não o contrário. A comunhão fraterna se dá não apenas nas condutas, mas também na correção dos erros entre os irmãos que se amam em Cristo. Agir diferente disto é faltar com caridade, pois esta tem como objetivo não o bem estar físico, mas o bem estar espiritual e a salvação da alma.

Outra informação extremamente importante, capciosamente sonegada pelo senhor Miguel Angelo e suas fontes, é que TUDO o que São Paulo ensinava foi confirmado pelas Colunas da Igreja, que são exatamente os membros do Magistério Extraordinário. Diz-nos a Sagrada Escritura que São Paulo aprendeu tudo que ensinava com o próprio Cristo Ressuscitado (Gl 1,12) durante cerca de 3 anos (Gl. 1,18). Isso explica o profundo conhecimento que tinha dos ensinamentos de Nosso Senhor, mesmo sendo proveniente de uma região tão longínqua geograficamente da Terra Santa, sem contato direto com Ele durante seus dias na Terra. (Tarso é uma cidade que fica na região de onde hoje é Istambul, na Turquia). Ainda assim, coube a São Paulo seguir os preceitos da Igreja. Submeteu todos os seus ensinamentos ao exame do Santo Magistério (Gl. 2, 1-9) para que, diferentemente do que apregoa o senhor Miguel Angelo, “o Evangelho permanecesse em sua integridade” (Gl. 2,5).

– Inquisição Espanhola e a Tomás de Torquemada.

Estaremos em breve escrevendo um artigo mais detalhado sobre a Inquisição na Espanha. Apenas como resumo, a inquisição na Espanha não começou em 1481 como diz o senhor Miguel Angelo, mas em 26 de maio de 1232, através da Bula “Declinante jam mundi”, sendo confiada aos franciscanos e dominicanos em 1237 durante o Concílio de Lérida. São Raimundo de Peñafort, confessor do rei Jaime I, definiu as penas para a inquisição em 1242. Nenhuma delas envolvia morte, mutilação ou tortura física prolongada.

Como dito no meu post anterior e propositadamente omitido pelo senhor Miguel Angelo em sua argumentação, visto que esta informação a mudaria completamente, desde o século VIII a Espanha era massacrada pelos muçulmanos que torturavam, estupravam, matavam e escravizavam milhares de cristãos europeus, levando-os à Meca. Esta prática durou até o século XVIII!

Após seis séculos da mais bárbara e opressiva ocupação impelida pelos muçulmanos na Espanha, finalmente o rei Fernando de Aragão e a rainha Isabela de Castela conseguiram expulsar os mouros da Espanha. Todavia havia ainda pequenas milícias judias (marranos) e muçulmanas (mouriscos), que fingiram conversão ao cristianismo após a retomada espanhola, impedindo a unificação do reino. Foi solicitada a reabilitação do tribunal inquisitorial na Espanha para julgar os crimes de heresia cometidos por tais milícias. Esta autorização veio em 1 de novembro de 1478.

Conforme determinação do Papa, a inquisição deveria julgar apenas cristãos batizados, e não judeus e muçulmanos, como muitos mentirosos apregoam. Infelizmente, já em 1482 a inquisição não mais servia ao propósito de restaurar a retidão da fé, mas como instrumento arbitrário nas mãos do Rei Fernado. Um “ato de fé” foi proclamado sem a autorização do bispo, portanto sem a autorização da Igreja. Começou ai uma luta entre o Papa Sisto IV com o rei Fernando, que rompeu ligações com Roma e ameaçou convocar um concílio cismático. Para evitar que a ruptura definitiva com esta grande nação católica, Sisto IV decidiu optar “pelo mal menor”. Estendeu a inquisição para todo o reino de Aragão e enviou uma centena de cartas aos inquisidores e aos juristas civis instruindo a manterem a caridade para com os hereges. Em uma dessas cartas, se despede com a seguinte mensagem: “Visto que somente a caridade nos torna semelhante a Deus…, rogamos e exortemos ao Rei e a Rainha, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que imitem Aquele de quem é característico ter sempre compaixão e perdão. Queiram, portanto, mostrarem-se indulgentes para com os seus súditos da cidade e da diocese de Sevilla que confessam o erro e imploram a misericórdia!” (revista Pergunte e Responderemos, 1987, pp.83-94)

Tomás de Torquemada foi um frei dominicano que nasceu em Valladolid (também denominada Torquemada) no ano de 1420. Sucedido por D. Diego de Deza, o qual o historiador Llorente diz ter sido ainda mais severo, acabou sendo estigmatizado pela propaganda revolucionária do século XVIII como o “símbolo da Ignorância e de tudo o que houve de pior na Idade das Trevas”. “Um verdadeiro demônio” como disse Voltaire e o senhor Miguel “papagaio de pirata” Angelo.

A história porém nos mostra um cenário completamente diferente. As instruções que Torquemada redigiu para orientar os processos da Inquisição pedem moderação e justiça; suas muitas cartas mostram um espírito enérgico, mas caritativo, e sempre reprimiu os abusos. Torquemada aplicou os processos da Inquisição, de modo a não atingir só aos hereges, mas também os padres amancebados, que incitavam as mulheres; carcereiros que violentavam as mulheres presas; falsos santos e místicos que enganavam o povo. Também foi responsável pela criação das primeiras medidas de humanização dos presídios, que podem ser lidas no livro de Villanueva e Bonet (1984, p. 310ss).

Assim nos relata o professor João B. Gonzaga, jurista de renome internacional, sobre os métodos utilizados por Torquemada para condução e resolução dos processos inquisitorias:

“Em caso de heresia oculta, em que não se presumia o perigo de ser descoberta pelo povo, a absolvição podia ser concedida pelo Confessor, no Sacramento da Penitência. Ordenou que fossem tratados com benignidade todos aqueles que, mesmo no “Tempo de Graça” (Período de 30 ou 40 dias de reflexão imposto aos acusados de heresia), mas antes de denúncia (inicio do processo de investigação), relevassem suas faltas. Os jovens, até vinte anos só estavam sujeitos a leves penitências. As penas deveriam ser ajustas de acordo com a gravidade dos crimes. Foram abolidas as cruzes infamantes costuradas nas roupas (…). Foi suprimido o “muro estreito” medieval, onde o preso ficava numa cela estreita e escura, sendo substituído por celas amplas e bem arejadas, com número de janelas suficientes de janelas para que o sol pudesse por elas entrar. Incentivava-se o trabalho dos detentos, como medidas terapêuticas e a fim de proverem o próprio susento.” (2, p. 173-174).

Também Torquemada foi criador do que mais tarde se configurou como a defensoria pública, visto que o fisco pagava os serviços de advogados quando o acusado de heresia não tinha condições para arcar com as despesas. (2, p. 176).

– Divindades pagãs e a Virgem Maria.

A Igreja católica jamais considerou a Virgem Maria como uma divindade. A Igreja considera Nossa Senhora, dentre todas as coisas criadas por Deus, a mais perfeita criatura. Por ela, os católicos têm verdadeira devoção e profundo respeito, porem jamais Ela terá culto de Latria. (adoração)

A devoção a Nossa Senhora começa no seio da Igreja desde o primeiro dia. Como vimos lá no primeiro post, São Lucas foi ter pessoalmente com Ela para saber relatos importantes da vida de Nosso Senhor. Também Ela esteve presente em todos os momentos marcantes da história cristã embrionária, como a Crucifixão de Nosso Senhor e no dia de Pentecostes. Sua importância já naquela época era tão grande que São Lucas quis titular seu evangelho como “O Evangelho segundo Maria”. São inúmeras as passagens do Evangelho que mostra exatamente a importância de Nossa Senhora na vida da Igreja. Apenas para exemplificar, podemos tomar as Bodas de Caná. (Jo. 1,1-11)

As divindades pagãs eram transcrições de eventos ou entes meramente naturais e sensitivos, cuja explicação lhes era impossível. O sol, a chuva, a luz, a natureza, o amor, a guerra, etc. O culto devocional a Virgem Maria não se enquadra nesta categoria. Acreditar realmente que a Igreja Católica “absorveu” da cultura pagã a crença em uma divindade material, colocando Nossa Senhora como uma espécie de “mãe-terra”, é demostrar uma ignorância descomunal da cultura cristã e da própria história das religiões. Tais falácias servem apenas como mote para shows de comédia stand-up.

A diferença fundamental do cristianismo para as religiões pagãs está exatamente no fato de Jesus, que desde o principio estava e era Deus, fez-se homem e habitou entre nós, para morrer na cruz por nossos pecados e nos conduzir a salvação, abrindo assim a porta para nossa própria transcendência mediante o reto caminha da Graça. Não há, portanto, culto a uma criatura (natureza), mas ao próprio Deus feito homem, tornando absurda a ideia de que uma religião de nível tão elevado fosse incorporar uma crença já sabidamente equivocada naquela época. Por certo o senhor Miguel Angelo desconhece que razão é o termo cunhado pelos filósofos gregos para descrever a capacidade do homem de reconhecer a sua própria existência (consciência) e assim vislumbrar a realidade que está para além do seu círculo de experiências habituais, como os seus sentidos e do mundo material (transcendência).

Insistentemente, o pândego Miguel Angelo quer conectar a divindade Ísis, deusa da fertilidade e da natureza no antigo Egito, com Nossa Senhora, dizendo que este foi um subterfúgio para “arrebanhar” os fieis daquela região. Afirma também que o culto a Nossa Senhora foi um “plano ardiloso” iniciado por São Paulo, em um local que por sinal nunca esteve, para arrebanhar seguidores naquele local. Esta versão do tal “paradoxo mariano”, caiu por terra quando o Pe. Bellarmino Bagatti (1905-1990), um dos maiores arqueólogos bíblicos do século XX, “aproveitou” a demolição da Basílica da Anunciação de Maria, que seria reerguida, para reconstruir a história arquitetônica do lugar de culto. Primeiramente, pode estabelecer que não era verdadeiro (como muitos defendiam) que naquele lugar houvesse túmulos romanos e que, portanto, pudessem surgir – por motivo de pureza – habitações hebraicas. Com efeito, descobriu-se que não havia sepulcros mas, ao contrário, traços muito evidentes de casas de gente do lugar. De qualquer modo, ficou confirmado que o edifício do século XVIII – como já se sabia – foi erigido sobre uma igreja bizantina. Todavia, houve uma maravilhosa surpresa: abaixo da igreja bizantina descobriram-se os restos de um lugar de culto da primitiva comunidade judaico-cristã. Eis o fato extraordinário: sobre a grande base rebocada de uma coluna, utilizada para sustentar o teto da igreja-sinagoga, encontrou-se a inscrição, em caracteres gregos XE MAPIA, abreviatura de K(àir)e Maria, que significa: “Alegra-te, Maria!”. É a mais antiga invocação a Nossa Senhora, encontrada na mesma casa onde Ela viveu. Numa coluna, um peregrino tinha deixado outro sinal da sua passagem, um grafito devocional em língua grega, que rezava assim: “Neste santo lugar de Maria escrevi”. Noutro pilar, uma palavra em arménio antigo: “Virgem bela”. Como vemos, a devoção mariana desabrocha no Evangelho e do Evangelho: na própria Nazaré!

– Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo.

O senhor Miguel Angelo, assim como muitos outros imbecis como Leonardo Boff, pseudo-frei Betto, Ellen G. White, insistem na afirmação de que Jesus Cristo não era Deus ou que Jesus não se considerava Deus, mas apenas um mestre, um homem comum que levou sua mensagem (idêntica ao socialismo segundo alguns) para todos o pobres e oprimidos do opressor (e porquê não pré-capitalista segundo estes “mesmos alguns”) Império Romano. Foi a propaganda do Império Romano que transformou aquele humilde, mas sábio carpinteiro em uma divindade. Como argumento, o senhor Miguel Angelo apresenta trechos do Evangelho (os quais em um momento alega serem falsificados e em outro alega serem autênticos) que mostram Jesus dissociando a si mesmo da figura do Pai, portanto não sendo Deus.

O que mais chama atenção é que sempre os trechos “falsificados” do Evangelho são aqueles que refutam completamente as baboseiras que os revolucionários pregam. Quando Jesus afirma que Ele e o Pai são um, em perfeita consonância com o primeiro capítulo do Evangelho de São João que afirma no princípio Ele era o Verbo, e o Verbo estava e era Deus, Jesus estava dizendo que Eles estavam “conectados” pelo pensamento. Ora, estranho alguém que não existia no principio de tudo estar conectado ao que quer que seja pelo pensamento.

Seria um homem comum capaz de, por sua espontânea vontade e capacidade, operar os seguintes atos:

  • Andar sobre as águas do mar da Galiléia, indo de encontro dos Apóstolos que remavam com dificuldade contra o vento (Mt. 14,26);
  • Transformar cerca de 600 litros de água em vinho (Jo 2);
  • Por duas vezes ao menos multiplicar pães e saciar a fome da multidão que o seguia no deserto (Mt. 15,26);
  • Curar dez leprosos que vieram ao seu encontro (Mt 8,3);
  • Curar os cegos de nascença em Jericó;
  • Acalmar a tempestade, sobre o mar da Galiléia, que ameaçava fazer virar o barco onde estava com os Apóstolos (Mt. 8,32);
  • Curar diversos paralíticos (Mt. 8,6; Jo 5,1-18);
  • Ressuscitar mortos, alguns deles já sepultados a mais de 3 dias e cheirando mal (Jo 11,43-44; Mt 9,25);
  • Ressuscitar a si mesmo de maneira triunfante e gloriosa (Mt. 28,6; 1Cor. 15,1s);

Nenhum outro personagem na história demonstrou sinais de divindade como Nosso Senhor Jesus Cristo. Nenhum outro personagem histórico declarou-se Deus e provou isso através de sinais extraordinários, chamando atenção inclusive de seus perseguidores, como vimos logo no primeiro post.

Outra coisa muito importante a se esclarecer, em detrimento a vontade muitos materialistas e niilistas de plantão, é que a Igreja jamais afirmou que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são a mesma pessoa. Este é o conceito da trimurti, ou a trindade indú, onde Brama (criador), Vixnu (mantenedor) e Xiva (destruidor) são aspectos de uma mesma divindade (Brâman), incognoscível ao homem, que hora age de uma forma, ora age de outra.

A Santissima Trindade, ao contrário, é composta por três pessoas distintas, que compartilham a mesma essência divina. Deus não é incognoscível ao homem, mas sim incompreensível em sua plenitude. Podemos conceber a existência de Deus por meios racionais, como nos mostrou São Tomás de Aquino através das cinco vias. Portanto, é fato que a pessoa de Jesus é distinta da pessoa do Pai. Porem, a natureza divina de Jesus é a mesma natureza divina do Pai, sendo Jesus possuidor de duas naturezas: Uma divina e outra humana. Assim nos diz Santo Agostinho: “Única é a essência do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Nesta essência, o Pai não é uma coisa, o Filho outra e o Espírito Santo outra, se bem que pessoalmente o Pai seja um, o Filho seja outro e o Espírito Santo outro.” Recomendo a leitura das questões 33, 34 e 35 na Summa Teológica de São Tomás de Aquino para mais esclarecimentos a respeito da Santíssima Trindade, visto que tal assunto merece outro debate mais abrangente.

Esclarecidos tais pontos que ainda não foram abordados ou não foram devidamente fundamentados, gostaria agora de proceder, por dever de caridade para com o senhor Miguel Angelo e os demais leitores, uma análise deste último artigo enviado, pois é uma fonte rica de desvios mentais provocados por aquele que é, sem sombra de dúvida, o maior mal da humanidade desde o século XVI. A Mentalidade Revolucionária.

Esta moléstia que afeta tanto as faculdades mentais, quanto as espirituais, foi identificada já no começo do século pelo psicólogo francês Paul Serieux no seu célere livro “Les Folies Raisonantes”. Neste livro, o dr. Serieux descreve uma doença psíquica chamada Delírio de Interpretação ou Delírio Interpretativo. Trata-se de uma moléstia que, diferentemente do delírio esquizofrênico, que pressupõem uma estimulação dos sentidos, causando sensações realistas de cheiros, gostos, presença de pessoas a espreita, etc., o delírio interpretativo na distorção e na má compilação das informações extraídas do mundo exterior pelos sentidos, de maneira a fazer com que a interpretação destas informações captadas seja delirante. Assim sendo, a pessoa que é afetada por esta forma de psicose não é capaz de compreender a realidade tal qual se apresenta, mas apenas o constructo abstrato e destorcido da percepção dos fatos que venha arrefecer o seu ego.

Isso pode vir a explicar porquê insistentemente o senhor Miguel Angelo fundamenta suas refutações não em um texto completo, como fiz em vários momentos do debate, mas sempre em trechos propositadamente pinçados e rearranjados, de maneira a endossar sua argumentação.

Um exemplo claro é o trecho a seguir:

“O dogma da divindade de Jesus se baseia na igualdade absoluta entre a sua pessoa e Deus, pois que ele próprio é Deus (correto?)…”

Segue-se após este postulado uma série de análises semânticas com erros filosóficos e factuais primários. Não há verdadeira busca ao saber. Não há verdadeira intenção de averiguar se a sentença na qual ele está se baseado corresponde a um fato real. Ele toma uma “peça” de um imenso “quebra-cabeças” e monta outro baseado puramente em suas impressões pessoais ou nas impressões de outros que possuem certa consonância de ideias. Não passa na sua cabeça que a premissa base possa estar, como neste caso, absolutamente errada.

Outro trecho que mostra até onde vai a perversão da mente das pessoas que sofrem deste mal está no trecho a seguir:

“’Em nada me espanta o senhor Miguel Angelo ter aversão a Inquisição’.

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