A Tecnologia do Massacre

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Reportagem do Fantástico exibida em 11/02/2001 que, entre outros seis assuntos, obteve72% dos votos sobre a matéria da semana que mais chamou a atenção..

A Tecnologia do Massacre

As provas desta reportagem estão também no Museu do Holocausto em Washington

Washington, fevereiro de 2001. Um homem trabalha freneticamente no porão de sua casa, que também funciona como escritório. É um trabalho secreto. Uma denúncia contra uma poderosa empresa norte-americana. A denúncia envolve um ex-presidente dos Estados Unidos, que é o ídolo e herói para o povo americano.

Quem acusa é o jornalista e escritor Edwin Black, de 54 anos. Pelo chão, páginas e páginas de documentos, vindos de todas as partes do mundo. Inclusive do Brasil. Uma das poucas pessoas a ter acesso a eles é Liz Black – mulher de Edwin – que trabalha como assistente e arquivista dele.

Edwin está agitado. Quer corrigir o que considera um dos grandes erros da história. Crimes contra a humanidade que nunca foram punidos. Uma história que começa em qualquer rua da Europa, nos anos 30…

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A chegada de um batalhão da SS…Sem cometer erros, os soldados separam os judeus.Sabem como encontrá-los.O sistema nazista não falha.Famílias inteiras são postas para fora de suas casas, lojas e sinagogas.Obrigados a marchar até uma estação de estrada de ferro.Empurrados para dentro de vagões de carga.

Os trens cruzam cidades, vilarejos, mas ninguém parece ver o que transportam. Nem para onde vão. Trens que nunca se atrasam. O sistema nazista não falha. Chegam ao destino na hora certa: Auschwitz, Bergen-Belsen, Treblinka…

A carga humana é dividida. Pais e filhos separados. Quem tem saúde de um lado, vão trabalhar nos campos de concentração. Do outro, velhos, crianças e doentes. São postos em fila e enviados para câmaras de gás. Outros, sob gritos dos soldados de “Schnell! Schnell! – rápido, rápido são obrigados a correr para valas fundas e fuzilados. O sistema nazista não falha.

Seis milhões de judeus foram mortos durante o holocausto. Foi uma destruição metódica, friamente elaborada e executada.Os nazistas sabiam exatamente onde encontrar cada judeu. Sabiam o nome, profissão, características físicas, onde trabalhavam, quantos eram os membros da família, quem eram os parentes, os amigos, os amigos dos parentes…COMO ISSO FOI POSSÍVEL?

Em algumas partes da Europa os judeus viviam isolados. Hábitos, roupas, costumes, tudo era diferente naquelas comunidades. Aqueles judeus viraram presa fácil dos nazistas. Mas eram minoria: na França, Holanda, Áustria, Alemanha, a integração era completa. “Os judeus-alemães se consideravam antes de tudo alemães”, diz Edwin.

Muitos tinham se convertido ao Cristianismo, inúmeros eram católicos e protestantes há mais de duas gerações: “Um grande número de alemães não tinha a menor idéia de que corria sangue judeu em suas veias”O plano de Adolf Hitlerera acabar com os judeus na Alemanha, na Europa, no mundo inteiro.

Mas para isso, era preciso identificar que era judeu e localizá-los. Informações que só um COMPUTADOR seria capaz de organizar com rapidez e eficiência. Mas em 1933, não havia computadores… “ Mas existia a IBM”, diz Edwin.

CARTÕESperfurados selaram o destino de 6.000.000 de judeus. Era o sistema Hollerith, criado e administrado pela IBM.

Edwin Black acusa: “FOI A UNIÃO DA IBM E HITLER QUE PERMITIU O HOLOCAUSTO. Os detalhes estão no livro: “A IBMe o Holocausto”, que se encontra nas livrariasde 40 países, inclusive no Brasil.

30/01/1933: Hitler tem o poder absoluto na Alemanha. Os nazistas marcham, vitoriosos. Aclamam o líder. Nos discursos, o “Fuhrer” deixa claro: quer o extermínio dos judeus. São 9.000.000 em toda a Europa. Hitler conseguiu identificar cada um deles.

6.000.000 foram mortos, graças a uma máquina que vinha direto da IBM em Nova Iorque, acusa Edwin Black. O jornalista e escritor afirma que o holocausto dependeu inteiramente da tecnologia da IBM.A IBM (norte-americana) produzia CARTÕES perfurados chamados hollerith no BRASIL.

O CARTÃO possui o NOME, o Nº da PESSOA e o CARIMBO: “registrado na fábrica Hollerith”.

A marca da fábrica é pequena, mas visível. Os cartões podiam ter de 20 a 80 colunas e 10 linhas, que podiam ser armados em diversas configurações. Intercalar colunas e linhas permitia dezenas e dezenas de combinações.

Cada perfuração correspondia a um número, um código.NOME, RAÇA, RELIGIÃO, CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, RESIDÊNCIA, LOCAL DE TRABAHO, RELIGIÃO DOS PAIS, DOS AVÓS, DOS BISAVÓS.“Foi a IBM que inventou o censo racial”, ele diz”.

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