2º Catecismo da Doutrina Cristã

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2º CATECISMO DA DOUTRINA CRISTÃ
[69ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 1963, das páginas 10 a 108.

LIÇÃO PRELIMINAR

DO SINAL DA CRUZ
1. És cristão?
 
Sim; sou cristão pela graça de Deus.
2. Qual é o verdadeiro cristão?
Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a
doutrina e a lei de Jesus Cristo.
3. Como é que o homem se faz cristão?
O homem se faz cristão pelo Batismo.
4. Qual é o sinal do cristão?
O sinal do cristão é a cruz.
5. De quantos modos se faz o sinal da cruz?
O sinal da cruz se faz de dois modos: persignando-se e
benzendo-se.
6. Que é persignar-se?
Persignar-se é fazer três cruzes com o dedo polegar da mão
direita aberta: a primeira na testa; a segunda na boca; a terceira no
peito, dizendo: Pelo sinal + da santa cruz, livrai-nos Deus, + Nosso
Senhor, dos nossos + inimigos.
7. Para que se fazem estas três cruzes?
Faz-se a primeira cruz na testa, para que Deus nos livre dos
maus pensamentos; a segunda, na boca, para que Deus nos livre
das más palavras, e a terceira no peito, para que Deus nos livre das
más obras, que nascem do coração.
8. Que é benzer-se?
Benzer-se é fazer uma cruz, com a mão direita aberta, da
testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome
do Pai, e do Filho, + e do Espírito Santo. Amém.
9. Por que o sinal da cruz é o sinal do cristão?
O sinal da cruz é o sinal do cristão: 1º porque serve para
distinguir os cristãos dos infiéis, e 2º porque indica os principais
mistérios da nossa fé.
10. Quais são os principais mistérios da nossa fé?
O principais mistérios da nossa fé são: 1º Unidade e Trindade
de Deus; 2º Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
11. É coisa útil fazer freqüentemente o sinal da Cruz?
Sim; fazer freqüentemente o sinal da cruz é coisa utilíssima,
porque este sinal tem a virtude de avivar a fé, repelir as tentações e
alcançar-nos de Deus muitas graças.
12. Quando devemos fazer o sinal da cruz?
Devemos fazer o sinal da cruz pela manhã, ao despertar; à
noite ao deitar; antes e depois das refeições; no princípio e no fim
de qualquer trabalho; antes de começar a oração; nas tentaç~eos e
nos perigos.
13. Que é o catecismo da doutrina cristã?
O catecismo da doutrina cristã é o compêndio de tudo quanto
Jesus Cristo nos ensinou para alcançarmos a salvação.
14. Em quantas partes se divide a doutrina cristã?
A doutrina cristã divide-se em quatro partes principais, a
saber: o Credo, a oração, os mandamentos e os sacramentos.
15. É necessário aprender a doutrina cristã?
Sim; é necessário aprender a doutrina cristã, e comentem
falta grave aqueles que, por negligência ou má vontade, não a
quiserem aprender.
PRIMEIRA PARTE
DO CREDO
LIÇÃO I
DO CREDO
1. Que é o Credo?
Credo, ou o Símbolo dos Apóstolos, é o resumo das verdades
que todo cristão deve crer.
2. Por que se chama o Credo também Símbolo dos Apóstolos?
Chama-se o Credo Símbolo dos Apóstolos. Porque é um
resumo das verdades da fé, ensinadas pelos apóstolos.
3. Quantos artigos contém o Credo?
O Credo contém doze artigos.
4. Dize o Credo distribuído por seus artigos.
1º Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da
terra;
2º E em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor;
3º O qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria
Virgem;
4º Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado,
morto e sepultado;
5º Desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos;
6º Subiu aos céus; está sentado à mão direita de Deus todopoderoso;
7º Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;
8º Creio no Espírito Santo;
9º Na Santa Igreja Católica; na comunhão dos santos;
10º Na remissão dos pecados;
11º Na ressurreição da carne;
12º Na vida eterna. Amém.
5º Somos obrigados a saber e crer explicitamente todos esses
artigos?
Sim; somos obrigados por preceito divino a saber e crer
explicitamente todas as verdades contidas nos artigos do Credo.
LIÇÃO II
DO PRIMEIRO ARTIGO DO CREDO
6. Dize o primeiro artigo do Credo.
Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
7. Quem é Deus?
Deus é um espírito perfeitíssimo, eterno, criador do céu e da
terra.
8. Por que Deus é eterno?
Deus é eterno, porque sempre existiu, não teve princípio e
não terá fim.
9. Por que Deus é criador?
Deus é criador, porque só ele criou e pode criar todas as
coisas, e por ninguém foi criado.
10. Onde está Deus?
Deus está no céu, na terra e em toda parte.
11. Deus vê todas as coisas?
Sim, Deus vê todas as coisas presentes, passadas e futuras e
até nossos pensamentos.
12. Por que Deus vê todas as coisas?
Deus vê todas as coisas, porque é infinitamente sábio e está
sempre presente em toda parte.
13. Deus tem corpo como nós?
Não; Deus não tem corpo: mas é puríssimo espírito.
14. Como criou Deus o mundo?
Deus criou o mundo com um simples ato de sua vontade, e
pode criar muitos outros mundos, porque é onipotente.
15. De que fez Deus o mundo?
Deus fez o mundo do nada.
LIÇÃO III
DA SANTÍSSIMA TRINDADE
16. Quantos deuses há?
Há um só Deus e não pode haver mais que um.
17. Quantas pessoas há em Deus?
Em Deus há três pessoas iguais e realmente distintas, que
são o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
18. Como se chama esse mistério de um Deus em três pessoas
iguais e realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo?
Chama-se o mistério da Santíssima Trindade.
19. Qual é a primeira pessoa da Santíssima Trindade?
A primeira pessoa da Santíssima Trindade é o Pai.
20. Qual é a segunda pessoa da Santíssima Trindade?
A segunda pessoa da Santíssima Trindade é o Filho.
21. Qual é a terceira pessoa da Santíssima Trindade?
A terceira pessoa da Santíssima Trindade é o Espírito Santo.
22. O Pai é Deus?
Sim; o Pai é Deus.
23. O Filho é Deus?
Sim; o Filho é Deus.
24. O Espírito Santo é Deus?
Sim; o Espírito Santo é Deus.
25. Então são três deuses?
Não; são três pessoas distintas, mas um só Deus.
26. Por que são as três pessoas da Santíssima Trindade um só
Deus?
As três pessoas da Santíssima Trindade são um só Deus,
porque todas três tem uma só e a mesma natureza divina.
27. Qual das três pessoas da Santíssima Trindade é maior, mais
poderosa e mais sábia?
As três pessoas da Santíssima Trindade são todas iguais,
porque todas tem a mesma natureza divina, o mesmo poder e a
mesma sabedoria.
28. Não existiu o Pai antes do Filho e antes do Espírito Santo?
Não; o Pai não existiu antes do Filho, nem antes do Espírito
Santo, porque todas essas três pessoas divinas são igualmente
eternas.
LIÇÃO IV
DE DEUS CRIADOR
§ 1º Dos anjos
29. Quais foram os entes mais perfeitos que Deus criou?
Os entes mais perfeitos que Deus criou foram os anjos e os
homens.
30. Que são os anjos?
Os anjos são puros espíritos, que Deus criou para sua glória e
seu serviço.
31. Em que estado Deus criou os anjos?
Deus criou os anjos em estado de inocência e santidade.
32. Perseveraram todos os anjos nesse estado?
Não; alguns anjos perseveraram no bem e outros se
revoltaram contra Deus.
33. Como se chamam os anjos que perseveraram no bem?
Os anjos que perseveraram no bem chamam-se anjos bons
ou simplesmente anjos.
34. Como se chamam os anjos que se revoltaram contra Deus?
Os anjos que se revoltaram contra Deus chamam-se anjos
maus ou demônios.
35. Como foram punidos os anjos rebeldes?
Os anjos rebeldes foram punidos com a expulsão do céu e a
condenação ao inferno.
36. Os anjos rebeldes ou demônios podem fazer-nos mal?
Sim; os demônios podem fazer-nos mal, atormentando-nos e
tentando-nos.
37. Como podemos vencer as tentações do demônio?
Podemos vencer as tentações do demônio com a oração, a
vigilância e o uso freqüente dos sacramentos.
38. Como foram recompensados os anjos bons?
Os anjos bons foram recompensados com a posse do céu
para sempre.
39. Qual é a ocupação dos anjos bons?
A ocupação dos anjos bons é adorar a Deus e executar as
suas ordens.
40. Confiou Deus a seus anjos a missão de velar sobre nós?
Sim; Deus confiou a muitos dos seus anjos a missão de velar
sobre os homens e deu a cada um de nós um anjo tutelar, que se
chama anjo da guarda.
41. Quais são as nossas obrigações para com o anjo da guarda?
Nossas obrigações para com o anjo da guarda são: honrá-lo,
invocá-lo e seguir suas inspirações.
§ 2º Do homem
42. Que é o homem?
O homem é uma criatura racional, composta de alma e corpo.
43. Que é a alma do homem?
A alma do homem é um espírito livre e imortal, criado à
imagem de Deus.
44. Por que é a alma do homem imagem de Deus?
A alma do homem é a imagem de Deus, porque é capaz de
conhecer, amar e agir livremente.
45. Como criou Deus o primeiro homem?
Deus criou o primeiro homem, formando seu corpo do limo da
terra e unindo a esse corpo uma alma imortal.
46. Como se chamou o primeiro homem?
O primeiro homem chamou-se Adão.
47. Como se chamou a primeira mulher?
A primeira mulher chamou-se Eva.
48. Como se formou Eva?
Enviou Deus um profundo sono a Adão e nesse tempo tomou
dele uma costela, de que formou o corpo de Eva e lhe deu uma
alma semelhante à de Adão.
49. Descendem todos os homens de Adão e Eva?
Sim; todos os homens descendem de Adão e Eva; e é por
isso que somos todos irmãos.
50. Para que fim foi criado o homem?
O homem foi criado pra conhecer, amar e servir a Deus neste
mundo, e depois gozá-lo para sempre no outro mundo.
51. Em que estado colocou Deus Adão e Eva?
Deus colocou Adão e Eva no estado de graça e felicidade.
52. Adão e Eva conservaram o estado de graça e felicidade?
Não; Adão e Eva não conservaram o estado de graça e
felicidade, mas perderam-no pelo pecado.
53. Qual foi o pecado de Adão e Eva?
O pecado de Adão e Eva foi o pecado de soberba e
desobediência a Deus.
54. Como desobedeceram a Deus Adão e Eva?
Adão e Eva desobedeceram a Deus, comendo de um fruto,
que o Senhor lhes tinha proibido.
55. Que resultou dessa desobediência?
Dessa desobediência resultou que Adão e Eva foram privados
da graça, expulsos do paraíso terrestre, sujeitos à morte e outras
misérias.
56. O pecado de Adão e Eva é somente de Adão e Eva?
Não; o pecado de Adão e Eva não é somente de Adão, mas é
de todos os seus descendentes.
57. Como se cham esse pecado?
Esse pecado chama-se pecado original.
58. Todos os homens contraem o pecado original?
Sim; exceto a Virgem Maria, todos os homens contraem o
pecado original.
59. Depois do pecado original todos os homens podem salvar-se?
Sim; depois do pecado original, os homens podem salvar-se,
porque Deus lhes enviou o Salvador.
60. Quem é o Salvador dos homens?
O Salvador dos homens é Nosso Senhor Jesus Cristo.
LIÇÃO V
DO SEGUNDO E TERCEIRO ARTIGOS DO CREDO
61. Dize o segundo artigo do Credo.
E em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor.
62. Quem é Jesus Cristo?
Jesus Cristo é o Filho de Deus, feito homem.
63. Que se entende por Filho de Deus?
Por Filho de Deus entende-se a segunda pessoa da
Santíssima Trindade.
64. Quem é o pai de Jesus Cristo?
O pai de Jesus Cristo é somente o Pai Eterno, isto é, a
primeira pessoa da Santíssima Trindade.
65. Não teve Jesus Cristo também um pai na terra?
Não; Jesus Cristo não teve pai na terra, mas somente mãe,
que é a Virgem Maria.
66. Dize o terceiro artigo do Credo.
O qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu da Maria
Virgem.
67. Como se fez homem o Filho de Deus?
O Filho de Deus se fez homem, tomando corpo e alma
humanos nas puríssimas entranhas da Virgem Maria, por obra do
Espírito Santo.
68. Como se chama este mistério?
Chama-se mistério da Encarnação.
69. Quando se fez homem, o Filho de Deus deixou de ser Deus?
Não; quando o Filho de Deus se fez homem não deixou de ser
Deus; permaneceu verdadeiro Deus e começou a ser também
verdadeiro homem.
70. Então quantas naturezas há em Jesus Cristo?
Em Jesus Cristo há duas naturezas distintas: a natureza
divina e a natureza humana.
71. Há também duas pessoas em Jesus Cristo?
Não; em Jesus Cristo há uma só pessoa, que é a do Filho de
Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade.
72. Para que se fez homem o Filho de Deus?
O Filho de Deus se fez homem para nos salvar.
73. Onde nasceu Jesus Cristo?
Jesus Cristo nasceu em Belém e foi colocado num presépio.
74. Quantos anos viveu Jesus Cristo?
Jesus Cristo viveu trinta e três anos.
75. A Santíssima Virgem pode chamar-se Mãe de Deus?
A Santíssima Virgem pode e deve chamar-se Mãe de Deus,
porque é Mãe de Jesus Cristo, que é Deus.
76. Maria, sendo mãe, ficou sempre virgem?
Sim; Maria foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem
depois do parto.
77.Quem era S. José?
S. José era o esposo de Maria Santíssima e guarda de Jesus
Cristo.
78. Por que se chama S. José pai de Jesus Cristo?
S. José se chama pai de Jesus Cristo por ser esposo de Maria
Santíssima e porque exercia a missão de pai sobre ele.
LIÇÃO VI
DO QUARTO, QUINTO E SEXTO ARTIGOS DO CREDO
79. Dize o quarto artigo do Credo.
Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto
e sepultado.
80. Qual o fim por que Jesus Cristo padeceu, foi crucificado, morto
e sepultado?
Jesus Cristo padeceu, foi crucificado, morto e sepultado para
nos salvar.
81. Como padeceu Jesus Cristo?
Jesus Cristo padeceu tristeza, dores e o suplício da cruz.
82. Como morreu Jesus Cristo?
Jesus Cristo morreu pregado na cruz.
83. Em que dia morreu Jesus Cristo?
Jesus Cristo morreu na Sexta-feira Santa às três horas da
tarde.
84. Jesus Cristo padeceu e morreu enquanto Deus ou enquanto
homem?
Jesus Cristo padeceu e morreu enquanto homem, porque
enquanto Deus não podia padecer nem morrer.
85. Como se chama o mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo?
Chama-se o mistério da Redenção.
86. Que se fez do corpo de Jesus Cristo depois de sua morte?
Depois da morte de Jesus Cristo, seu corpo foi sepultado.
87. Dize o quinto artigo do Credo.
Desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.
88. Que quer dizer “desceu aos infernos”?
“Desceu aos infernos” quer dizer que, depois da morte de
Jesus Cristo, sua alma desceu ao limbo.
89. Que quer dizer o limbo, ao qual desceu Jesus Cristo?
O limbo, ao qual desceu Jesus Cristo, quer dizer o lugar onde
estavam as almas dos justos esperando a redenção.
90. Para que desceu Jesus Cristo ao limbo?
Jesus Cristo desceu ao limbo para consolar e livrar as almas
dos justos.
91. Quantos dias esteve morte Jesus Cristo?
Jesus Cristo esteve morto três dias incompletos, a saber,
parte da sexta-feira, todo o dia de sábado e parte do domingo.
92. Que fez Jesus Cristo depois dos três dias de sua morte?
Jesus Cristo, depois dos três dias de sua morte, ressuscitou
glorioso e triunfante, para nunca mais morrer.
93. Que quer dizer: ressuscitou?
Ressuscitou quer dizer que a alma de Jesus Cristo se reuniu a
seu corpo.
94. Em que dia Jesus Cristo ressuscitou?
Jesus Cristo ressuscitou na madrugada do dia de Páscoa.
95. Dize o sexto artigo do Credo.
Subiu aos céus, está sentado à mão direita de Deus Pai todopoderoso.
96. Quantos dias esteve Jesus Cristo na terra depois da sua
ressurreição?
Depois da sua ressurreição, Jesus Cristo esteve na terra
quarenta dias.
97. Por que ficou Jesus Cristo na terra quarenta dias depois da sua
ressurreição?
Jesus Cristo ficou na terra quarenta dias depois da sua
ressurreição, para confirmar seus discípulos na fé.
98. Depois de quarenta dias, para onde foi Jesus Cristo?
Depois de quarenta dias, Jesus Cristo subiu aos céus.
99. Jesus Cristo subiu aos céus por si mesmo?
Sim; Jesus Cristo subiu aos céus por si mesmo, em virtude de
seu próprio poder.
100. Como se chama o mistério da subida de Jesus Cristo aos
céus?
O mistério da subida de Jesus Cristo aos céus chama-se
mistério da Ascensão.
101. Que querem dizer as palavras: está sentado à direita de Deus
Pai todo-poderoso?
As palavras: “está sentado à direita de Deus Pai todopoderoso”,
querem dizer que Jesus Cristo no céu tem lugar de
honra, igual a Deus, sobre todas as criaturas.
LIÇÃO VII
DO SÉTIMO E OITAVO ARTIGOS DO CREDO
102. Dize o sétimo artigo do Credo.
Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
103. Que querem dizer estas palavras: donde há de vir a julgar os
vivos e os mortos?
Estas palavras querem dizer que, no fim do mundo, Jesus
Cristo descerá visivelmente à terra, para julgar todos os homens.
104. Que fará Jesus Cristo, nesse dia terrível?
Nesse dia terrível, Jesus Cristo manifestará a todas as
criaturas o bem e o mal que fizeram e dará o prêmio aos bons e o
castigo aos maus.
105. Como se chama esse juízo?
Esse juízo chama-se juízo universal.
106. Quando se fará o juízo universal?
O juízo universal será no fim do mundo.
107. Quando será o fim do mundo?
Na terra ninguém sabe quando será o fim do mundo.
108. Antes do juízo universal há outro juízo?
Sim; antes do juízo universal há o juízo particular para cada
um, logo depois da morte.
109. Para onde irá a alma depois do juízo particular?
Depois do juízo particular, a alma irá ou para o céu, ou pra o
inferno, ou pra o purgatório.
110. Qual é a alma que vai para o céu, logo depois do juízo
particular?
A alma que vai para o céu, logo depois do juízo particular, é a
alma que está livre de todo pecado e não tem pena alguma para
descontar.
111. Qual é a alma que vai para o inferno, logo depois do juízo
particular?
A alma que vai para o inferno, logo depois do juízo particular,
é a alma que está em pecado mortal.
112. Qual é a alma que vai para o purgatório, logo depois do juízo
particular?
A alma que vai para o purgatório, logo depois do juízo
particular, é a alma que tem ainda algum pecado venial ou alguma
pena que descontar.
113. Que é o purgatório?
Purgatório é o lugar onde as almas dos justos se purificam
114. Podemos nós abreviar a duração das penas das almas do
purgatório?
Sim; podemos abreviar a duração das penas das almas do
purgatório: com orações, boas obras, indulgências e principalmente
com o santo sacrifício da Missa.
115. Dize o oitavo artigo do Credo?
Creio no Espírito Santo.
116. Quem é o Espírito Santo?
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade.
117. Qual é a obra que se atribui especialmente ao Espírito Santo?
A obra que se atribui especialmente ao Espírito Santo é a
santificação das alma.
118. Por que se costuma figurar o Espírito Santo em forma de
pomba?
Costuma-se figurar o Espírito Santo em forma de pomba, por
que foi assim que o Espírito Santo se mostrou no batismo de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
119. O Espírito Santo não se mostrou outras vezes aos homens de
modo visível?
Sim; o Espírito Santo mostrou-se outras vezes de modo
visível aos homens, principalmente no dia de Pentecostes.
120. Como se mostrou o Espírito Santo no dia de Pentecostes?
O Espírito Santo, no dia de Pentecostes, se mostrou em
línguas de fogo descendo sobre os apóstolos.
121. Que efeito produziu o Espírito Santo nos apóstolos?
O efeito que o Espírito Santo produziu nos apóstolos foi o de
enchê-los de luz, de força e de todos os seus dons, para
anunciarem o Evangelho e propagarem a Igreja de Jesus Cristo.
LIÇÃO VIII
DO NONO ARTIGO DO CREDO
122. Dize o nono artigo do Credo.
Na Santa Igreja, na comunhão dos santos.
123. Que é a Santa Igreja Católica?
A Santa Igreja Católica é a sociedade de todos os cristãos
que professam a mesma fé e recebem os mesmos sacramentos,
sob a obediência aos legítimos pastores e principalmente do Papa.
124. Quem fundou a Igreja?
Quem fundou a Igreja foi Jesus Cristo.
125. São todos os homens obrigados a pertencer à Igreja?
Sim; todos os homens são obrigados a pertencer à Igreja,
porque Jesus Cristo o manda, e fora da mesma ninguém pode
salvar-se.
126. Que é necessário para pertencer à Igreja?
Para pertencer à Igreja Católica é necessário ser batizado,
professar a doutrina e a lei de Jesus Cristo, participar dos seus
sacramentos, prestar obediência ao Papa e aos legítimos pastores.
127. Quais são os legítimos pastores da Igreja?
Os legítimos pastores da Igreja são: o Papa e os Bispos.
128. Quem mais toma também parte no ofício de pastores da
Igreja?
Tomam também parte no ofício de pastores da Igreja os
sacerdotes e principalmente os párocos.
129. Quem é o Papa?
O Papa, que chamamos também Romano Pontífice, é o
vigário de Jesus Cristo na terra, o chefe visível da Igreja.
130. Pode a Igreja errar, quando nos manda crer alguma coisa?
Não; a Igreja não pode errar quando nos manda crer alguma
coisa, porque é assistida e guiada pelo Espírito Santo, e por isso é
infalível.
131. E o Papa também é infalível?
Sim; o Papa é infalível.
132. Quando é que o Papa é infalível?
O Papa é infalível quando, ensinando a toda a Igreja, com
autoridade apostólica, define verdades da fé e de costumes.
133. Por que motivo o Papa é infalível?
O Papa é infalível, porque tem a promessa de Jesus Cristo, e
porque é assistido pelo
Espírito Santo.
134. Quais são as obrigações dos católicos para com o Papa?
As obrigações dos católicos para com o Papa são: veneração,
amor filial, obediência.
135. Quem são os Bispos?
Os Bispos são os pastores dos fiéis nas dioceses, que regem,
sob a dependência do Papa.
136. Que é o Bispo em sua diocese?
O Bispo em sua diocese é o legítimo pastor e superior de
todos os fiéis, eclesiásticos e leigos.
137. de quem são sucessores os Papas e os Bispos?
O Papa é o sucessor de S. Pedro, príncipe dos apóstolos; os
Bispos são os sucessores dos apóstolos no poder ordinário de
governar a Igreja.
138. Quais são as obrigações dos fiéis para com os próprios
Bispos?
Todos os fiéis são obrigados a venerar, amar e honrar o
próprio Bispo, e prestar-lhe obediência em tudo que se refere à cura
das almas e ao governo da diocese.
139. Para que instituiu Jesus Cristo a Igreja?
Jesus Cristo instituiu a Igreja para todos os homens terem
nela os meios de salvação.
140. Quais são os principais meios de salvação que temos na
Igreja?
Os principais meios de salvação que temos na Igreja são:
verdadeira fé, graça pelos sacramentos, a remissão dos pecados e
a comunhão dos santos.
141. Que é a comunhão dos santos?
A comunhão dos santos é a participação dos fiéis nas orações
e outras boas obras, que se fazem na Igreja.
LIÇÃO IX
DOS TRÊS ÚLTIMOS ARTIGOS DO CREDO
142. Dize o décimo artigo do Credo.
Na remissão dos pecados.
143. Que quer dizer remissão dos pecados?
Quer dizer que Jesus Cristo deu à sua Igreja o poder de
perdoar os pecados.
144. Haverá algum pecado que a Igreja não possa perdoar?
Não; não há pecado, por grave e enorme que seja, nem
pecados tão numerosos, que a Igreja não possa perdoar.
145. Como perdoa a Igreja os pecados?
A Igreja perdoa os pecados, aplicando os merecimentos de
Jesus Cristo, por meio dos sacramentos.
146. Dize o undécimo artigo do Credo.
Na ressurreição da carne.
147. Que ensina este artigo?
Este artigo ensina que no dia do juízo todos os mortos
ressuscitarão no mesmo corpo que tiveram nesta vida.
148. Para onde irá o corpo ressuscitado no dia do juízo?
O corpo ressuscitado, no dia do juízo, se reunirá à alma, indo
com ela ou para o céu, ou para o inferno, conforme merecer.
149. Dize o décimo segundo artigo do Credo.
Na vida eterna.
150. Que se entende por vida eterna?
Por vida eterna se entende a vida que depois da presente não
tem mais fim.
151. Como será essa vida eterna?
Essa vida eterna será eternamente feliz para os bons e
eternamente desgraçada para os maus.
152. Onde viverão por toda a eternidade os bons e os maus?
Por toda a eternidade os bons hão de viver no céu e os maus
no inferno.
153. Que se goza no céu?
No céu goza-se da visão de Deus e da posse de todos os
bens sem mistura de mal.
154. Que se sofre no inferno?
No inferno sofre-se a privação de Deus, o fogo eterno e todos
os males sem mistura de bem.
155. Que significa a palavra Amém, no fim do Credo?
A palavra Amém, no fim do Credo, significa assim é, ou creio
firmemente tudo quanto contém estes doze artigos.
SEGUNDA PARTE
DA ORAÇÃO
LIÇÃO I
DA ORAÇÃO EM GERAL
1. Que é a oração?
Oração é uma elevação da alma a Deus, para adorá-lo,
agradecer e pedir-lhe as graças de que necessitamos.
2. De quantos modos pode ser a oração?
A oração pode ser de dois modos: a oração mental e a oração
vocal.
3. Como se faz a oração mental?
A oração mental se faz no íntimo do coração e da alma,
falando com Deus; chama-se também meditação.
4. Como se faz a oração vocal?
A oração vocal se faz exprimindo com palavras o sentimento
da alma e do coração.
5. É necessário fazer oração?
Sim; é necessário fazer oração freqüentemente, porque Jesus
Cristo o ordena, e o nosso bem temporal e eterno o exige.
6. Quando devemos especialmente orar?
Devemos especialmente orar no momento das tentações, dos
perigos e na hora da morte.
7. O bom cristão contenta-se com orar somente nestas ocasiões?
Não; o bom cristão deve orar todos os dias, pela manhã, ao
levantar; à noite, ao deitar-se; e antes de começar qualquer ação
importante.
8. Haverá um meio de vivermos sempre em oração?
Sim; o meio de vivermos com o espírito sempre em oração
consiste em fazermos intenção de agradar a Deus em todas as
nossas ações.
9. Podemos nós esperar obter as graças que pedimos?
Sim; podemos e devemos esperar obter as graças que
pedimos, contanto que não se oponham à nossa salvação.
10. Por que devemos esperar que Deus atenda às nossas orações?
Devemos esperar que Deus atenda às nossas orações,
porque ele mesmo o prometeu.
11. Em nome de quem devemos pedir as graças de que
necessitamos?
Devemos pedir a Deus as graças que necessitamos, em
nome de Jesus Cristo e em vista de seus merecimentos.
12. Que coisas principalmente devemos pedir a Deus?
Devemos pedir a Deus sua glória, a nossa salvação e os
meios de conseguí-la.
13. Podemos também pedir a Deus a saúde e outros bens
temporais?
Sim; podemos pedir a Deus a saúde e outros bens temporais,
sujeitando-nos, porém, à sua santíssima vontade.
14. Prometeu Jesus Cristo sua assistência especial a alguma
oração?
Sim; Jesus Cristo prometeu sua assistência especial à oração
em comum, isto é, à oração que duas ou mais pessoas fazem
juntamente.
15. Que devem então fazer as famílias cristãs, para terem a
assistência especial de Jesus Cristo?
As família cristãs, para terem a assistência especial de Jesus
Cristo, devem fazer suas orações em comum, ao menos à noite.
16. Como deve ser feita a oração?
A oração deve ser feita com espírito de fé, humildade,
confiança e perseverança.
LIÇÃO II
DO PAI-NOSSO
17. Qual é a melhor de todas as orações vocais?
A melhor de todas as orações vocais é o Pai-Nosso.
18. Por que é o Pai-Nosso a melhor de todas as orações vocais?
O Pai-Nosso é a melhor de todas as orações vocais, porque
foi composto e nos foi ensinado pelo próprio Jesus Cristo.
19. O Pai-Nosso é também a oração mais eficaz?
Sim; o Pai-Nosso é também a oração mais eficaz, porque é a
mais agradável a Deus.
20. Por que é o Pai-Nosso a oração mais agradável a Deus?
O Pai-Nosso é a oração mais agradável a Deus, porque,
rezando o Pai-Nosso, nos dirigimos a Deus com as mesmas
palavras que nos ensinou seu divino Filho.
21. Que contém o Pai-Nosso?
O Pai-Nosso contém tudo quanto devemos esperar de Deus e
lhe devemos pedir.
22. Dize o Pai-Nosso.
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso
nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim
na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje; e
perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos
nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrainos
do mal. Amém.
23. Chamamos a Deus “Pai nosso”?
Sim; chamamos a Deus “Pai nosso”, porque Deus é nosso
Pai.
24. Por que Deus é nosso Pai?
Deus é nosso Pai, porque nos criou, e, pelo batismo, nos
adotou por filhos.
25. Por que dizemos a Deus: que estais nos céus; não etá Deus em
todo lugar?
Dizemos: “Pai nosso, que estais nos céus” para levantar
nossos corações para o céu, onde Deus manifesta especialmente
sua glória.
26. Quantas petições fazemos a Deus, no Pai-Nosso?
No Pai-Nosso fazemos a Deus sete petições.
27. Quais são as sete petições no Pai-Nosso?
As sete petições no Pai-Nosso são:
1ª Santificado seja o vosso nome;
2ª Venha a nós o vosso reino;
3ª Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;
4ª O pão nosso de cada dia nos daí hoje;
5ª Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós
perdoamos aos nossos devedores.
6ª Não nos deixeis cair em tentação;
7ª Mas livrai-nos do mal. Amém.
28. Que pedimos a Deus nas sete petições do Pai-Nosso?
Nas quatro primeiras petições pedimos a Deus o bem; nas
três últimas, pedimos a Deus que nos livre do mal.
29. Que pedimos na primeira petição: Santificado seja o vosso
nome?
Na primeira petição pedimos a Deus que seu nome seja
santificado, isto é, seja conhecido, louvado e honrado por todo o
mundo.
30. Que pedimos na segunda petição: Venha a nós o vosso reino?
Na segunda petição pedimos a Deus que venha o seu reino,
isto é, que se propague e se dilate a sua Igreja.
31. Que pedimos na terceira petição: Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu?
Na terceira petição pedimos a Deus que seja feita a sua
santíssima vontade, isto é, que seja executada a sua lei e
respeitados os seus mandamentos.
32. Que pedimos na quarta petição: O pão nosso de cada dia nos
daí hoje?
Na quarta petição pedimos o alimento para a alma e para o
corpo, isto é, para a vida espiritual e para a temporal.
33. Que pedimos na quinta petição: Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores?
Na quinta petição pedimos a Deus que nos perdoe os
pecados, e nós nos comprometemos a perdoar aos que nos
ofenderam.
34. Que pedimos na sexta petição: Não nos deixeis cair em
tentação?
Na sexta petição pedimos a Deus que não nos deixe sucumbir
às tentações.
35. Que pedimos na sétima petição: Mas livrai-nos do mal?
Na sétima petição pedimos a Deus que nos livre dos males
espirituais e temporais.
36. Que significa a última palavra – Amém – no fim do Pai-Nosso?
A última palavra – Amém – no fim do Pai-Nosso significa:
assim seja, assim desejo, assim espero, conceda-me Deus o que
lhe pedi.
LIÇÃO III
DA AVE-MARIA
37. Que outra oração costumamos dizer depois do Pai-Nosso?
Depois do Pai-Nosso, costumamos dizer a Ave-Maria, para
pedir a proteção da Santíssima Virgem.
38. Dize a Ave-Maria.
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois
vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na
hora da nossa morte. Amém.
39. Por que depois do Pai-Nosso dizemos a Ave-Maria?
Depois do Pai-Nosso dizemos de preferência a Ave-Maria,
porque Maria Santíssima é a mais poderosa advogada que
podemos ter junto do seu divino Filho.
40. Por que devemos ter confiança na proteção de Maria
Santíssima?
Devemos ter confiança na proteção de Maria Santíssima,
porque ela é a Mãe de Jesus e é também nossa Mãe.
41. Por que é Maria Santíssima também nossa Mãe?
Maria Santíssima é também nossa Mãe, porque Jesus Cristo,
na cruz, no-la deu por Mãe.
42. Como havemos de merecer a proteção de Maria Santíssima?
Havemos de merecer a proteção de Maria Santíssima,
amando-a, invocando-a e imitando-lhe as virtudes.
43. Qual é a devoção mais agradável a Maria Santíssima?
A devoção mais agradável a Maria Santíssima é o Rosário.
44. Como se reza o Rosário?
Reza-se o Rosário, meditando em cada mistério e dizendo em
memória de cada um deles um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um
Glória ao Pai.
45. É coisa útil recorrer à intercessão dos santos?
Sim; é coisa utilíssima recorrer à intercessão dos santos,
porque as súplicas dos santos são muito agradáveis a Deus.
46. A que santos, de preferência, nos devemos encomendar?
Devemos encomendar-nos a S. José, patrono da Igreja
universal; ao santo do nosso nome; aos santos protetores da
diocese e da paróquia a que pertencemos; e ao santo anjo da
guarda.
47. Com que oração havemos de pedir a proteção do anjo da
guarda?
Podemos pedir a proteção do anjo da guarda com a seguinte
oração: Anjo de Deus , que por divina piedade sois minha guarda e
proteção, inspirai-me, defendei-me, dirigi-me e governai-me. Amém.
A antiga versão portuguesa é:
Santo anjo do Senhor,
Meu zeloso guardador,
Se a ti me confiou
a piedade divina,
Sempre me rege e guarda,
Governa e ilumina.
48. Quando é que devemos de um modo particular pedir a proteção
do anjo da guarda?
Devemos pedir a proteção do anjo da guarda, ao levantar-nos,
pela manhã, e ao deitar-nos, à noite; ao sair de casa, ao
empreender uma viagem, nos perigos, etc.
TERCEIRA PARTE
DOS MANDAMENTOS DE DEUS E DA IGREJA
LIÇÃO I
DOS MANDAMENTOS DE DEUS EM GERAL
1. Quantos são os mandamentos da lei de Deus?
Os mandamentos da lei de Deus são dez:
1º Amar a Deus sobre todas as coisas;
2º Não tomar seu santo nome em vão;
3º Guardar os domingos e festas;
4º Honrar pai e mãe;
5º Não matar;
6º Não pecar contra a castidade;
7º Não furtar;
8º Não levantar falso testemunho;
9º Não cobiçar as coisas alheias;
10º Não cobiçar as coisas alheias.
2. Quem deu estes mandamentos?
Deu estes mandamentos o próprio Deus na lei antiga,
gravados em duas tábuas de pedra, e Jesus Cristo os confirmou na
nova lei.
3. Podemos nós observar estes mandamentos?
Sim; podemos observar estes mandamentos com a graça de
Deus.
4. Somos obrigados a observar os mandamentos da lei de Deus?
Sim; somos obrigados a observar os mandamentos da lei de
Deus, e basta pecar gravemente contra um só deles para
merecermos o inferno?
5. Que contem estes mandamentos?
Estes mandamentos contem nossas principais obrigações
para com Deus e para com o próximo.
6. Qual é a nossa principal obrigação para com Deus?
Nossa principal obrigação para com Deus é amá-lo de todo o
coração e sobre todas as coisas.
7. Qual é a nossa principal obrigação para com o próximo?
Nossa principal obrigação para com próximo é amá-lo como a
nós mesmos, por amor de Deus.
8. Que ordena Deus em geral nos seus mandamentos?
Deus, nos seus mandamentos, nos ordena que façamos o
bem e evitemos o mal; e por isso cada mandamento contém um
preceito e uma proibição.
DOS MANDAMENTOS DE DEUS EM PARTICULAR
LIÇÃO II
DOS MANDAMENTOS QUE SE REFEREM A DEUS
9. Que nos ordena o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre
todas as coisas?
O primeiro mandamento nos manda adorar, amar e servir a
Deus como nosso único e soberano senhor.
10. Que nos proíbe o primeiro mandamento?
O primeiro mandamento no proíbe a idolatria, a superstição, o
sacrilégio e qualquer pecado contra a religião.
11. Que é a idolatria?
A idolatria, proibida no primeiro mandamento, é prestar à
criatura o culto de adoração, devido somente a Deus.
12. Não podemos, então, prestar culto aos anjos e aos santos?
Sim; podemos prestar culto de veneração aos anjos e aos
santos, porque são amigos de Deus e nossos intercessores junto
dele.
13. Podemos também honrar as sagradas imagens e as relíquias
dos santos?
Sim; podemos também prestar culto às imagens e às relíquias
dos santos, porque o culto, que lhes atribuímos, se refere aos
mesmos santos.
14. Que é a superstição, proibida no primeiro mandamento?
A superstição, proibida no primeiro mandamento, é toda e
qualquer prática ou devoção contrária à doutrina e uso da Igreja,
como sejam as cenas de adivinhação, os amuletos, etc.
15. Que é o sacrilégio?
Sacrilégio é a profanação de uma pessoa, de um lugar ou de
um objeto consagrado a Deus ou destinado ao culto.
16. Que outras coisas proíbe o primeiro mandamento?
O primeiro mandamento proíbe ainda todo e qualquer trato
com o demônio e a agregação a seitas anticristãs ou sociedades
secretas.
17. Quem, então, recorrer ao demônio, comete um pecado grave?
Sim; quem recorrer ao demônio ou invocá-lo comete um
pecado gravíssimo, porque o demônio é o maior inimigo de Deus e
do homem.
18. É lícito consultar as almas dos mortos por meio de mesas e
outras práticas?
Absolutamente não; não é lícito de modo algum consultar as
almas dos mortos por meio de mesas e outras práticas do
espiritismo, porque todas estas práticas são rigorosamente
proibidas pela Igreja.
19. Que nos proíbe o segundo mandamento: Não tomar seu santo
nome em vão?
O segundo mandamento nos proíbe:
1º Pronunciar o nome de Deus com irreverência;
2º fazer juramentos falsos, vãos, ou de qualquer modo ilícitos;
3º Blasfemar contra Deus, contra a Santíssima Virgem e
contra os santos.
20. Que nos manda o segundo mandamento?
O segundo mandamento nos manda honrar o santo nome de
Deus, cumpir os votos e os juramentos.
21. Que manda o terceiro mandamento: Guardar domingos e
festas?
O terceiro mandamento nos manda honrar a Deus com obras
de piedade cristã, nos domingos e dias santos.
22. Qual é a obra de piedade cristã obrigatória, nos domingos e dias
santos?
A obra de piedade cristã obrigatória nos domingos e dias
santos é a assistência devota à Santa Missa.
23. Que nos proíbe o terceiro mandamento?
O terceiro mandamento nos proíbe as obras servis e qualquer
trabalho que impeça o culto de Deus.
24. Que se entende por obras servis?
As obras servis são o trabalho braçal e outros, próprios dos
servos, artífices e operários.
25. É permitida alguma obra servil aos domingos e dias santos?
As obras servis são permitidas aos domingos e dias santos,
quando são necessárias para a sustentação da vida e quando se
fazem por motivo grave, com licença do próprio pároco, se for
possível.
LIÇÃO III
DOS MANDAMENTOS QUE SE REFEREM AO PRÓXIMO
26. Que nos manda o quarto mandamento?
O quarto mandamento nos manda respeitar pai e mãe,
obedecer-lhes em tudo que não for pecado, e socorrê-los em suas
necessidades espirituais e temporais.
27. Que nos proíbe o quarto mandamento?
O quarto mandamento nos proíbe ofender nossos pais com
palavras e obras e de qualquer outro modo.
28. Que mais nos prescreve o quarto mandamento?
O quarto mandamento nos prescreve também o respeito e a
obediência a todos os nossos superiores, eclesiásticos e civis.
29. Devemos então respeitar e obedecer a todas as leis, impostas
pela autoridade civil?
Sim; devemos respeitar e obedecer a todas as leis impostas
pela autoridade civil, contanto que não sejam contrárias à lei de
Deus.
30. Que outras obrigações nos impõe o quarto mandamento para
com a sociedade civil?
O quarto mandamento impõe-nos a obrigação de, na medida
de nossas forças, promovermos a prosperidade e o bem da
sociedade civil, onde nascemos, que é a nossa pátria.
31. De que modo concorremos para a prosperidade de nossa
pátria?
Concorremos eficazmente para a prosperidade da nossa
pátria, se procurarmos que ela seja governada por cidadãos
idôneos, respeitadores da religião e da moral.
32. Que havemos de fazer para que nossa pátria seja bem
governada por cidadãos idôneos, respeitadores da religião?
Para que nossa pátria seja governada por cidadãos idôneos,
respeitadores da religião e da moral, devemos exercer o direito do
voto, segundo os restritos ditames da consciência.
33. Quais são os ditames da consciência com relação ao direito do
voto?
Os ditames da reta consciência com relação ao direito do voto
são que ela não nos permita concorrer com o voto para a eleição de
homens sem capacidade, sem religião, sem moral, filiados a seitas
inimigas da Igreja.
34. Que nos proíbe o quinto mandamento: Não matar?
O quinto mandamento nos proíbe matar e de qualquer modo
ofender o próximo.
35. Este mandamento proíbe também o suicídio?
Sim; o quinto mandamento nos proíbe certamente o suicídio,
porque o homem não é senhor de sua vida, como não o é da vida
do próximo.
36. Que pecado comete o suicida?
O suicida comete um gravíssimo crime contra Deus, contra a
sociedade e contra si próprio; por isso a Igreja nega ao suicida a
sepultura eclesiástica.
37. O quinto mandamento proíbe também o duelo?
Sim; o quinto mandamento proíbe também o duelo, porque o
duelo participa da malícia do suicídio e do homicídio.
38. Com que pena a Igreja pune os que se batem em duelo?
Os que se batem em duelo, as testemunhas e os
espectadores, todos incorrem em excomunhão.
39. Que nos manda o quinto mandamento?
O quinto mandamento nos manda perdoar os nossos inimigos
e querer bem a todos.
40. Que nos proíbe o sexto mandamento: Não pecar contra a
castidade?
O sexto mandamento nos proíbe qualquer ato, vista, palavra
ou pensamento contra a castidade.
41. Que nos manda o sexto mandamento?
O sexto mandamento nos manda ser puros em pensamentos,
palavras e obras e até na vista e em todo o nosso porte.
42. Que nos proíbe o sétimo mandamento: Não furtar?
O sétimo mandamento nos proíbe tirar e reter injustamente o
alheio; e de qualquer modo causar dano ao próximo nos seus bens,
como: por usura, dolo, fraude, etc.
43. Que nos manda o sétimo mandamento?
O sétimo mandamento nos manda pagar as dívidas e restituir
o alheio, quer furtado, quer achado, e pagar o justo salário aos
operários.
44. Que nos proíbe o oitavo mandamento: Não levantar falso
testemunho?
O oitavo mandamento nos proíbe dar testemunho falso em
juízo; proíbe mais a detração, a calúnia, a adulação, o juízo e a
suspeita temerária e qualquer espécie de mentira.
45. Que nos manda o oitavo mandamento?
O oitavo mandamento nos manda dizer, em tempo e lugar, a
verdade; interpretar bem, quanto pudermos, os atos do nosso
próximo.
46. Que nos proíbe o nono mandamento: Não desejar a mulher do
próximo?
O nono mandamento nos proíbe os maus desejos e todos os
pecados internos contra a virtude da pureza.
47. Que nos manda o nono mandamento?
O nono mandamento nos manda ser castos e puros mesmo
internamente.
48. Que nos proíbe o décimo mandamento: Não cobiçar as coisas
alheias?
O décimo mandamento nos proíbe o desejo desregrado de
possuir as coisas alheias, e a intenção de adquirí-las por meios
ilícitos.
49. Que nos manda o décimo mandamento?
O décimo mandamento nos manda ter o coração desprendido
dos bens terrenos e que nos conservemos resignados na condição
em que Deus nos colocou.
LIÇÃO IV
DOS MANDAMENTOS DA IGREJA
50. Que outros mandamentos devemos observar, além dos
mandamentos de Deus?
Além dos mandamentos de Deus, devemos observar os
mandamentos da Igreja.
51. Quem deu à Igreja o poder de fazer mandamentos?
Quem deu à Igreja o poder de fazer mandamentos foi Jesus
Cristo.
52. Somos obrigados a obedecer à Igreja?
Sim; somos obrigados a obedecer a Igreja, porque Jesus
Cristo no-lo ordena.
53. Em que idade começa a obrigação de observar os
mandamentos da Igreja?
A obrigação de observar os mandamentos da Igreja começa
geralmente desde o uso da razão.
54. Quantos são os mandamentos da Igreja?
Os principais e mais comuns mandamentos da Igreja são
cinco:
1º Ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda;
2º Confessar-se ao menos uma vez cada ano;
3º Comungar aos menos uma vez pela Páscoa da
Ressurreição;
4º Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre
Igreja;
5º Pagar dízimo segundo o costume.
55. Que nos manda o primeiro mandamento da Igreja: Ouvir Missa
inteira nos domingos e festas de guarda?
O primeiro mandamento da Igreja mandanos ouvir Missa com
atenção, do começo até ao fim, todos od domingos e festas de
preceito.
56. Que nos manda o segundo mandamento da Igreja: Confessarse
ao menos uma vez cada ano?
O segundo mandamento da Igreja obriga todos os cristãos,
que tiverem o uso da razão, a se confessarem ao menos uma vez
cada ano.
57. Qual é o tempo mais oportuno para cumprir o preceito anual da
confissão?
O tempo mais oportuno para cumprir o preceito anual da
confissão é a Quaresma.
58. Que nos manda o terceiro mandamento da Igreja: Comungar ao
menos pela Páscoa da Ressurreição?
O terceiro mandamento da Igreja obriga a todos, que
atingiram a idade da discrição, a fazer a comunhão cada ano no
tempo pascal.
59. Por que diz a Igreja que nos confessemos AO MENOS uma vez
cada ano e comunguemos AO MENOS pela Páscoa da
Ressurreição?
A Igreja diz: ao menos, para nos dar a conhecer que ela
deseja que nos confessemos e comunguemos freqüentemente.
60. É coisa útil, então, comungar freqüentemente?
Sim; a comunhão freqüente e até cotidiana é prática utilíssima
e até muito recomendada pela Igreja.
61. Que se entende aqui por tempo pascal?
Por tempo pascal se entende aqui o tempo que vai de
Domingo de Ramos até à oitava da Páscoa.
62. Em que tempo do ano podemos satisfazer no Brasil a obrigação
da comunhão pascal?
Podemos satisfazer no Brasil a obrigação da comunhão
pascal a começar da dominga da Setuagésima até à festa de Nossa
Senhora do Carmo (16 de julho).
63. Que nos manda o quarto mandamento da Igreja: Jejuar e
abster-se de carne, quando manda a Santa Madre Igreja?
O quarto mandamento da Igreja nos manda jejuar na
Quaresma, nas quatro têmporas e nas vigílias de preceito e absterse
de carne nos dias de abstinência.
64. Quem está obrigado a jejuar?
Está obrigado a jejuar todo cristão desde a idade de vinte e
um anos completos até à idade de sessenta anos.
65. Em que consiste o jejum?
O jejum consiste em fazer uma só refeição ao dia.
66. Nos dias de jejum permite a Igreja alguma outra refeição?
Sim; nos dias de jejum permite a Igreja outra refeição, isto é, a
consoada, que em geral não deve ir além de 250 gramas e na qual
nunca é permitido comer carne.
67. A que horas poderá ser feita a consoada?
A consoada poderá ser feita à tardinha ou à noite, quando o
jantar for pelo meio-dia; ou então pelo meio-dia, ou pouco antes,
quando o jantar for à tardinha ou à noite.
68. Permite a Igreja mais algum alimento nos dias de jejum?
Sim; por condescendência permite a Igreja, nos dias de jejum,
que na hora do café se possa tomar chá, café e até chocolate com
pão, contanto que não passe de 60 gramas.
69. Quais são os alimentos proibidos nos dias de jejum?
Nos dias de jejum proíbe-se a carne, na consoada, e toda
sorte de alimentos sólidos, fora das refeições.
70. Que nos proíbe o quarto mandamento da Igreja?
O quarto mandamento da Igreja proíbe aos fiéis comer carne
nos dias de abstinência e fazer mais de uma só refeição nos dias de
jejum.
71. Há alguma dispensa geral para os fiéis do Brasil?
Sim; no Brasil, em geral, os fiéis são dispensados da lei do
jejum e da abstinência em todos os dias de preceito, à exceção dos
seguintes:
1. Dias de jejum com abstinência de carne: Quarta-feira de
Cinzas; Sexta-feira Santa; Vigília da Assunção e Sexta-feira das
Têmporas do Advento.
2. Dias de abstinência de carne: todas as Sextas-feiras da
Quaresma.
72. Por que prescreveu a Igreja a lei do jejum e da abstinência?
A Igreja prescreveu a lei do jejum e da abstinência para
ajudar-nos a fazer penitência dos nossos pecados, a vencer as
nossas paixões e conseguir as graças de Deus.
73. Como se observa o quinto mandamento da Igreja: Pagar
dízimos segundo o costume?
Observa-se o quinto mandamento da Igreja contribuindo com
o necessário para o sustento do culto e dos ministros da religião, na
forma costumada, ou como determina a Igreja.
LIÇÃO V
DO PECADO
74. Tendo percorrido os mandamentos da lei de Deus e da Igreja,
dize-me: que ordena Deus em geral, nos seus mandamentos?
Deus ordena em seus mandamentos que façamos o bem e
evitemos o mal.
75. Que mal devemos evitar?
Devemos evitar o pecado, que o maior mal do mundo.
76. Que é o pecado?
O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus.
77. Quantas sortes há de pecado?
Há duas sortes de pecado: o pecado original e o atual.
78. Que é o pecado original?
O pecado original é o pecado com que todos nós nascemos, e
que contraímos por herança, como descendentes de Adão.
79. Todas as criaturas humanas foram manchadas pelo pecado
original?
Sim; com exceção de Maria Santíssima, que, por singular
privilégio, foi preservada do pecado original.
80. Que título deu a Igreja a Maria Santíssima, por causa desse
privilégio?
Por causa desse privilégio, a Igreja deu a Maria Santíssima o
título de Imaculada.
81. Que é o pecado atual?
O pecado atual é o que cometemos depois de ter chegado ao
uso da razão.
82. Como se divide o pecado atual?
O pecado atual se divide em mortal e venial.
83. Que é o pecado mortal?
O pecado mortal é uma desobediência grave, feita à lei de
Deus, com plena advertência do entendimento e consentimento da
vontade.
84. Por que se chama mortal esse pecado?
Chama-se mortal esse pecado, porque dá a morte à alma,
privando-a da vida da graça santificante e tornando-a merecedora
do inferno.
85. Que males causa à alma o pecado mortal?
O pecado mortal:
1º Priva a alma da graça e da amizade de Deus;
2º fá-la perder o céu e merecer o inferno;
3º tira-lhe o merecimento das boas obras e a torna incapaz de
adquirir outros.
86. Quem perdeu a graça de Deus pelo pecado poderá de novo
conseguí-la?
Sim; quem perdeu a graça de Deus pelo pecado poderá de
novo conseguí-la pelo sacramento da Confissão, ou por um ato de
contrição perfeita com o propósito de confessar-se.
87. Que é o pecado venial?
O pecado venial é uma desobediência à lei de Deus em
matéria leve; ou, ainda, uma desobediência em matéria grave, sem
perfeita advertência ou sem pleno consentimento da vontade.
88. Por que se chama venial esse pecado?
Chama-se venial esse pecado, porque, em relação ao pecado
mortal, é uma culpa leve, que mais facilmente consegue de Deus o
perdão.
89. De quantos modos se pode pecar?
Pode-se pecar de quatro modos: por pensamentos, palavras,
obras e omissões.
90. Como se peca por pensamentos, palavras e obras?
Peca-se por pensamentos, palavras e obras quando, por
advertência e consentimento da vontade, se pensa, deseja, se diz
ou se pratica alguma coisa proibida pela lei de Deus.
91. Como se peca por omissão?
Peca-se por omissão faltando voluntariamente ao próprio
dever ou às obrigaç~eos do próprio estado.
LIÇÃO VI
DOS VÍCIOS CAPITAIS
92. Quantos são os vícios capitais?
O vícios capitais são sete:
1º Soberba; 4º Ira;
2º Avareza; 5º Gula
3º Luxúria; 6º Inveja;
7º Preguiça.
93. Por que se chamam capitais esses vícios?
Esses vícios chamam-se capitais porque são a origem e a
fonte de todos os pecados.
94. Como se vencem esses vícios?
Esses vícios se vencem com as virtudes que lhes são
opostas:
a soberba se vence com a humildade;
a avareza se vence com a liberalidade;
a luxúria se vence com a castidade;
a ira, com a paciência;
a gula, com a abstinência;
a inveja, com a caridade;
a preguiça, com a diligência.
DOS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
95. Quantos são os pecados contra o Espírito Santo?
Os pecados contra o Espírito Santo são seis:
1º Desesperação da salvação;
2º Presunção se se salvar sem merecimentos;
3º Negar a verdade conhecida como tal;
4º Ter inveja das mercês que Deus fez a outrem;
5º Obstinação no pecado;
6º Impenitência final.
96. Por que se chamam contra o Espírito Santo estes pecados?
Chamam-se contra o Espírito Santo estes pecados, porque se
cometem por pura malícia, o que diretamente repugna à bondade
divina, que se atribui ao Espírito Santo.
DOS PECADOS QUE BRADAM AO CÉU
97. Quantos são os pecados que bradam ao céu e pedem a Deus
vingança?
O pecados que bradam ao céu e pedem vingança a Deus são
quatro:
1º Homicídio voluntário;
2º Pecado sensual contra a natureza;
3º Oprimir os pobres, órfãos e viúvas;
4º Negar o salário aos que trabalham.
98. Por que se chamam pecados que bradam ao céu e pedem
vingança a Deus?
Porque é tão grande e manifesta a malícia que eles encerram,
que clamam e p edem vingança ao céu contra quem os comete.
DOS NOVÍSSIMOS DO HOMEM
99. Qual o pensamento mais eficaz pra evitarmos o pecado?
O pensamento mais eficaz para evitarmos o pecado é o dos
novíssimos, isto é, das últimas coisas que nos hão de acontecer.
100. Quantos e quais são os novíssimos do homem?
Os novíssimos do homem são quatro:
1º Morte; 3º Inferno;
2º Juízo; 4º Paraíso.
101. Quando convém pensar nos novíssimos?
Convém pensar assiduamente nos novíssimos, principalmente
de manhã, ao despertar, de noite, antes do repouso, e todas as
vezes que somos tentados.
QUARTA PARTE
DOS SACRAMENTOS
LIÇÃO I
DOS SACRAMENTOS EM GERAL
1. Qual é o principal efeito dos sacramentos?
O principal efeito dos sacramentos é a graça.
2. Que é a graça?
A graça é um dom interno, sobrenatural e gratuito, que Deus
nos dá em relação à vida eterna.
3. Com o se divide a graça?
A graça se divide em graça santificante ou habitual e graça
atual.
4. Que é a graça santificante?
A graça santificante é um dom sobrenatural inerente à nossa
alma, que nos faz santos, filhos adotivos de Deus e herdeiros de
Deus.
5. Como se perde a graça santificante?
A graça santificante se perde pelo pecado mortal.
6. Como se recupera a graça santificante?
A graça santificante se recupera pelo sacramento da
Confissão ou por um ato de contrição perfeita, unido ao desejo de
se confessar.
7. Que é a graça atual?
A graça atual é um dom sobrenatural transitório, que ilumina
nosso entendimento, move e conforta nossa vontade para praticar o
bem e evitar o mal.
8. Deus nos dá sempre a graça atual?
Sim; Deus nos dá a graça atual sempre que dela precisamos,
ou lha pedimos com as devidas disposições.
9. Podemos resistir à graça de Deus?
Sim; podemos resistir à graça de Deus, porque ele não nos
tira a liberdade; não o devemos fazer, porém.
10. Por que meio Deus nos comunica a sua graça?
Deus nos comunica a sua graça principalmente nos
sacramentos.
11. Que se entende por sacramento?
Por sacramento se entende um sinal sensível e eficaz da
graça, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para santificar
nossas almas.
12. Por que se chamam os sacramentos sinais sensíveis e eficazes
da graça?
Chamam-se os sacramentos sinais sensíveis e eficazes da
graças, porque todos os sacramentos significam, por meio de
coisas sensíveis, a graça que eles produzem na alma.
13. Explica isto com um exemplo.
Por exemplo, no Batismo, o derramar da água na cabeça da
criança e as palavras eu te batizo, isto é, te lavo, te purifico, são um
sinal sensível da graça que dá o Batismo: porque, assim como a
água lava o corpo e o purifica, assim a graça conferida pelo batismo
purifica a alma do pecado.
14. Como nos santificam os sacramentos?
Os sacramentos nos santificam, dando-nos ou aumentando
em nós a graça, que nos torna santos e agradáveis a Deus.
15. Os sacramentos dão sempre a graça a quem os recebe?
Sim; os sacramentos dão sempre a graça, contando que se
recebam com as necessárias disposições.
16. Quem deu esta virtude aos sacramentos?
Foi Jesus Cristo que deu esta virtude aos sacramentos pela
sua paixão e morte.
17. Quantos são os sacramentos?
Os sacramentos são sete:
1º Batismo;
2º Confirmação ou Crisma;
3º Eucaristia;
4º Penitência ou Confissão;
5º Extrema-Unção;
6º Ordem;
7º Matrimônio.
18. Como se dividem os sacramentos?
Os sacramentos se dividem em sacramentos de mortos e
sacramentos de vivos.
19. Quantos são os sacramentos de mortos?
Os sacramentos de mortos são dois: o Batismo e a
Penitência.
20. Por que se chamam sacramentos de mortos?
O Batismo e a Penitência chamam-se sacramentos de mortos,
porque conferem a vida da graça aos que estão mortos pelo
pecado.
21. Quantos são os sacramentos de vivos?
Os sacramentos de vivos são cinco: a Crisma, a Eucaristia, a
Extrema-Unção, a Ordem e o Matrimônio.
22. Por que se chamam sacramentos de vivos?
Chamam-se sacramentos de vivos, porque devem ser
recebidos em estado de graça.
23. Que graça conferem os sacramentos de vivos?
Os sacramentos de vivos conferem um aumento da graça
santificante, que já deve existir na alma de quem os recebe, e a
graça sacramental, própria de cada sacramento.
24. Que pecado cometeria quem recebesse um dos sacramentos
de vivos, sabendo que não está em graça de Deus?
Quem recebesse um sacramento de vivos, sabendo que não
est em graça de Deus, cometeria um grave sacrilégio.
25. Os sacramentos mais necessários para a salvação são dois: o
batismo e a Penitência; o Batismo para todos; a Penitência para os
que cometeram pecado mortal depois do Batismo.
26. Qual é o maior de todos os sacramentos?
O maior de todos os sacramentos é a Eucaristia, porque não
só contém a graça, mas ainda o mesmo Jesus Cristo, autor da
graça e dos sacramentos.
27. Quais são os sacramentos que se recebem uma só vez?
Os sacramentos que se recebem uma só vez são três: o
Batismo, a Crisma e a Ordem.
28. Por que estes três sacramentos, o Batismo, Crisma e Ordem, só
se recebem uma vez?
Estes três sacramentos, Batismo, Crisma e Ordem, só se
recebem uma vez, porque cada um deles imprime caráter.
29. Que é o caráter que imprime cada um destes três sacramentos,
Batismo, Crisma e Ordem?
O caráter que imprime cada um destes três sacramentos,
Batismo, Crisma e Ordem, é um sinal espiritual impresso na alma
para sempre.
30. Para que serve o caráter que estes três sacramentos imprimem
na alma?
O caráter que estes três sacramentos, Batismo, Crisma e
Ordem, imprimem na alma serve para marcá-nos: no Batismo,
como membros de Jesus Cristo; na Crisma, como seus soldados;
na Ordem, como seus ministros.
31. Que se requer para que haja um sacramentos?
Para que haja sacramento três coisas se requerem, a saber:
matéria, forma e ministro, que tenha intenção de fazer o que faz a
Igreja, quando ministra os sacramentos.
32. Que é a matéria dos sacramentos?
A matéria dos sacramentos é a coisa sensível de que se usa,
para ministrá-los, como, por exemplo, a água natural no Batismo; o
óleo e o bálsamo na Crisma.
33. Que é a forma dos sacramentos?
A forma dos sacramentos são as palavras que se proferem na
administração deles.
34. Que é o ministro dos sacramentos?
O ministro dos sacramentos é a pessoa que confere o
sacramento.
DOS SACRAMENTOS EM PARTICULAR
LIÇÃO II
DO BATISMO
35. Que é o Batismo?
O Batismo é um sacramento que Nosso Senhor Jesus Cristo
instituiu para nos regenerar pela graça, fazer-nos cristãos, filhos de
Deus e da Igreja.
36. Quais são os efeitos do Batismo?
O Batismo:
1º apaga o pecado original e também o atual, se houver;
2º perdoa toda a pena devida a esses pecados;
3º imprime-nos na alma o caráter de cristãos;
4º faz-nos filhos de Deus e da Igreja e herdeiros do céu;
5º torna-nos aptos para receber os outros sacramentos.
37. Qual é a matéria do Batismo?
A matéria do Batismo é a água natural, como a dos rios, das
fontes, do mar, etc.
38. Qual é a forma do Batismo?
A forma do Batismo são as palavras: Eu te batizo em nome do
Pai e do Filho e do Espírito Santo.
39. Quem é o ministro ordinário do Batismo?
O ministro ordinário do Batismo é o sacerdote, e
principalmente o pároco.
40. Em caso de necessidade, qualquer pessoa pode batizar?
Em caso de necessidade, qualquer pessoa, ainda herege ou
infiel, pode batizar.
41. Que intenção deve ter quem administra o Batismo?
Quem administra o Batismo deve ter a intenção de fazer o que
a Igreja faz quando administra este sacramento.
42. Como se administra o Batismo?
Administra-se o Batismo, derramando água natural na cabeça
da pessoa que se batiza, e pronunciando ao mesmo tempo as
palavras: Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo.
43. Será válido o Batismo, quando um pronuncia as palavras e
outro derrama a água?
Não; o Batismo não será válido, se um pronunciar as palavras
e outro puser a água.
44. Não podendo derramar-se água na cabeça, deixa-se a pessoa
sem Batismo?
Não podendo derramar-se água na cabeça, derrama-se em
outra parte principal do corpo, pronunciando as mesmas palavras:
Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
45. Quando se devem batizar as crianças?
As crianças devem ser batizadas o mais breve possível.
46. Por que tanta pressa em batizar as crianças?
Deve-se ter tanta pressa em batizar as crianças, porque pela
sua tenra idade estão expostas a muitos perigos e acidentes, e, se
morrerem sem Batismo, não se podem salvar.
47. Pecam, então, gravemente os pais que se demoram em levar
ao Batismo seus filhos?
Sim; pecam gravemente os pais que se demoram em levar ao
Batismo seus filhos, porque os expõem a morrer sem este
sacramento e a ficar privados da felicidade eterna.
48. O Batismo é necessário para nos salvar?
Sim; o Batismo é absolutamente necessário para nos
salvarmos, segundo a palavra do Senhor: Quem não renascer pela
água e pelo Espírito Santo, não poderá entrar no reino dos céus.
49. A que fica obrigado quem se batiza?
Quem se batiza fica obrigado a professar sempre a fé e a
observar a lei de Jesus Cristo e de sua Igreja.
50. A que mais se obriga quem recebe o Batismo?
Quem recebe o Batismo se obriga a renunciar para sempre a
Satanás, às suas obras e às suas pompas.
51. Que se entende por obras e pompas de Satanás?
Por obras e pompas de Satanás se entendem os pecados, as
vaidades e as máximas do mundo, contrárias às do Evangelho.
52. Quem faz essas promessas e renúncias em nome das
crianças?
São os padrinhos que fazem essas promessas e renúncias
em nome das crianças.
53. Somos obrigados a cumprir essas promessas e renúncias que
por nós fizeram os nossos padrinhos?
Sim; somos obrigados a cumprir essas promessas e
renúncias que por nós fizeram nossos padrinhos.
LIÇÃO III
DA CRISMA OU CONFIRMAÇÃO
54. Que é o sacramento da Crisma?
A Crisma é o sacramento que nos dá o Espírito Santo,
imprime na alma o caráter de soldado de Jesus Cristo e faz-nos
perfeitos cristãos.
55. Não recebemos o Espírito Santo no Batismo?
Sim; no Batismo recebemos o Espírito Santo; não, porém,
com a mesma abundância de graças como na Crisma.
56. De que modo a Crisma nos faz perfeitos cristãos?
A Crisma nos faz perfeitos cristãos, confirmando-nos na fé e
aperfeiçoando as outras virtudes e dons que recebemos no
Batismo.
57. Quantos e quais são os dons do Espírito Santo que recebemos
na Crisma?
Os dons do Espírito Santo que recebemos na Crisma são
sete:
1º Sabedoria; 4º Fortaleza;
2º Entendimento 5º Ciência;
3º Conselho; 6º Piedade;
7º Temor de Deus.
58. Devem todos procurar receber o sacramento da Crisma?
Sim; todos devem procurar receber o sacramento da Crisma e
fazer que o recebam os seus subordinados.
59. A Crisma é necessária para a salvação?
Não; mas privam-se de muitas graças e pecam os que a
deixam de receber por negligência.
60. Cometeria pecado quem recebesse a Crisma duas vezes?
Sim; quem recebesse a Crisma duas vezes cometeria um
grave sacrilégio, porque a Crisma é sacramento que imprime
caráter e só se recebe uma vez.
61. Que disposições se exigem para receber dignamente a Crisma?
Para receber dignamente a Crisma há mister achar-se a
pessoa em estado de graça, conhecer os mistérios principais de
nossa fé, apresentar-se ao Bispo com respeito e devoção.
62. Quem é o ministro do sacramento da Crisma?
O ministro do sacramento da Crisma é o Bispo.
63. Com que cerimônias o Bispo administra o sacramento da
Crisma?
Para administrar o sacramento da Crisma, primeiramente, o
Bispo, de pé, estende a mão sobre os que se vão crismar,
invocando sobre eles o Espírito Santo; depois, com o santo Crisma,
faz uma cruz na testa de cada um, dizendo as palavras da forma do
sacramento da Crisma: Eu te assinalo com o sinal da cruz e te
confirmo com o Crisma da salvação, em nome do Pai e do Filho e
do Espírito Santo. Em seguida bate na face do crismado, dizendo: A
paz seja contigo. Por último, de pé, dá a bênção a todos os
crismados.
64. Por que se faz a cruz na testa com o santo Crisma?
Faz-se a cruz na testa, para significar que o crismado não
deve nunca envergonhar-se do sinal do cristão, nem de professar a
doutrina de Cristo.
65. Por que se bate na face do crismado?
Bate-se na face do crismado,para lhe significar que deve estar
preparado para sofrer qualquer afronta e trabalho pela fé cristã.
66. Que é o santo Crisma?
O santo Crisma é uma mistura de óleo de oliveira e de
bálsamo oriental, que o Bispo consagra todos os anos na Quintafeira
Santa.
67. Que significa o óleo e o bálsamo no sacramento da Crisma?
O óleo, pela virtude que tem de se espalhar e fortificar os
corpos, significa a graça que abundantemente se difunde na alma
do cristão, para fortificá-lo e confirmá-lo na fé; o bálsamo, pela sua
fragrância e virtude de preservar da corrupção, significa que o
cristão, fortalecido por essa graça, se torna capaz de dar bons
exemplos de virtudes cristãs e preservar-se do contágio dos vícios.
68. Que deve fazer o cristão para conservar a graça do sacramento
da Crisma?
Para conservar a graça do sacramento da Crisma, o cristão
deve orar freqüentemente, fazer boas obras e viver segundo a lei de
Jesus Cristo, sem respeito humano.
LIÇÃO IV
DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA
§ 1. Da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia
69. Que é o sacramento da Eucaristia?
A Eucaristia é o sacramento que contém o verdadeiro corpo e
o verdadeiro sangue de Jesus Cristo, real e substancialmente
presente, debaixo das espécies ou aparências de pão e de vinho,
para nosso alimento espiritual.
70. Como se explica a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo
na Eucaristia, debaixo das espécies ou aparências de pão e de
vinho?
A presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia,
debaixo das espécies ou aparências de pão e de vinho, explica-se
pela maravilhosa conversão de toda a substância do pão no corpo e
de toda a substância do vinho no sangue de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
71. Como se chama essa maravilhosa conversão?
Essa maravilhosa conversão chama-se transubstanciação.
72. Está na Eucaristia o mesmo Jesus Cristo que nasceu de Maria
Virgem?
Sim; na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que nasceu de
Maria Virgem e que está no céu.
73. Por que crês tu que nesse sacramento está Jesus Cristo?
Creio que no sacramento da Eucaristia está Jesus Cristo,
porque ele mesmo o disse e a Santa Madre Igreja o ensina.
74. Qual é a matéria do sacramento da Eucaristia?
A matéria do sacramento da Eucaristia é o pão de trigo e
vinho de uva, que foi a matéria empregada por Nosso Senhor Jesus
Cristo.
75. Que é a hóstia antes da consagração?
A hóstia, antes da consagração, é pão.
76. Que é a hóstia depois da consagração?
A hóstia, depois da consagração, é o verdadeiro corpo de
Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das espécies ou aparências de
pão.
77. Que há no cálice antes da consagração?
No cálice, antes da consagração, há vinho.
78. Que há no cálice depois da consagração?
No cálice, depois da consagração, há o verdadeiro sangue de
Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das espécies ou aparências de
vinho.
79. Quando se faz a conversão do pão e do vinho no verdadeiro
corpo e no verdadeiro sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo/
Essa conversão se faz no memento em que o sacerdote
pronuncia as palavras da consagração, na Missa.
80. Quem deu tanto poder a essas palavras?
Quem deu tanto poder a essas palavras foi Jesus Cristo,
quando as pronunciou na última ceia.
81. Então depois da consagração da hóstia e do vinho nada fica de
pão e de vinho?
Depois da consagração da hóstia e do vinho, nada fica de pão
e de vinho, a não ser as espécies ou aparências.
82. Que coisas são as espécies do pão e do vinho?
As espécies do pão e do vinho são os acidentes, isto é, a
quantidade e as qualidades sensíveis do pão e do vinho, como a
cor, o cheiro, o sabor, etc.
83. Debaixo das espécies do pão só há o corpo de Jesus Cristo, e
debaixo das espécies do vinho só há o seu sangue?
Tanto debaixo das espécies do pão como debaixo das
espécies do vinho, está Jesus Cristo todo inteiro, corpo, sangue,
alma e divindade.
84. Jesus Cristo está vivo em todas as hóstias consagradas no
mundo?
Sim; Jesus Cristo está vivo em todas as hóstias consagradas
no mundo.
85. Quando se parte a hóstia, parte-se também o corpo de Jesus
Cristo?
Não; quando se parte a hóstia, não se parte o corpo de Jesus
Cristo; partem-se somente as espécies do pão.
86. Em que parte da hóstia está o corpo de Jesus Cristo?
O corpo de Jesus Cristo está todo inteiro em cada uma das
partes em que se divide a hóstia.
87. Por que motivo se conserva a Eucaristia ou o Santíssimo
Sacramento nas igrejas?
O Santíssimo Sacramento se conserva nas igrejas para ser
visitado e adorado pelos fiéis, e para ser levado aos enfermos em
caso de necessidade e como viático.
§ 2. Do fim e dos efeitos da Eucaristia
88. Por que instituiu Jesus Cristo a santíssima Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu a santíssima Eucaristia por muitas
razões:
1º Para ser o sacrifício permanente da nova lei;
2º Para alimento espiritual de nossas almas;
3º Para perpétua comemoração de sua paixão e morte, e
penhor preciosíssimo de sua amor aos homens e da vida
eterna.
89. Que efeitos produz em nós a Eucaristia?
Os principais efeitos, que a Eucaristia produz em nós, são:
1º Conservar e aumentar a vida da alma, que é a graça, como
o alimento material conserva e aumenta a vida do corpo;
2º Apagar os pecados veniais e preservar dos mortais;
3º Unir-nos a Jesus Cristo e fazer-nos viver de sua vida.
§ 3. Das disposições para a comunhão e da obrigação de
comungar
90. Quais são as disposições necessárias para bem comungar?
Para bem comungar três coisas são necessárias:
1º O estado de graça;
2º Estar em jejum;
3º Saber o que vai receber e apresentar-se à comunhão com
fé e devoção.
91. Que quer dizer estado de graça?
Estado de graça quer dizer ter a consciência pura e livre de
todo pecado mortal.
92. Que pecado comete quem comunga em pecado mortal?
Quem comunga em pecado mortal, se tem consciência de seu
estado, comete horrível sacrilégio.
93. Que jejum se exige para comungar?
Para comungar se exige o jejum de alimentos sólidos e
alcoólicos há três horas; de líquidos (não alcoólicos), há uma hora;
água não quebra o jejum.
94. Em que consiste a fé e devoção com que devemos comungar?
A fé consiste em crer que Jesus Cristo está realmente
presente neste sacramento, e a devoção consiste em recebê-lo com
todo o respeito, modéstia e recolhimento.
95. Há obrigação de comungar?
Há obrigação de comungar em perigo de morte e, ao menos,
uma vez cada ano, pela Páscoa da Ressurreição.
96. Em que idade começa a obrigar o preceito da comunhão
pascal?
O preceito da comunhão pascal começa a obrigar desde a
idade em que o menino é capaz de recebê-la com as devidas
disposições.
§ 4. Do santo sacrifício da Missa
97. A Eucaristia deve-se considerar somente como sacramento?
Não; a Eucaristia é também o sacrifício permanente da nova
lei que Jesus Cristo deixou à sua Igreja, para ser oferecido a Deus
por meio dos sacerdotes.
98. Como se chama este sacrifício da nova lei?
Este sacrifício da nova lei chama-se o sacrifício da Missa.
99. Que é a Missa?
A Missa é o sacrifício incruento da corpo e do sangue de
Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das
espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da cruz.
100. Quem instituiu o sacrifício da Missa?
O sacrifício da Missa foi instituído pelo próprio Jesus Cristo,
quando instituiu o sacramento da Eucaristia na noite antes de sua
paixão.
101. A quem se oferece o sacrifício da Missa?
O sacrifício da Missa se oferece a Deus somente.
102. Para que fins se oferece a Deus o sacrifício da Missa?
O sacrifício da Missa se oferece a Deus para quatro fins:
1º Para honrar a Deus;
2º Para dar-lhe graças pelos benefícios recebidos.
3º Para aplacá-lo e dar-lhe satisfação pelos nossos pecados;
4º Para obter todas as graças que nos são necessárias.
103. Por quem se oferece o sacrifício da Missa?
O sacrifício da Missa se oferece por todos os homens,
principalmente pelos fiéis e pelas almas que se acham no
purgatório.
104. O sacrifício da Missa aproveita às almas dos purgatório?
Sim; o sacrifício da Missa aproveita às almas do purgatório,
aliviando e abreviando os seus sofrimentos.
105. É coisa útil ouvir Missa todos os dias?
Sim; é coisa utilíssima, se bem que não seja isso obrigatório.
106. Como se deve ouvir a Missa?
Deve-se ouvir a Missa inteira, com devoção, pensando em
Deus e na paixão de Jesus Cristo ou rezando devotas orações.
LIÇÃO V
DA PENITÊNCIA
Das disposições para bem receber o sacramento da Penitência
107. Que é o sacramento da Penitência?
A Penitência, chamada também Confissão, é um sacramento
instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para perdoar os pecados
cometidos depois do Batismo.
108. O sacramento da Penitência é necessário para nos salvarmos?
Sim; o sacramento da Penitência é necessário para nos
salvarmos, se tivermos cometido algum pecado mortal depois do
Batismo.
109. Quantas são as partes do sacramento da Penitência?
As partes do sacramento da Penitência são quatro: contrição,
confissão, absolvição e satisfação.
§ 1. Do exame
110. Que coisas se exigem para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão se exigem cinco coisas: 1º
exame; 2º arrependimento; 3º propósito; 4º confissão; 5º satisfação.
111. Mas, antes de tudo, que é necessário para fazer uma boa
confissão?
Para fazer uma boa condição é necessário, antes de tudo,
pedir luzes a Deus para conhecermos todos os nossos pecados e
força para detestá-los.
112. Como devemos fazer o exame de consciência?
Para fazer o exame de consciência, nós nos devemos pôr na
presença de Deus e examinar com diligência sobre os pecados
cometidos por pensamentos, palavras, obras e omissões, contra os
mandamentos da lei de Deus e da Igreja e contra as obrigações do
próprio estado.
113. Devemos também indagar o número dos pecados?
Sim; se os pecados são mortais, devemos também, indagar o
número deles.
114. Além do número dos pecados mortais, devemos também notar
as circunstâncias?
Sim; além do número dos pecados mortais, devemos
examinar as circunstâncias que mudam a espécie do pecado ou
mudam o pecado venial em mortal.
115. Será conveniente acusar também outras circunstâncias?
Sim; é conveniente acusar também as circunstâncias que
aumentam de muito a malícia do pecado.
116. Podes dar algum exemplo de circunstâncias que mudam a
espécie do pecado?
Por exemplo, quem furtou na Igreja, ou quem bateu em um
sacerdote, deve notar esta circunstância do lugar sagrado ou da
pessoa sagrada, para declará-la na confissão, porque em tal caso o
pecado de furto ou de espancamento vem a ser, além disso, um
sacrilégio.
117. Sabes algum exemplo das circunstâncias que aumentam muito
a malícia do pecado?
Quem furta uma grande soma de dinheiro, por exemplo, mil
cruzeiros, comete um pecado mais grave do que se roubasse
somente dez cruzeiros, ainda que este também é grave.
118. É necessário fazer o exame de toda a vida passada, em cada
confissão?
Não; basta fazer o exame a partir da última confissão bem
feita.
§ 2. Do arrependimento e do propósito
119. Que é o arrependimento dos pecados?
O arrependimento dos pecados é uma verdadeira dor e
sincera detestação dos pecados cometidos, com firme propósito de
nunca mais pecar.
120. Para que seja bem feita a confissão, é necessário o
arrependimento?
O arrependimento é absolutamente necessário para que seja
bem feita a confissão, tanto assim é que, não havendo
arrependimento, os pecados não ficam perdoados.
121. Por que motivo nós nos devemos arrepender?
Nós nos devemos arrepender, porque, pecando, ofendemos a
Deus, infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as
coisas, e porque merecemos os castigos do pecado.
122. Que devemos fazer para conseguirmos o arrependimento?
Para conseguir o arrependimento, havemos de pedi-lo a
Deus, excitá-lo em nós pela consideração do grande mal que
fizemos pecando.
123. Quantas espécies há de arrependimento?
Há duas espécies de arrependimento: perfeito ou contrição, e
imperfeito ou atrição.
124. Que é o arrependimento perfeito ou contrição?
O arrependimento perfeito ou atrição é a dor e detestação dos
pecados, por ter ofendido a Deus, infinitamente bom e digno de ser
amado sobre todas as coisas.
125. Por que se chama este arrependimento perfeito?
Este arrependimento chama-se perfeito:
1º porque se refere diretamente à bondade de deus;
2º porque nos obtém logo o perdão dos pecados.
126. Que é o arrependimento imperfeito ou atrição?
O arrependimento imperfeito ou atrição é a dor e detestação
dos pecados, por temor dos castigos merecidos nesta vida ou na
outra.
127. A atrição é bastante para conseguir o perdão dos pecados?
A atrição é bastante para conseguir o perdão dos pecados,
quando unida à absolvição sacramental.
128. Que mal fizemos com o pecado mortal?
O mal que fizemos com o pecado mortal consiste:
1º em termos ofendido a Deus, nosso Senhor e nosso Pai,
digno de ser amado sobre todas as coisas;
2º em termos perdido a graça de Deus e o céu;
3º em termos merecido as penas do inferno.
129. O arrependimento deve se estender a todos os pecados?
Sim; o arrependimento deve estender-se a todos os pecados
mortais cometidos.
130. Quem se confessa somente dos pecados veniais, precisa ter
arrependimento de todos?
Não; para validade da confissão basta ter arrependimento de
um ou outro pecado venial, mas, para alcançar o perdão de todos ,
é necessário arrepender-se de todos.
131. Em que consiste o propósito?
O propósito consiste na vontade firme e decidida de nunca
mais pecar, e de empregar todos os meios necessários para evitar
o pecado.
132. Quais são os principais meios para evitar o pecado?
O principais meios para evitarmos o pecado são: a oração
freqüente, pedindo a Deus força par não o ofendermos; a
freqüência da comunhão e confissão, e a fugida das ocasiões
próximas.
133. Que se entende por ocasião próxima do pecado?
Por ocasião próxima do pecado se entende aquela
circunstância em que o homem ordinariamente cai em pecado.
134. Há obrigação de evitar a ocasião próxima do pecado?
Sim; há tão grave obrigação de evitar a ocasião próxima do
pecado, que nunca pode ser perdoado quem não a quiser deixar,
podendo.
§ 3. Da confissão
135. Em que consiste a confissão?
A confissão consiste na acusação clara e distinta dos
pecados, feita ao confessor, para recebermos a absolvição e a
penitência.
136. Que pecados somos obrigados a confessar?
Somos obrigados a confessar os pecados mortais; mas é bom
também confessar os pecados veniais.
137. Como devemos acusar os pecados?
Devemos acusar os pecados, declarando o número deles, a
espécie, e as circunstâncias, que mudam a espécie, ou mudam o
pecado venial em mortal.
138. Quem não se recorda do número exato dos pecados mortais,
como há de fazer?
Quem se não recorda do número exato dos pecado mortais
que cometeu, deve dizer o número que mais se aproximar da
realidade.
139. Que pecado cometeria quem, por vergonha ou medo, se
tivesse confessado mal, ocultando algum pecado?
Quem, por vergonha ou medo, houvesse ocultado pecado
grave, ou mentido em matéria grave, na confissão, não alcançaria
perdão de nenhum pecado e cometeria um sacrilégio.
140. Que deve fazer quem se confessou mal?
Quem se confessou mal deve repetir a confissão mal feita e
todas as outras que lhe seguiram.
141.Quando é que a confissão é mal feita?
A confissão é mal feita quando nela se oculta pecado mortal
ou não se tem arrependimento dos pecados.
142. Quem, por esquecimento, deixou de acusar um pecado mortal,
ou uma circunstância, que devia declarar, fez boa confissão?
Sim; quem, por esquecimento, deixou de acusar um pecado
mortal ou uma circunstância que devia declarar, fez boa confissão.
143. Que deve fazer quem na confissão esqueceu pecados
mortais?
Quem na confissão esqueceu pecados mortais deve acusálos
na primeira confissão que fizer.
§ 4. Do modo de se confessar
144. Que farás, apresentando-te ao confessor?
Apresentando-me ao confessor, ajoelhar-me-ei a seus pés e
direi: Padre, dai-me a vossa bênção, que pequei; farei o sinal da
cruz e direi o: Eu pecador, todo ou somente as palavras: “Eu
pecador me confesso a Deus e a vós, padre”; em seguida farei a
acusação dos meus pecados.
145. É coisa útil acusar algum pecado grave da vida passada?
Sim; quando a confissão constar só de pecados veniais, é útil
acusar algum pecado grave da vida passada, para mais facilmente
excitar o arrependimento e assegurar a absolvição.
146. Que farás depois da acusação dos pecados?
Depois da acusação dos pecados, ouvirei com atenção os
conselhos do confessor; aceitarei a penitência que der e, quando
me absolver, renovarei o ato de contrição.
147. Que farás depois da absolvição?
Depois de receber a absolvição, retirar-me-ei modestamente e
irei dar graças a Deus; cumprirei quanto antes a penitência, e porei
em prática os avisos e conselhos do confessor.
§5. Da absolvição e da satisfação
148. Que é a absolvição?
A absolvição é uma sentença que o sacerdote pronuncia em
nome de Jesus Cristo, para apagar e perdoar os pecados.
149. Que é a satisfação?
A satisfação é a execução da penitência imposta pelo
confessor.
150. Quando se deve cumprir a penitência?
E o confessor marcar o tempo, o penitente deverá cumprir a
penitência no tempo marcado; se não marcar, convém que a
cumpra quanto antes.
151. Que fim tem a penitência imposta pelo confessor?
A penitência imposta pelo confessor tem por fim a reparação
da injúria feita a Deus pelos pecados cometidos.
152. Somos obrigados a satisfazer a Deus ainda depois da
absolvição dos nossos pecados?
Sim; somos obrigados a satisfazer a Deus ainda depois da
absolvição dos nossos pecados, porque a absolvição perdoa os
pecados e as penas eternas que lhes são devidas; não nos perdoa,
porém, as penas temporais, que devemos sofrer nesta vida ou na
outra.
153. Em que consiste a reparação da injúria feita a Deus pelos
nossos pecados?
A reparação da injúria feita a Deus pelos nossos pecados
consiste na execução da penitência que nos foi imposta pelo
confessor e na prática de outras obras satisfatórias.
154. Conheces algumas obras satisfatórias?
São obras satisfatórias: oração, jejum, austeridades, esmolas
e outras semelhantes.
155. É bom confessarmo-nos freqüentemente?
Sim; é bom confessarmo-nos freqüentemente, cada oito ou
quinze dias; o mais tardar cada mês.
§ 6. das indulgências
156. Que outro meio nos oferece a Igreja para satisfazermos a
Deus pelas penas temporais devidas aos nossos pecados?
A Igreja nos oferece as indulgências.
157. Que é indulgência?
A indulgência que a Igreja concede é a remissão da pena
temporal devida aos pecados já perdoados.
158. De quem recebeu a Igreja a faculdade de conceder
indulgências?
A Igreja recebeu de Jesus Cristo a faculdade de conceder
indulgências.
159. Como remite a Igreja a pena temporal por meio das
indulgências?
A Igreja remite a pena temporal aplicando-nos o fruto dos
merecimentos de Jesus Cristo, de Maria Santíssima e dos santos.
160. As indulgências dispensam-nos porventura da obrigação de
fazer penitência?
Não; as indulgências não nos dispensam da obrigação de
fazer penitência, mas auxiliam a nosa boa vontade e suprem a
fraqueza e de nossas forças.
161. Que é necessário fazer para ganhar as indulgências?
Para ganhar as indulgências é necessário executar
exatamente as obras prescritas e fazer a última em estado de
graça.
162. As indulgências poderão também aproveitar às almas do
purgatório?
Sim; as indulgências aproveitam também às almas do
purgatório, se o Papa conceder que sejam aplicadas em sufrágio
delas.
163. Quantas espécies há de indulgências?
Há duas espécies: indulgências plenárias e indulgências
parciais.
164. Que são as indulgências plenárias?
As indulgências plenárias são as que remitem toda a pena
temporal devida aos pecados.
165. Que são as indulgências parciais?
As indulgências parciais são as que remitem somente uma
parte da pena temporal devida aos nossos pecados.
166. Que se entende por indulgência de 40 ou 100 dias, 7 anos?
Por indulgência de 40 ou 100 dias e 7 anos, se entende uma
indulgência que perdoa a pena temporal que na antiga disciplina da
Igreja era perdoada com 40, 100 dias e 7 anos de penitência.
167. Quem tem o poder de conceder indulgências?
Só o Papa tem o poder de conceder indulgências em toda a
Igreja, e os Bispos em suas dioceses, por concessão do Papa.
168. Que é o jubileu?
O jubileu, que ordinariamente se concede cada vinte e cinco
anos, é uma indulgência plenária, a que estão anexos muitos
privilégios e concessões especiais, como: a absolvição de certos
pecados reservados e certas censuras e a comutação de certos
votos.
LIÇÃO VI
DA EXTREMA-UNÇÃO
169. Que é o sacramento da Extrema-Unção?
A Extrema-Unção é o sacramento instituído por Nosso Senhor
Jesus Cristo para alívio espiritual e temporal dos enfermos.
170. Que efeitos produz o sacramento da Extrema-Unção?
O sacramento da Extrema-Unção produz os efeitos seguintes:
1º Aumenta a graça santificante;
2º Apaga os pecados veniais e também os mortais quando o
enfermo contrito não for capas de confessá-los;
3º Livra a alma de todos os resíduos de pecado, a saber: de
certo torpor e frieza para o bem, que ficam na alma ainda
depois de perdoados os pecados;
4º Restitui a saúde do corpo, se assim convier à salvação da
alma, ou à glória de Deus.
5º Dá conforto e paciência ao enfermo para suportar os
incômodos e trabalhos da doença, e força para resistir às
tentações e morrer santamente.
171. Quando se deve receber a Extrema-Unção?
Deve-se receber a Extrema-Unção quando a enfermidade for
grave, e logo depois da confissão e do sagrado Viático.
172. Se o enfermo não puder confessar-se, poderá receber a
Extrema-Unção?
Sim; mesmo quando não puder confessar-se, por ter perdido
a fala ou por outro motivo, deverá receber a Extrema-Unção.
LIÇÃO VII
DA ORDEM
173. Que é o sacramento da Ordem?
A Ordem é um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus
Cristo, para conferir o poder e a graça de exercer as funções e
ministérios eclesiásticos, que se referem ao culto de Deus e à
salvação das almas.
174. Qual deve ser o fim de quem abraça o estado eclesiástico?
O fim de quem abraça o estado eclesiástico deve ser a glória
de Deus e a salvação das almas.
175. Pode alguém por si mesmo escolher este estado?
Não; ninguém por si mesmo há de escolher o estado
eclesiástico, mas deve esperar o chamado o a vocação de Deus.
176. Faria mal quem abraçasse o estado eclesiástico sem a
vocação divina?
Sim; quem abraçasse o estado eclesiástico sem a vocação
divina, faria um grande mal e poria em perigo a própria salvação.
177. Quais são os deveres dos fiéis em relação aos que são
chamados às ordens sacras?
Os fiéis devem:
1º Deixar aos seus filhos plena liberdade de obedecer à
vocação de Deus;
2º Pedir a Deus que se digne de conceder à sua Igreja bons
pastores e zelosos ministros;
3º Guardar grande respeito a todos que, por meio das ordens,
se consagram ao serviço de Deus.
178. Quer a Igreja que os fiéis peçam a Deus bons pastores e
zelosos ministros?
Sim; a Igreja quer que os fiéis peçam a Deus bons pastores e
zelosos ministros; porque para esse fim ela instituiu o jejum e a
abstinência das têmporas; pois, regularmente, nas têmporas é que
a Igreja confere ordens.
LIÇÃO VIII
DO MATRIMÔNIO
179. Que é o Matrimônio?
O Matrimônio é um sacramento que Nosso Senhor Jesus
Cristo instituiu para estabelecer uma santa e indissolúvel união
entre o homem e a mulher e dar-lhes a graça de se amarem
mutuamente e educarem cristãmente seus filhos.
180. O sacramento do Matrimônio tem alguma significação
especial?
O sacramento do Matrimônio significa a união de Jesus Cristo
com a Santa Igreja, sua esposa e nossa mãe.
181. Por que é indissolúvel o vínculo matrimonial?
O vínculo matrimonial é indissolúvel porque assim o
determinou Deus, desde o princípio, e Jesus Cristo o confirmou.
182. Que quer dizer vínculo matrimonial indissolúvel?
Vinculo matrimonial indissolúvel quer dizer que a união entre
os casados não se rompe senão pela morte de um deles.
183. Que se exige para que o casamento seja válido?
Para que o casamento seja válido, exige-se que não haja
impedimento que o anule, e seja celebrado na presença do pároco,
em sua paróquia, e de duas testemunhas.
184. Com que disposições devem casar-se os nubentes?
Os nubentes devem confessar-se e ter o propósito de cumprir
as obrigações de seu novo estado.
185. O chamado casamento civil é verdadeiro para os cristãos?
Não; porque o casamento civil não é sacramento.
186. Que é o casamento civil?
O casamento civil é um simples ajuste de união entre homem
e mulher, celebrado perante o oficial civil, tendo simplesmente, para
o católico, o valor de mero registro.
187. Nos países em que for lei o casamento civil, que convém
fazer?
Nos países em que for lei o casamento civil, convém que os
cônjuges cristãos, celebrado perante a Igreja seu casamento, se
apresentarem ao oficial civil, a fim de conseguirem os efeitos civis.
188. Pode o casamento cristão se dissolvido pelo magistrado civil?
Nunca; o casamento cristão só é dissolvido pela morte de um
dos cônjuges.
189. Que pensar então do divórcio?
O divórcio é contrário à lei de Deus, à felicidade das famílias e
aos interesses da sociedade.
QUINTA PARTE
DAS VIRTUDES PRINCIPAIS E DAS OUTRAS COISAS QUE
DEVE SABER O CRISTÃO
LIÇÃO I
DA VIRTUDE
1. Que é a virtude?
Virtude é o hábito que nos facilitará o conhecimento e a
prática do bem.
2. Quais são as virtudes principais?
As virtudes principais são sete: três teologais e quatro
cardeais.
§ 1. Das virtudes teologais
3. Quais são as virtudes teologais?
As virtudes teologais são: a fé, a esperança e a caridade.
4. Por que se chamam virtudes teologais a fé, a esperança e a
caridade?
A fé, a esperança e a caridade se chamam virtudes teologais
porque se referem diretamente a Deus.
5. Quando é que Deus nos infunde na alma as virtudes teologais?
Deus nos infunde na alma as virtudes teologais quando nos
dá a sua graça santificante: por isso no santo Batismo as
recebemos e com elas os dons do Espírito Santo.
6. Para salvar-se, basta haver recebido no Batismo as virtudes
teologais?
Aos que tem o uso da razão não basta, para se salvarem,
haverem recebido as virtudes teologais, no Batismo; mas é
necessário fazerem freqüentemente atos dessas virtudes.
7. Quando somos obrigados a fazer atos de fé, de esperança e de
caridade?
Somos obrigados a fazer atos de fé, de esperança e caridade:
1º tendo chegado ao uso da razão;
2º muitas vezes durante a vida;
3º em perigo de morte.
1. DA FÉ
8. Que é a fé?
A fé é uma virtude sobrenatural infusa, pela qual cremos
firmemente todas as verdades reveladas por Deus e propostas pela
Igreja.
9. Como chegamos a conhecer as verdades reveladas por Deus?
Chegamos a conhecer as verdades reveladas por Deus por
meio de sua Igreja infalível; isto é, por meio do Papa, sucessor de
S. Pedro, e dos Bispos unidos ao Papa.
10. Estamos certos do que nos ensina a Santa Igreja?
Sim; estamos certíssimos do que nos ensina a Santa Igreja,
porque Jesus Cristo empenhou a sua palavra que a Igreja não se
enganaria nunca.
11. Com que pecado se perde a fé?
A fé se perde negando ou duvidando voluntariamente até de
um só dos artigos que devemos crer.
12. Como se readquire a fé perdida?
A fé perdida se readquire pelo arrependimento, crendo de
novo tudo o que crê a Igreja.
A. Dos mistérios
13. Podemos compreender todas as verdades da fé?
Não; não podemos compreender todas as verdades da fé,
porque algumas dessas verdades são mistérios.
14. Que são os mistérios da fé?
Os mistérios são verdades superiores à nossa razão, as quais
devemos crer, ainda que não as possamos compreender.
15. Por que devemos crer os mistérios?
Devemos crer os mistérios, porque foram revelados por Deus
que, sendo verdade e sabedoria infinita, não nos pode enganar nem
ser enganado.
16. Serão os mistérios contra a razão?
Os mistérios são superiores, mas não contrários à razão, que
nos persuade a admitir os mistérios.
17. Por que não podem ser contrários à razão os mistérios?
Os mistérios não podem ser contrários à razão porque o
mesmo Deus, que nos deu a luz da razão, nos revelou os mistérios,
e ele não pode se contradizer.
18. Onde se encontram as verdades reveladas por Deus?
As verdades reveladas por Deus se encontram na Sagrada
Escritura e na tradição.
B. Da Sagrada Escritura
19. Que é a Sagrada Escritura?
A Sagrada Escritura é a coleção dos livros escritos pelos
profetas e hagiógrafos, pelos apóstolos e pelos evangelistas, por
inspiração do Espírito santo e recebidos pela Igreja como
inspirados.
20. Em quantas partes se divida a Sagrada Escritura?
A Sagrada Escritura se divide em duas partes: antigo e novo
testamento.
21. Que contém o antigo testamento?
O antigo testamento contém os livros inspirados, escritos
antes da vinda de Jesus Cristo.
22. Que contém o novo testamento?
O novo testamento contém os livros inspirados, escritos
depois da vinda de Jesus Cristo.
23. Que nome se dá comumente à Sagrada Escritura?
Dá-se comumente à Sagrada Escritura o nome de Bíblia
Sagrada.
24. Que significa a palavra Bíblia?
A palavra Bíblia significa a coleção dos livros santos, o livro
por excelência, o livro dos livros, o livro inspirado por Deus.
25. Por que se chama a Sagrada Escritura o livro por excelência?
A Sagrada Escritura chama-se o livro por excelência por
causa da matéria de que trata e por causa do seu autor.
26. Não poderá haver erro na Sagrada Escritura?
Na Sagrada Escritura não pode haver erro: porque, sendo
toda ela inspirada, o autor de todas as suas partes é o mesmo
Deus. Isto não impede que nas traduções e cópias da mesma tenha
podido escapar algum erro, ou dos copistas ou dos tradutores. Mas
nas edições revistas e aprovadas pela Igreja Católica não pode
haver erro no que se refere à fé e à moral.
27. É necessário que todos os cristãs leiam a Bíblia?
Não; não é necessário que todos os cristãos leiam a Bíblia,
instruídos como costumam ser pela Igreja, mas é uma leitura muito
útil e a todos recomendada.
28. Pode-se ler qualquer tradução vulgar da Bíblia?
Não; podem-se ler somente traduções vulgares da Bíblia que
foram aprovadas pela Igreja como autênticas, acompanhadas de
notas explicativas, também aprovadas pela mesma Igreja.
29. Só é lícito ler as traduções da Bíblia que foram aprovadas pela
Igreja?
Sim; só é lícito ler as traduções da Bíblia que foram aprovadas
pela Igreja, porque só a Igreja é guarda legítima da Bíblia.
30. Por meio de quem podemos obter o verdadeiro sentido das
Sagradas Escrituras?
O verdadeiro sentido das Sagradas Escrituras somente
podemos obter por meio da Igreja: porque somente ela,
interpretando-as, tem o dom da inerrância.
31. Que deveria fazer o católico, se lhe fosse oferecida a bíblia por
um protestante ou algum emissário dos protestantes?
Se a um católico fosse oferecida a bíblia por um protestante
ou por algum emissário dos protestantes, ele deveria repelir com
horror semelhante oferta, porque é proibida pela Igreja; e, se a
tivesse aceitado por descuido, deveria logo lançá-la ao fogo ou
entregá-la ao respectivo pároco.
32. Por que proíbe a Igreja as bíblias protestantes?
A Igreja proíbe as bíblias protestantes, porque ou são
alteradas, ou contem erros, ou, finalmente, porque não tem a sua
aprovação, nem as notas explicativas aprovadas por ela. Por isso a
Igreja proíbe também as traduções da Sagrada Escritura que por
ela foram reimpressas sem as notas explicativas devidamente
aprovadas.
C. Da tradição
33. Que é a tradição?
A tradição é a palavra de Deus não escrita, mas comunicada
de viva voz por Jesus Cristo e pelos apóstolos, e transmitida, sem
alteração, de século em século, até nós, pelo magistério infalível.
34. Onde se encontram os ensinamentos da tradição?
O ensinamentos da tradição se encontram principalmente nos
decretos dos concílios, nos escritos dos Santos Padres, nos atos da
Santa Sé, nas palavras e nos usos da sagrada liturgia.
35. Que valor se deve dar à tradição?
À tradição se deve dar o valor que se dá à palavra de Deus
revelada, contida na Sagrada Escritura.
2. DA ESPERANÇA
36.Que é a esperança?
A esperança é uma virtude sobrenatural infusa, pela qual
confiamos alcançar de Deus a vida eterna e os meios necessários
para conseguí-la.
37.Por que devemos esperar de Deus o céu e os auxílios
necessários para conseguí-lo?
Devemos esperar de Deus o céu e os auxílios necessários
para conseguí-lo, porque Deus, por sua misericórdia, em vista dos
merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, os prometeu aos que
fielmente o servissem e, sendo ele fidelíssimo e onipotente,
cumprirá sua promessa.
38.Como se perde a esperança?
Perde-se a esperança quando se perde a fé; perde-se
também pelo pecado de desespero e presunção.
39.Como se readquire a esperança perdida?
Readquire-se a esperança perdida pelo arrependimento do
pecado cometido e pela confiança na bondade divina.
3. DA CARIDADE
40.Que é a caridade?
A caridade é uma virtude sobrenatural infusa, pela qual
amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós
mesmos, por amor de Deus.
41.Por que devemos amar a Deus?
Devemos amar a Deus porque ele é o sumo bem,
infinitamente bom e perfeito; porque ele no-lo ordena e pelos muitos
benefícios que nos faz.
42.Por que devemos amar o próximo como a nós mesmos?
Devemos amar o próximo como a nós mesmos, porque Deus
no-lo ordena e porque todos somos irmãos, filhos de Deus e feitos à
sua imagem e semelhança.
43.Somos obrigados a amar também os nossos inimigos?
Sim; somos obrigados a amar também os inimigos, porque
eles são também nosso próximo e porque Jesus Cristo nos faz disto
um especial mandamento.
44.Que quer dizer amar ao próximo como a nós mesmos?
Amar ao próximo como a nós mesmos quer dizer que
devemos desejar ao próximo aquilo que a nós mesmos desejamos.
45.Como se perde a caridade?
A caridade se perde pelo pecado mortal.
46.Como se readquire a caridade?
Readquire-se a caridade fazendo atos de amor de Deus,
arrependendo-se e confessando-se com as devidas disposições.
§ 2. Das virtudes cardeais
47.Quais são as virtudes cardeais?
As virtudes cardeais são quatro: prudência, justiça,
temperança e fortaleza.
48.Por que se chamam virtudes cardeiais?
Chamam-se virtudes cardeais porque são como o princípio e
fundamento das outras virtudes.
49. Quais são os efeitos próprios das virtudes cardeais?
Os efeitos próprios das virtudes cardeais são os seguintes:
A prudência nos torna atentos e cautelosos para que as
nossas ações se dirijam a um fim reto e as nossas obras sejam bem
feitas e agradáveis a Deus.
A justiça nos move a dar a cada um o que lhe pertence.
A temperança nos auxilia a dominar os desejos desordenados
e usar com moderação dos bens temporais.
A fortaleza nos dá coragem e generosidade para afrontarmos
os perigos e a mesma morte, se necessário for, pelo serviço de
Deus.
LIÇÃO II
OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
50. Que coisa é o dom do Espírito Santo?
Dom do Espírito Santo é a moção constante, recebida de
Deus, que nos torna fácil e suave a prática das virtudes
sobrenaturais.
51. Quantos são os dons do Espírito Santo?
Os dons do Espírito Santo são sete:
1º Sabedoria; 4º Fortaleza;
2º Entendimento; 5º Ciência;
3º Conselho; 6º Piedade;
7º Temor de Deus.
52. Que efeitos produzem em nós os dons do Espírito Santo?
Os efeitos que produzem em nós os dons do Espírito Santo
são estes:
1º o dom da sabedoria nos faz conhecer claramente o nosso
fim e os meios de o alcançarmos;
2º o dom do entendimento nos faz conhecer as verdades
reveladas, convencendo-nos profundamente delas;
3º o dom do conselho nos ensina o melhor partido que
devemos tomar para nossa santificação e o que mais contribui para
a glória de Deus;
4º o dom da fortaleza nos sustenta nos perigos, nos temores e
tentações, e nos faz triunfar das dificuldades, que se opõem à
nossa salvação;
5º o dom da ciência nos mostra o nada das coisas criadas,
nossas obrigações e o caminho mais seguro para chegarmos ao
céu;
6º o dom da piedade é uma disposição religiosa que nos faz
cumprir com prontidão e fervor nossas obrigações para com Deus;
7º o dom do temor de Deus é o receio constante de
desagradar a Deus, que nos faz fugir de todo pecado, ainda dos
veniais, para não desgostarmos a Nosso Senhor.
LIÇÃO III
DAS BEM-AVENTURANÇAS EVANGÉLICAS
53. Que são as bem-aventuranças evangélicas?
As bem-aventuranças evangélicas são atos sobrenaturais de
determinadas virtudes, pelos quais Jesus Cristo promete, ainda
nesta vida, a bem-aventurança, fundada na alegria que nasce da
esperança certa de obter o prêmio eterno.
54. Quantas são as bem-aventuranças evangélicas?
As bem-aventuranças evangélicas são oito:
1º Bem-aventurado os pobres de espírito,
porque deles é o reino do céu;
2º Bem-aventurado os mansos,
porque eles possuirão a terra;
3º Bem-aventurado os que choram,
porque eles serão consolados;
4º Bem-aventurado os que têm fome e sede de justiça,
porque eles serão fartos;
5º Bem-aventurado os que usam de misericórdia,
porque eles alcançarão misericórdia;
6º Bem-aventurado os limpos de coração,
porque eles verão a Deus Nosso Senhor;
7º Bem-aventurado os pacíficos,
porque eles serão chamados filhos de Deus;
8º Bem-aventurado os que padecem perseguição por amor
da justiça,
porque deles é o reino do céu.
55. Por que nos propôs Jesus Cristo essas bem-aventuranças?
Jesus Cristo nos propôs essas bem-aventuranças:
1º Para nos fazer detestar as máximas do mundo;
2º Para convidar-nos a amar e praticar as máximas do
Evangelho.
56. Quais são os que o munda chama bem-aventurados?
O mundo chama bem-aventurados os que possuem riquezas
e honras, que vivem alegremente e que não têm ocasião de sofrer.
57. Quais são os pobres de espírito que Jesus Cristo chama bemaventurados?
Os pobres de espírito, segundo o Evangelho, são os que têm
o coração desapegado de riquezas; os que fazem dela um bom
uso, quando as possuem, e se resignam inteiramente, quando são
privadas delas.
58. Quais são os mansos que possuirão a terra?
Os mansos, que possuirão a terra, são os que tratam com
brandura o próximo, sofrem com paciência os seus defeitos e
suportam, sem queixas nem ressentimentos de vingança, as injúrias
que deles recebem.
59. Quais são os que choram e contudo se chamam bemaventurados?
Os que choram e contudo se chamam bem-aventurados são
os que se afligem pelos pecados cometidos, pelos grave males e
escândalos que vêem no mundo e pleo perigo em que se acham de
perder o céu.
60. Quais são os que têm fome e sede de justiça?
São os que desejam adiantar-se sempre mais no exercício
das boas obras e das virtudes e na posse da graça de Deus.
61. Quais são os que usam de misericórdia?
São os que, amando em Deus e por Deus o próximo, se
compadecem de suas misérias espirituais e corporais, e procuram
aliviá-lo quanto lhes é possível.
62. Quais são os limpos de coração?
São os que nenhum afeto têm ao pecado, procuram com
diligência evitá-lo e principalmente evitam toda espécie de
impureza.
63. Quais são os pacíficos?
Os pacíficos são os que vivem em paz com o próximo e
consigo mesmos, e procuram levá-la aos que vivem em discórdia.
64. Quais são os que padecem por amor à justiça?
São os que suportam com paciência os motejos, os insultos e
perseguições por amor da fé ou de qualquer outra virtude cristã.
65. Que significam as diversas recompensas que Jesus Cristo
promete a quem pratica essas virtudes?
As diversas recompensas prometidas por Jesus Cristo sob
diversos nomes significam a glória eterna no paraíso.
66. A prática dessas virtudes nos fará conseguir somente a bemaventurança
eterna?
Não; a prática dessas virtudes nos fará felizes também na
vida presente.
67. Então os que praticam essas virtudes recebem já nesta vida
algumas recompensas?
Sim; recebem algumas recompensas, porque gozam da paz e
consolação interior, o que é um princípio, bem que imperfeito, da
bem-aventurança eterna.
68. E os que seguem as máximas do mundo, se poderão dizer
felizes?
Não; os que seguem as máximas do mundo não são felizes,
porque não possuem a verdadeira paz nem a consolação interior e
se acham em caminho da condenação eterna.
LIÇÃO IV
DAS OBRAS DE MISERICÓRDIA
69. Quais são as boas obras, de que nos serão tomadas contas
rigorosas, no dia do juízo?
São as obras de misericórdia.
70. Quantas são as obras de misericórdia?
As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete
espirituais.
As corporais são estas:
1º Dar de comer a quem tem fome;
2º dar de beber a quem tem sede;
3º Vestir os nus;
4º Dar pousada aos peregrinos;
5º Visitar os enfermos e encarcerados;
6ºremir os cativos;
As espirituais são estas:
1º Dar bom exemplo;
2º Ensinar os ignorantes;
3º Castigar os que erram;
4º Consolar os aflitos;
5º Perdoar as injúrias;
6º Sofrer com paciência as fraquezas do próximo;
7º Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

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