A Tecnologia do Massacre

“Judeus eram número 8. O Campo de extermínio, Dachau era código 8.

O CÓDIGO “6” significava “tramento especial”: extermínio, câmara de gás ou fuzilamento.

Edwin afirma que toda a administração, toda a contabilidade, e toda a eficiência do sistema alemão dependiam dos cartões perfurados.

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Os cartões controlavam até o horário dos trens, a quantidade de pessoas que podiam ser colocadas, quanto combustível seria necessário para o comboio se movimentar numa velocidade específica e chegar ao campo de concentração na hora certa. “A IBM tinha a exclusividade na produção e comercialização tanto do cartão quanto da máquina”.

“A alemanha nazista era o segundo maior cliente da IBM, depois dos “Estados Unidos”, revela Edwin. A IBM sabia o que estava acontecendo na Alemanha? “É claro, todo mundo sabia. Por isso é que no livro eu cito o New York Times – principal jornal da cidade, onde ficava a sede da IBM – e não documentos do serviço secreto”, responde.

Muitas empresas americanas decidiram parar de negociar com a Alemanha nazista.

Thomas Watson, o então presidente da IBM, faz o contrário: investe um milhao de dólares no país de Hitler. Constrói uma fábrica para construir máquinas Hollerith.

Em uma foto, Watson aparece numa reunião com o ditador nazista. “Watson foi condecorado por Hitler, pelo apoio que deu ao Terceiro Reich”, diz Edwin.

Em 1941, a guerra devastava a Europa, Londres bombardeada, o exercito nazista avançando em todos os fronts, cometendo assassinatos em massa na União Soviética. O número de campos de concentração chega a 9.000. Nos Estados Unidos tudo é mostrado em cinemas, nos jornais. Mas a IBM continuava fazendo negócios com o Terceiro Reich, segundo Edwin.

Em seu livro, ele diz que o presidente da IBM tinha um aliado poderoso em Washington: o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt”, a quem havia dado muito dinheiro para suas campanhas políticas.Além do presidente Roosevelt, outro forte aliado era o Secretário de Estado Cordell Hull. “O Departamento de Estado funcionou como menino de recados da IBM”, acusa. Edwin diz que houve vários casos e cita um que teria resultado em milhares de mortes: “…quando as máquinas Hollerith ficaram presas na alfândega, o encarregado de negócios na embaixada americana em Berlim pressionou intervindo. Estas máquinas foram liberadas e enviadas para a Romênia, para identificar os judeus que seriam enviados aos campos de concentração. “O governo Roosevelt foi sócio ativo e silencioso nos negócios da IBM”.

Que provas ele tem, para fazer essas acusações? “Reuni uma equipe de mais de 100 historiadores, voluntários e tradutores pesquisando em 50 arquivos de 7 países, na Europa e nos Estados Unidos”, ele responde.

No total mais de 50 mil documentos foram analisados.

No porão de sua casa, ele e a equipe chegaram a estudar 15 mil páginas por mês. Boa parte dos negócios entre a IBM e os nazistas, passava pelo Brasil. Edwim pede que os arquivistas e funcionários brasileiros encontrem esses documentos e que não permitam que sejam destruídos, mesmo que recebam ordens para isso.

Ele diz que não tem medo de ser processado pela IBM, que ainda há muito mais a ser descoberto. Se a IBM não tivesse negociado com o Terceiro Reich, quantas vidas teriam sido salvas? “Os planos de extermínio de Hitler teriam atrasado, pelo menos, 2 anos”, afirma.

Edwin fecha as acusações com dois exemplos. Na Holanda, onde foi usado o sistema da IBM, 73% dos judeus do país foram exterminados. Na França, onde o censo foi na base do papel e lápis, 23% foram eliminados.

O holocausto aconteceria, mesmo sem a IBM, mas o holocausto dos números terríveis e do extermínio em alta velociadade, esse foi resultado direto da tecnologia da IBM”.

* Matéria enviada pelo colaborador Iarles Ferreira (Pelotas RS)

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